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Arquivo X - "Gelo" (Ice - 1x08): Curiosidades e análise do oitavo episódio da primeira temporada da série


Exibido originalmente em 1993. Foi dirigido por David Nutter e escrito por Glen Morgan e James Wong. O episódio chegou a ser assistido por 10 milhões de pessoas na estreia, se tornando um dos mais populares da série. Nele, um grupo de geofísicos no estão fazendo uma pesquisa em Doolittle Airfield, Alasca, no topo do mundo. Um deles está querendo se matar com uma arma em punho. Vemos um cachorro andando na base no meio do gelo e um homem em estado de nervos em meio de uma tempestade de gelo. É então que os agentes Mulder e Scully são acionados para o caso. O episódio foi inspirado na novela de John W. Campbell, "Who Goes There?" de 1938, em um artigo científico de uma escavação da Groelândia onde encontraram um objeto com mais de 250,000 mil anos de idade e no filme de John Carpenter, "O Enigma de Outro Mundo" (1982)



Um assassinato em massa/suicídio ocorre entre geofísicos, Dr. Hodge (Xander Berkeley), um toxicologista, Dr. Da Silva (Felicity Huffman), e o geólogo Dr. Murphy (Steve Hytner), como também o Bear (Jeff Kober).


Scully nota nódulos negros na pele e suspeita de infecção de peste bubônica, notando uma rachadura no pescoço e sobre a pele do corpo, que não revela os nódulos no corpo dos cientistas mortos. Murphy encontra uma amostra de gelo que ele acredita que veio de um meteoro que caiu em uma cratera e teorizam que o objeto poderia ter 250,000 mil anos de idade. 



Mesmo Bear querendo ir embora, os outros se preocupam na possibilidade de poder infectar o mundo de fora. Quando é pedido para ele um exame de fezes, Bear ataca Mulder e tenta fugir. Algo ataca embaixo da pele de Bear e ele morre quando Hodge faz uma incisão do parasita, removendo o que seria um pequeno verme de trás de seu pescoço. Agora sem um piloto, o grupo é informado que a evacuação é impossível por conta da um tempestade. 


O verme removido de Bear é mantido em uma jarra, e outro é recuperado também do corpo dos cientistas. Mulder acredita que os vermes são extra terrestres e quer mantê-los vivos, mas Scully sente que eles devem ser destruídos para prevenir um vazamento e infecções futuras. O grupo checa um ao outro em busca de nódulos e não encontram nenhum. 


Mulder lembra a Scully que os nódulos desapareceram do cachorro ao longo do tempo. Mulder acorda no meio da noite e descobre Murphy no freezer com sua garganta cortada. Os outros chegam e pensam que ele o matou e que ele está infectado, todos pensam isso, inclusive Scully! 






Eles trancam Mulder em uma sala e Scully descobre que dois vermes juntos matam um ao outro e anulam a infecção, por isso que o cachorro se recuperou sozinho. 


Hodge e Da Silva tentam colocar um verme em Mulder, quando Hodge percebe que era Da Silva e percebem que ela que está infectada. Eles prendem ela e colocam o verme nela, quando eles são resgatados, Da Silva e o cachorro ficam de quarentena e os outros são liberados. Mesmo que Mulder queira voltar para o local para achar o verme, ele descobre que foi bombardeado pelo governo no fim, não sobrando nenhuma prova do caso. 





Crítica do episódio


O episódio foi muito gostado por sua atmosfera, Dana Scully (Gillian Anderson), e Fox Mulder (David Duchovny) investigam uma situação inusitada de mortes ocorridas em um time de pesquisa no Alasca, por isso eles vão até lá para ver o que está acontecendo. O interessante é notar essa metáfora de poder em relação a estar possuído por um parasita e poder mudar seu comportamento por isso, como com o vírus da raiva, mas não era um vírus, era um parasita que atacava o hospedeiro acabando com a sanidade da pessoa. 


Quando os agentes chegam na base depois de passar por vários procedimentos de verificação com os cientistas, eles chegam em um lugar frio, ermo e no meio do nada. Scully fotografa para documentar, e Mulder está atrás da pesquisa do grupo, o cara que veio com eles pede para preservar algumas apostas. O cachorro ataca Mulder e o clima fica tenso com isso e eles tem que acalmar o cachorro. Scully acha que o cachorro tem sintomas de raiva, e uma moça comenta que glóbulos inchados parecem infecção de peste bubônica. 


