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Os 5 Boleros Mais Marcantes de Todos os Tempos



Um ritmo originário do final do século XIX em Cuba, uma mistura de contradança espanhola, ritmos africanos e tradições musicais caribenhas que deram origem ao bolero, um dos mais marcantes ritmos, um dos gêneros românticos mais queridos e influentes da América Latina. Uma lista dos 5 boleros mais conhecidos e marcantes de todos os tempos. Porque essas músicas estão no imaginário latinoameriano. 


Lista em homenagem a minha avó, Antonieta Aracelis (que era venezuelana) e que escutou em vida muitos boleros. 



Desde sua época de ouro na metade do século XIX,descendentes de escravos e da diáspora criaram um ritmo latino por excelência. Na América Latina, viveu-se uma experiência única de imersão e intimidade com o ritmo, com a cultura da viola popular. 


 A viola latina ou guitarra espanhola (spanish guitar), como é conhecida em muitos lugares trouxe consigo do Velho Mundo um legado  da vindo Espanha e Portugal, a guitarra era um instrumento presente em músicas de salão, festivais rurais e até na música erudita. Mas foi aqui, no continente americano, que ela ganhou uma intimidade popular como em nenhum outro lugar do planeta.

 

No século XIX, com o fortalecimento das identidades nacionais e o crescimento das manifestações culturais populares, a viola deixou de ser apenas um instrumento de corte ou de músicos profissionais para se tornar parte da vida cotidiana: acompanhava cantigas de roda, serestas nas ruas, festas de comunidades, os boleros que começavam a se consolidar como gênero popular no rádio, isso junto com a formação de novos tipos de governo e instituições na América Latina do século XX. 

 

Enquanto na Europa a guitarra muitas vezes manteve laços com formas mais formalizadas de música, na América Latina ela se tornou um símbolo de proximidade com o povo: era o instrumento que se pegava no canto do sofá para cantar de coração, que acompanhava histórias de amor e saudade, que viajava de um lado para o outro e falava sobre os encontros de alma, os amores de juventude. 


 Essa relação íntima com a viola popular é o que faz com que boleros e outras músicas latinas tenham aquele toque especial uma mistura de herança europeia e alma americana, construída ao longo de gerações. Ninguém tem essa intimidade, esse estilo de música mais próxima quanto nós, você vê isso também no samba, ou músicas populares como as de Chico Buarque

 

É como se a viola tivesse encontrado aqui seu verdadeiro lar: um lugar onde a música não é só para ser ouvida, mas para ser vivida em conjunto.

Com andamento lento e tom dramático, letras emocionantes e riqueza melódica, ele se espalhou rapidamente pela região e além, tornando-se uma ponte cultural poderosa que uniu comunidades latinas diversas por meio de temas de amor, saudade e paixão. . 

O destaque vai para a banda Los Caballeros, ou Los Ponchos, que ficara  populares por meio de rádio, cinema e apresentações ao vivo até sua presença duradoura na música contemporânea e na cultura popular, o bolero permanece como um marco da herança latino-americana, preservando séculos de evolução musical ao mesmo tempo em que continua a ressoar com novas gerações de ouvintes em todo o mundo.


1) Perfídia


"Mujer

Si puedes tú con Dios hablar

Pregúntale si yo alguna vez

Te he dejado de adorar"


 Foi composta pelo mexicano Alberto Domínguez nos anos 1930, alcançou difusão global ao ser gravada por orquestras norte-americanas e posteriormente por intérpretes latinos. Tornou-se padrão da chamado cancioneiro romântico e entrou no repertório de cinema e rádio em vários países. Todos conhecem as pérolas desse ritmo. 




2) La Barca


"Cuando la luz del sol se esté apagando y

Te sientas cansada de vagar

Piensa que yo por ti estaré esperando

Hasta que tú decidas regresar"


 Obra de Roberto Cantoral, surgiu já em meados do século XX como a inesquivél história do amor que vai embora,  e encontrou consagração em vozes de trio e cantores populares.



 As versões difundidas pelo trio Los Panchos ajudaram a levá-la por toda a América Latina, Europa e comunidades latinas nos Estados Unidos. Além da versão clássica, tem uma do Luis Miguel também. 






3)  Bésame Mucho


"Bésame, bésame mucho

Que tengo miedo a perderte

Perderte después"




Escrita ainda jovem por Consuelo Velázquez, tornou-se talvez a mais universal de todos e também pudera. Essa música todo ser humano já escutou. Traduzida e reinterpretada em dezenas de idiomas, foi gravada por artistas de estilos diversos do pop ao jazz,  incluindo o quarteto britânico The Beatles no início da carreira. 


O alcance global da canção a transformou numa das composições mexicanas mais executadas da história. Apenas coloco em terceiro pelo impacto dramático que Perfídia tem e porque Bésame Mucho acabou virando um hino mais genérico, não tocando a alma como toca La Barca e Perfídia. 


3) Quizás, Quizás, Quizás


"Que cuándo, cómo y dónde (que cuándo, cómo y dónde amor)

Tu siempre me respondes (yo siempre te respondo)

Quizás, quizás, quizás"




Escrita pelo cubano Osvaldo Farrés, destaca-se pela simplicidade rítmica e pelo jogo verbal do título. 


Sua internacionalização ocorreu graças a adaptações em inglês e a gravações de cantores populares como Nat King Cole, uma versão quentica no incrível filme que eu adoro "In the mood of love", que contribuíram para inserir o bolero no repertório mainstream norte-americano e europeu e mundial. 




 4) Solamente una Vez


"Solamente una vez

Amé en la vida

Solamente una vez

Y nada más"




 Composta por Agustín Lara, alcançou prestígio tanto em espanhol quanto em versão inglesa (“You Belong to My Heart”). Sua circulação em filmes e gravações internacionais reforçou a imagem do bolero como expressão refinada do romantismo latino, sendo reinterpretada por cantores de várias gerações. É clássica demais. 


5) Contigo Aprendí

"Contigo aprendí
A ver la luz del otro lado de la Luna
Contigo aprendí
Que tu presencia no la cambio por ningun"





Lançada na década de 1960, essa obra-prima de Armando Manzanero carrega uma das mensagens mais belas do bolero: o amor como fonte de crescimento. A letra fala sobre como a pessoa amada ensinou ao narrador coisas que ele não sabia, a sonhar, a esperar, a valorizar cada momento, até mesmo a chorar de felicidade. 

Além das versões de Luis Miguel, Alejandro Fernández e Nana Mouskouri, artistas como Rocío Dúrcal, Julio Iglesias e até mesmo grupos de música popular brasileira com Gal Costa também gravaram adaptações dela, prova do seu alcance global dessa linda música. 





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