Pular para o conteúdo principal

Anúncios:

A Bomba Semiótica de Senso Comum: Armadilha dos Opostos




A dialética hegeliana é frequentemente resumida à ideia de que os opostos se atraem e se confrontam  tese, antítese e síntese mas essa leitura superficial esconde uma dinâmica ideológica que hoje marca o senso comum. Não se trata apenas de forças contrárias que se encontram para gerar algo novo: a polarização radical que vemos não é um confronto livre entre dois extremos, mas uma articulação previamente montada.


As bombas semióticas podem ser comparadas aqui com as pautas e agendas dos candidados na política. Em cada eleição, um candidato tem que escolher uma agenda que responde a uma base (grupo político), e em tese, o candidato deve devender isso a todo custo para ser eleito. Mas quando o populismo toma conta, votamos em alguém apenas porque alguém nos convenceu ou agradou ou porque foi-se "contaminado" com esses dispositivos de carisma. 

Lembro até hoje de como crianças gostavam do Enéias pela energia de uma rápida propaganda, mas o que elas não podiam saber é que seu partido, o PRTB era considerado por muitos como o partido mais nazista do Brasil com seu torpe e avesso nacional desenvolvimento de extrema direita. 

 

Os dois polos, um e outro, sempre com tons populistas, declarações exageradas e posturas que se apresentam como a verdadeira representação do povo se opõem em público, se atacam e fazem com que a atenção da sociedade fique toda voltada para esse embate. Pela lógica que costumamos ouvir, seria a tese contra a antítese, rumo a uma síntese. Mas o que acontece, na prática, é diferente: existe um centro que não aparece como protagonista do debate, que não se declara moderado por convicção, mas por estratégia.

 

Esse centro não é o equilíbrio entre os extremos é covardia política e dominação silenciosa. Ele segura os dois polos como cães em coleira: deixa que eles latiam, se enfrentem, ocupem toda a cena e consumam a energia da discussão pública. Enquanto a sociedade se divide entre os dois opostos, distraída com o embate radical, esse centro se beneficia da confusão, mantendo‑se no comando e ignorando a política substantiva  aquela que trata de direitos, estrutura e distribuição de poder.

 

A “bomba semiótica de senso comum” explode justamente aí: fazemos crer que a escolha é só entre um extremo ou outro, como se não houvesse outra via. A dialética não se fecha em uma síntese transformadora; ela é desviada para servir a quem já domina. Os opostos não se unem para superar o conflito — são apenas peças de uma articulação ideológica que os mantém em confronto permanente, para que o centro dominante continue sem ser questionado.



Exemplos:  A esquerda escolheu falar antes da isenção de imposto para quem ganha até 5000 ao mês, nesse eleição, já é a pauta da escala 6x1. O problema de pautas abertas, ou morais é exatamente isso. Elas podem ser facilmente roubadas pelo outro lado. Assim todos estão em cabrestos eleitorais e repetem sem muito refletir automaticamente sobre isso. Outro erro de pauta foi ter o Lula proíbido as bets, quem deveria ter feito isso (por ser uma forma de pauta moral) deveria ter sido o próprio Supremo. 


Sabemos que mesmo que se o candidato da oposição prometer mundos e fundos, isso não vai mudar o fato de que quando chegar lá isso pode facilmente mudar. Nada diz que ele vai obedecer as promessas de campanha. Mas essa está sendo a principal diferente. 


Enquanto os acordos com o patronato fortalecem o Lula em sua primeira eleição, agora condenam ele a prometer pouco (em nome de não soar populista). Vivemos não apenas a morte da ideologia, também vivemos a contradição e os nossos inimigos(pessoas que agem contra nós) podem ser para além de apenas esquerda e direita. 


Agora, tenho que ponderar algo diferente, sobre como Lula não é radical, mas por ele ser a única esquerda possível, ele representa todos os tótens de esquerda e ao mesmo tempo um conservadorismo de quem governou anos e anos com o centro e era especialista de conseguir agendar. 



Por fim, dá pra refletir que o problema não é perder a eleição, mas perder a noção do que é. Se todo o projeto político fica restrito a poucos e a época de eleição, não é nem um pouco difícil entender porque esse projeto pode ser facilmente usurpado. 


-Nós da esquerda estamos lutando pela hegemonia? 

-Porra nenhuma, estamos lutando pra não enlouquecer.


Acrescentaria que estamos lutando todo dia contra forças que nem ao mesmo sabendo em toda a sua extensão. 

Comentários

Em Alta no Momento:

Hilda Furacão (1998): A série brasileira com Ana Paula Arósio e Rodrigo Santoro que todo mundo está assistindo

Os 20 Maiores Discos Brasileiros de Todos os Tempos

O Mágico de Oz (1939): A origem das alegorias políticas e das histórias obscuras que circundam o clássico

Resident Evil (2026): Vale a pena a nova adaptação dos games que homenageia o gênero survival horror? - Análise e Crítica

Curta nossa página: