Terror no Estúdio 666 (Studio 666, 2022): Analisando o filme do Foo Fighters e uma homenagem a Taylor Hawkins
Em 1993, Encino, Skye Willow, o vocalista da banda de rock Dream Widow, está rastejando pelo chão com uma perna quebrada, seguido de perto pelo vocalista da banda, Greg Nole, que está segurando um martelo. Skye vê o corpo de outro membro da banda, que teve sua mandíbula quebrada por Greg, antes de Greg passar o martelo pela testa e bater repetidamente na cabeça dela com ele, esmagando seu crânio. Greg se enforca de uma janela. Já em 2019, o Foo Fighters está sendo pressionado por seu empresário, Jeremy Shill, a gravar um novo álbum, mas Grohl está com bloqueio criativo. O grupo então decide gravar o novo álbum nessa mansão, onde o vocalista Dave Grohl fica fascinado com a casa como fonte de inspiração. Um de seus roadies, Krug, é eletrocutado e a banda decide dedicar seu álbum a ele, mas continuar a gravação. Grohl encontra um porão contendo objetos satânicos e é possuído pelo vocalista falecido depois de ouvir uma fita demo da antiga banda. Sob o controle do demônio, Grohl força a banda a continuar a produção do álbum sob as piores condições possíveis. O filme está nos cinemas, e teve trilha sonora de John Carpenter
O filme não está disponível em streaming
Mais tarde, um entregador chamado Darren, que anteriormente tentou dar a Grohl uma fita demo, é decapitado fora da mansão. No dia seguinte, enquanto o guitarrista Chris Shiflett está cozinhando na grelha, a mesma figura empurra seu rosto para ele. Enquanto Chris tenta escapar, ele tem a cabeça esmagada com a tampa da grade e é esfaqueado repetidamente no pescoço, antes que a figura seja revelada como Sendo Grohl.
A banda mais tarde encontra o cadáver de Darren, mas Grohl os convence a não chamar a polícia e leva seus telefones. Depois de assistir Grohl comer Chris, os membros da banda logo souberam da história da mansão e da posse de Grohl com a ajuda de uma vizinha, Samantha. Para exorcizar Grohl, eles precisam encontrar um livro necessário para libertá-lo da posse. Enquanto Samantha e Rami Jaffee fazem sexo, ambos são mortos quando Grohl se esgueira por baixo da cama e dirige uma motosserra através de suas cabeças, antes de cortá-los ao meio. O baterista Taylor Hawkins é pressionado por Grohl para terminar a música enquanto Nate Mendel e Pat Smear recuperam o livro do porão. Taylor termina a música e é parcialmente decapitado por Grohl com um címbalo.
História por trás do filme
Em novembro de 2021, foi relatado que um filme estrelado pelo Foo Fighters intitulado Studio 666 havia sido filmado em segredo. John Ramsey e James A. Rota produziram o filme, enquanto os companheiros de banda serviram como produtores executivos. O cineasta BJ McDonell dirigiu o filme, trabalhando a partir de um roteiro escrito por Jeff Bulher e Rebecca Hughes, baseado em uma história de Grohl inspirada em suas experiências gravando seu décimo álbum.
As filmagens aconteceram na mesma casa em que a banda gravou seu álbum Medicine at Midnight. Perto do fim das filmagens no início de 2020, a produção foi encerrada devido à pandemia COVID-19 nos Estados Unidos. A produção foi retomada em Los Angeles meses depois, tornando-se um dos primeiros filmes a fazê-lo durante a pandemia. Seis dias de filmagem foram planejados para terminar o filme, mas isso acabaria por durar três semanas devido aos regulamentos colocados em prática para filmar com segurança. De acordo com Grohl, a banda gravou um álbum inteiro para a banda fictícia Dream Widow. O álbum foi lançado em 25 de março de 2022.
Crítica do filme
Já estava escrevendo essa crítica quando fomos pegos com a morte de Taylor. A morte do baterista do Foo Fighters tirou em muito a graça do filme, já que o filme encenava a morte do baterista no filme e não tem mais graça, né?! Mas vamos tentar analisar alguns pontos.
