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A Odisséia (2026): Nolan adapta um dos primeiros livros da História da Humanidade

 


Odisseu, rei de Ítaca, parte para a Guerra de Troia ao lado dos outros líderes gregos. Após dez anos de conflito, é ele quem concebe o estratagema do Cavalo de Troia, que finalmente dá a vitória aos gregos. Porém, ao sair vitorioso, Odisseu comete um ato de arrogância que atrai a ira dos deuses: recusa reconhecer a intervenção divina, e assim é condenado a vagar pelo mar por mais dez anos, sem conseguir retornar à sua pátria ou sua família. Uma adaptação de Nolan do clássico fundador da literatura ocidental. O poema data de aproximadamente (750-700 a.C.) no período da Grécia Antiga. Embora narre eventos situados na Era Micênica (por volta de 1200 a.C.). 


Aqui, eu já fiz do filme Tróia (com Brad Pitt), e do texto da Odisséia separado pois earava relendo na época, o Tróia antigo que é essencialmente, a adaptação da parte da Ilíada da história e sobre Aquiles e a ideia do cavalo de Troia, que está muito presente também nesse filme pois explica uma espécie de raiva dos deuses pelo carácter violento e soturno do ataque, além de refletir que guerra pode ser um capricho o ego e fruto de vontades pessoais de uma elite que decide os rumos da pátria. 


Não digo que isso seja um tema do livro, mas é um pouco o que o Nolan está fazendo. Já que ele foi muito criticado por um certo louvor militar e da guerra por Oppenheimer. 


Sabemos que Odisseu fica preso na ilha da ninfa Calipso (Charlize Theron) ele perde a noção do tempo e de si mesmo consumido pela culpa, pelas memórias da guerra e pela perda de todos os seus homens. Muitos fizeram piada sobre ser a Charlize Theron dizendo que não iam querer sair da ilha mesmo, houve essa polêmica da Lupita ser a Helena de Tróia, mas o filme não foco nisso. 


O foco não é em justificar pelo pessoal, mas ver como um fenômeno de poder por Agamenon, que já queria guerra. Nesse ponto específico,  reeleitura é benvinda por biografar menos o conflito, colocar como ssedentátio. 

 Ainda acaba fazendo dois filhos com ela, e aparece no filme, não lembrando de nada de sua vida antiga e sendo até feliz com a ninfa. A parte mais forte paara mim é a parte do gigante canibal, pois ali era para ele não ter saído. A parte da Circe me assusta pois todos viram porcos como uma metáfora de que ela está acostumada com visitantes e que é daquela forma que ela aprendeu a lidar com a invasão de homens estranhos.


 Logo, o filme ressalta o carácter do poder feminino, de ninfas, bruxas e sereias. Não apenas, reflete que Penélope era menos romântica e fiel do que ela foi pintado. Isso foi uma interpretação mais do filme. Penélope apenas não quer "trocar seis por meia dúzia" como diz o ditado popular. 


Qual a importância de ler o texto na peça fílmica? Pois é A Odisséia é um texto fundador não apenas da literatura mas fala muito da psicologiae da formação da mentalidade patriarcal clássica. Você vai ver nesse texto muita inspiração, a parte das armas falou pra literatura cavalheiresca, a parte do gigante lembra a estória bíblica de Davi. 

A palavra Odisseu (nome) é grega, e a Odisseia, seria como as aventuras de odisseu em seu exílio não tão forçado assim. A "odisséia" palavra no português e em vários idiomas significa uma forma de viagem épica ou situação deveras complexa. 

A deusa Atenas o visita (Zendaya) e se reflete sobre o que é vitória já que ele perdeu seus homens, guiando-o a relembrar o que aconteceu e o que precisa enfrentar para voltar: Ciclope, a feiticeira Circe, as sereias, o perigoso estreito entre Cila e Caríbdis, e os limites da própria resistência humana. Vemos todo o caminho percorrido pelo antigo rei de Ática, até ele se "esquecer" de tudo nos braços de Calipso. 


 


Enquanto isso, em Ítaca, sua esposa Penélope governa com firmeza e doçura, criando sozinha o filho, Telêmaco, que é o Tom Holland no filme, já o papel de Odisseu é de Matt Damon, Penelope é Anne Hathaway. A mãe acha que o filho vai ser morto a todo momento e que ele é muito jovem pra ser rei. Então sua luta é contra o relógio para manter o trono enquanto os pretendentes gastam os proventos todos da fazenda deles.