O roteiro é bom. Começando pela ideia de que uma banda quando quer se fuder, vai todo mundo para um estúdio ou casa isolada para "criar". A história de um estúdio amaldiçoado que já vitimou outras bandas com problemas de criatividade também é bom. A ideia do líder da banda superprodutivo que só quer criar combinou muito com Dave Grohl, que quem é fã da banda sabe é viciado em produzir. Mas isso deve cobrar muito da sua banda, e essa é a metáfora legal do filme. Várias bandas já devem ter se perdido no ideal de fazer um trabalho realmente "true", ao estilo Led Zeppelin IV. O problema é que o pessoal esquece que o pessoal do Led brigou de morte depois e a banda se separou. As pessoas falavam mal do Foo Fighters pelo som da banda ser repetitivo, mas a banda sempre foi coesa e nunca gerou grandes escândalos.
Por isso, acredito que a principal mensagem do filme é uma ideia contra a ideologia da produtividade, constante, tipo como podemos ver com a pandemia de Covid-19 e o marketing pelo "novo normal". No filme, o estúdio e o produtor malditos, pressionam a banda e geram a morte de todos, em um sentido quase predatório da evolução natural, onde aqueles que não estão prontos para produzir devem ser eliminados, uma ideologia que impera sob muitos músicos e bandas, mas também com escritores e pesquisadores. Isso é um problema inclusive do público, que assiste conteúdos audiovisuais esperando ver as pessoas "passando perrengue" ou esperando que as bandes "deem o sangue" para novos discos.
O elemento da mansão lembra bastante Resident Evil. Na verdade, tem uma cena com um cara desconhecido olhando para trás que é uma referência direta ao primeiro zumbi do primeiro game da série Resident Evil.
Também é legal a participação de Lionel Richie e a brincadeira de que quando querem fazer algo novo, imitam sons dos anos 80 como o dele, com um piano em uma balada. Eu já havia criticado esse uso do piano nos últimos álbuns da banda e parece uma resposta as críticas bem engraçada.
O pessoal da banda até atuou bem, afinal interpretavam a si mesmos. Acredito que a experiência dos clipes serviu de bastante preparo, afinal o Foo Fighters sempre foi uma banda bem audiovisual. Mas em termos de técnica o filme é pobre. A direção é nula. A fotografia, automática. A montagem e edição, óbvias. Mas os efeitos práticos são bem feitos, um bom trabalho de referência aos filmes trash de terror dos anos 70 e 80. O filme possui muita referência em geral de cultura dos anos 90 também. Além disso, há uma certa crítica ao idealismo do rock progressivo e do black metal, com uma brincadeira meio punk de associar "estar possuído" com querer fazer uma música pesada, que ninguém compreende e que possui uma duração de mais de 10 minutos. Ou seja, para a opinião da banda isso não seria criar, mas sim se colocar em uma caixa, se enquadrar, se definir e não deixar o som falar por si.
A principal qualidade do filme é ser engraçado. A dinâmica do chefe de banda autoritário é legal. A ideia da vizinha tarada e que faz brownies, também foi bem engraçado. Dá para dar umas boas risadas com o filme.
Mas o final era muito pessimista e parecia já prever algo de errado na banda, já que termina com Dave incorporado por uma entidade, depois de matar toda sua banda, em uma carreira solo. A trilha sonora, com participação de John Carpenter na sua composição, é bem bacana também.
Só achei importante falar do filme após a morte de Taylor como uma homenagem, para ele e para o Foo Fighters, que sempre foi uma das minhas bandas favoritas dos anos 2000, fazendo parte da minha adolescência.
Começando pelo nome da banda: O projeto recebeu o nome de Foo Fighter, um apelido cunhado pelos pilotos de aviões estadunidenses para OVNIs e outros fenômenos aéreos. Essa relação com os OVNIs e a banda, como uma banda dos anos 90, foi explorada no filme do seriado, Arquivo X, o qual Dave é grande fã, e onde na trilha sonora toca a canção Walking After You. "Dave Grohl era um grande fã do show", disse Gillian Anderson, a Scully, em entrevista para a Rolling Stone, com uma risada. "Ele veio para o set para um episódio como um extra. Ele fez um cameo; um drive-by. Se você piscar, você perde ele. Ele acabou sendo o cara em um corredor."
O episódio, 3X17 - "Pusher", foi ao ar em 23 de fevereiro de 1996, e se concentrou em Scully e Mulder caçando um homem que poderia subliminarmente influenciar as pessoas para fazer suas ordens. A cena de Grohl aparece no prédio do FBI, enquanto o homem com poderes de controle mental entra escondido; Dave é visto com sua então esposa Jennifer Youngblood. Dois anos depois, Grohl e seus colegas de banda do Foo Fighters re-gravaram a faixa "Walking After You" para The X-Files: The Album, que saiu em 1998 como a trilha sonora do filme X-Files.
O videoclipe da canção apresenta Grohl interagindo com uma mulher (interpretada pela atriz espanhola Arly Jover) no que parece ser um asilo ou prisão, onde os dois são separados por janelas de vidro. Uma pilha de televisores vintage exibe clipes de tarifa retrô, como filmes de Bela Lugosi e desenhos animados de Betty Boop. Foi dirigido pelo fotógrafo de moda Matthew Rolston, que também fez vídeos para artistas como Janet Jackson, Madonna e Lenny Kravitz. Antes do envolvimento de Rolston no vídeo, o astro de Arquivo X David Duchovny havia manifestado interesse em dirigi-lo, mas foi rápido em admitir sua inexperiência, dizendo "Eu não saberia o que diabos estou fazendo". O conceito também foi inicialmente considerado como tendo uma relação mais direta com os Arquivos X de alguma forma, mas ficou apenas no esboço.
"Eu estava obcecado com os Arquivos X", disse Grohl a Anderson em 2014 no programa da BBC The One Show. "Eu não quero te assustar, mas eu era um fã obsessivo." Mais tarde, ele expôs sua paixão com o show em uma entrevista à BBC Radio 1, via music-news.com. "[Gillian] era a única pessoa que eu era como, 'Nós vamos nos casar. Um dia desses, ela e eu finalmente nos encontraremos e isso finalmente vai acontecer'", disse ele. "Então, ontem à noite, eu estava sentado ao lado dela como, [sussurros] 'É Gillian Anderson, Oh, meu Deus.' Eu nem sei o que eu disse ou como eu respondi as perguntas; Eu estava apenas olhando para ela como, "Ela é tão bonita."
A relação de Dave ter sido baterista do Nirvana e ter se reinventado após a morte de Kurt, virando cantor e guitarrista de uma nova banda, foi sempre impressionante para mim.
Tive a oportunidade de ver a banda ao vivo no Rio de Janeiro, no Maracanã. Durante o show, alguns grupos de jovens aproveitaram a emoção do show para fumarem seus baseados. De repente, o Maracanã foi tomado por uma incrível neblina de fumaça de todos os tipos de cigarros possíveis. Por acaso, foi nesse momento do show que Dave anda no palco do meio, que vai até o meio da plateia. Depois de terminar a música, no intervalo para a próxima, Dave ensejou pedir para que os jovens fumassem menos durante o show, inclusive com sinal de fumar com as mãos ao falar o nome do tecladista. Se não fosse engraçado o suficiente, Dave virou e ensejou que tinha alguém da banda que também gostava muito de torrar um, e perguntou para plateia: "Adivinhem quem é que não esquece nenhuma música da banda?" Ao que a plateia começou em massa responder imediatamente: "Taylor, Taylor, Taylor..." e o baterista apenas sorriu, constrangido.
Esse sempre foi o clima do Foo Fighters: de zoação.
Dos álbuns que mais gosto da banda, nomearia The Collor and the Shape, e o Wasting Lights. O último, Medicine At Midnight também foi bem legal. A maior performance da banda ao vivo, para mim, foi no dvd gravado no Estádio Wembley. Além de todos os clássicos da banda tocados para uma plateia a sumir de vista, teve a participação de John Paul Jones e Jimmy Page do Led Zepellin, que tocaram Rock n' Roll com Taylor nos vocais. Como Dave, Taylor era versátil e esse momento foi um dos mais impressionantes que já vi musicalmente.
O filme é divertido, recomendo para os fãs da banda. É uma última lembrança positiva do Taylor e uma boa despedida. Mas para quem não conhece nada, ou está conhecendo a banda, não recomendo. O tom do filme é muito fora do da tragédia. Para cinéfilos mais cults, também não recomento, afinal é um filme zoeiro, que não se leva a sério, podendo causar frustração em espectadores mais exigentes.
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