A tal polêmica de Helena de Troia foi ínfima, e reparar, quem está no filme, Lupita fica por algumas cenas. Zendaya está bem no filme, ela faz a conciência de Odisseu perante ao fracasso dele em voltar pra casa.


 As cenas que retomam os acontecimentoa de Íliadas aparecem como memórias coletivas de guerra que aparecen para explicar o caracter destrutivo e inútil das guerras. 


Se diminui o papel dos deuses na trama para momentos de meditação para lembrar da história, como se fosse um debate interno e não realmente uma condenação ou ação exclusiva. Os deuses participam como forma de consciência coletiva mas interna, como id, ego e super ego da ação dos persomagens. 

O filme é todo bom, mas a edição (o que é uma tendência em toda Hollywood moderna) deixa muito a desejar, e afotografia é boa mas opaca e escura demais em alguns momentos. Com o desaparecimento prolongado do rei, nobres pretendentes invadem o palácio, exigindo que Penélope escolha um novo marido. O Robert Parttison faz um dos pretendentes. 

Tudo segue o livro, menos o final, o final onde ele morre serve para tirar o carácter de Don Juan de Ulisses, que chegou a ter dois filhos com Calipso, declarando-se forçado e drogado por ela durante anos. 


Ela os mantém à distância com astúcia, tecendo e desfazendo um manto de dia e de noite, prometendo decidir apenas quando a obra estiver pronta. Já adulto, Telêmaco sai em busca do pai, arriscando a própria vida para descobrir se Odisseu ainda vive. Vale lembrar que Ulisses (versão latina do nome) e Odisseu em grego original são o mesmo nome. 

 

Após duas décadas de provações, Odisseu finalmente chega disfarçado à sua terra e se finge de homem comum e que foi "amigo de Odisseu", logo a sua serva o reconhece (é assim também no livro). Com a ajuda do filho, revela-se aos pretendentes e restaura a a sua sua ordem no reino. Isso aqui é um pouco diferente do livro, onde a ênfase é ele voltar como qualquer andarilho e se provar como "merecedor". 


Repara que isso de se provar pela sua arma que ninguém mais maestra lembra em muito as lendas arthurianas posteriores. Muito da nossa literatura foi inspirada na psicologia do período clássico grego e da própria mitologia clássica.


O reencontro com Penélope, porém, não é imediato: ela, cautelosa, testa-o para confirmar que é realmente ele. Quando a prova é superada, reconhecem-se mutuamente, e o ciclo de ausência e perda se encerra  não como um retorno simples, mas como o recomeço de um amor que resistiu ao tempo e à dor.

Filmado inteiramente em IMAX 70mm, dá ênfase especial ao trauma de guerra na formação da psiquê do indovíduo, antes o homem era rei e poderoso e aí ele é destituído de seu exército por ter enfureciso os deuses e é condenado a vagar fora de casa, essa é a essência da "aventura", à humildade que o herói aprende ao longo do caminho e à ideia de que “voltar para casa” não é apenas uma viagem física, mas uma transformação interior .


A Penélope do filme é quase feminista, ela não lamenta o abandono do marido por romance ou amor exatamente, mas por saber que não haveria "homem tão bom" para governar a sua casa e a Ítaca. O filme busca colocar Penélope com uma razão de Estado toda própria. 


É colocado como se ela não fosse apenas honrada,  colocado que sua dúvida em se casar de novo era de que queria ela mesma governar e por isso recusava a volta, por já ter se amargurado apenas com um homem, não queria outro. Faz sentido a reeeleitura do Nolan.


O que falar do diretor? Nolan tem um paradigma de tempo e memória todo peculiar, presente em Memento, Tenent, mas menos em filmes como Oppenheimer, onde o biografismo atrapalhou suas metáforas humanas fortes, sendo uma venda ao sistema para ganhar Oscar, a sequência óbvia para se revender ao progressismo é lacrar com um épico histórico, e ele fez isso dando uma interpretação temporal a lenda. Colocando Odisseu como um herói vazio e falho e que perece no final mesmo com sua volta. 

O filme entrega uma saga mais sobre o poder e o tempo em uma dimensão mais uma vez psicológica. Mas em toda a psicologia, há uma tentativa de se lembrar o caracter político que mesmo narrativas e epopéias profundamente romanceadas fornecem em uma leitura atenta. 





 

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