Um deles foi mordido pelo cão e logo começa a debandar como em um processo de medo coletivo de um processo de contaminação. Eles votam em quem seria a favor de confinar aqueles que apresentam os sintomas, o que logo vai fazer um ir contra o outro em um processo de "mundo cão" que chega mesmo até a rachar Scully e Mulder. Eles prendem o guia deles infectado com uma corda e tentam retirar o "bicho" de dentro dele, que seria o bicho que estaria infectado a estação. Quando o cara morre depois de retirar o parasita. A acetilcolina nervosa seria um componente químico que ajuda a processar as funções cerebrais no hipotálamo. Um dos pesquisadores sugere que o sangue infectado tocou Scully, e que nem por isso eles perderam a liderança.

 

O perigo nesse episódio parece uma metáfora de jogo de poder e as relações sociais parecem estar sempre em disputa por conta da desconfiança e da paranoia, todos querem estar "certos", como se a racionalidade fizesse todos ficarem selvagens (por mais contraditório que isso soe), quando Mulder não quer largar a arma e Scully acha que ele pode estar infectado, ele acha que ela não confia nele, mas ela está usando do argumento científico, sobre a necessidade de acompanhar o exame de sangue para saber se ele está "infectado". É pedido pelo outro casal de cientistas para Scully jogar sua arma fora no caso dela estar infectada. Ela não quer abandonar Mulder, o parasita é hermafrodita. Scully faz um exame em Mulder e constata que ele não está infectado. 


Os pares Hodges e DaSilva são como se fossem tropos deles enquanto casal, no sentido que eles desconfiam juntos e os vermes parecem uma metáfora de "síndrome do impostor", o que sugere que em situações de estresse, alguém, mesmo confiável, pode perder a calma, ao estilo "O Iluminado" de Kubrick, mas a metáfora biológica consegue quase mascarar esse subtexto. 


Segue também a fórmula de episódios de Morgan w Wong onde a dualidade das identidades, fazendo questionar a confiança produzida pela parceria e pela rotina. No artigo "Last Night We Had an Omen", Leslie Jones notou que essa temática é recorrente em vários roteiros de Arquivo X, algo que me lembra o filme His Girl Friday, sobre um casal de jornalista que tinha problemas no relacionamento devido os casos que cobriam. 


Por fim, Scully e Mulder discordam mais uma vez sobre o destino do parasita (que ficou claro ser de tipo extra terrestre). Scully que ficou assustada com o nível da divisão e do desafio que foi "ser especialista" responsável por averiguar o que "deu errado" em uma expedição, o resultado é como em filmes de terror (por isso as referências do episódio eram esse tipo de cinema), e isso demonstra o carácter singular que esse episódio teve. 




Quando Scully diz para Mulder que acha que era melhor deixar ali o verme (porque Mulder queria uma amostra para estudar a criatura). Acaba sendo uma metáfora, Mulder mais uma vez quer ir até o fim para provar um ponto, e Scully acaba dessa vez defendendo a perspectiva de que a situação foi tão estressante que era melhor mesmo "destruir a criatura", porém, isso é concordar com a manipulação de dados do governo que sempre "nega o conhecimento" daquilo do que é estranho (no caso o verme que produz essa doença parecida com raiva). 


Também teve mais um momento de "screwball comedy" na hora de Mulder averiguar de Scully estava infectada, pois afinal ambos tiveram que "checar" cada parte do corpo um do outro, só para ter certeza da contaminação, é claro.






Produção, bastidores e história por trás do episódio


O episódio foi concebido e escrito pensando no filme de Howard Hawks "Who Goes There?", adaptação da novela. Glen Morgan disse que ele foi inspirado também por um caso que leu de um homem que estava em uma expedição na Groelândia e acabou achando um item de 250,000 mil anos de idade, um item achado junto ao gelo, ele leu isso em uma revista científica. A questão de criatura alienígena foi tirado do livro Who Goes There de John W. Campbell de 1938 e o filme de John Carpenter "The Thing (1982). 



O episódio foi importante na mitologia de X Files por criar um tipo de episódio e ideia de roteiro muito presente em futuros episódios da série, como "Darkness Falls" da primeira temporada, e "Fire Walker" da segunda, onde temos uma fórmula clássica de combinação de localizações remotas e formas diferentes de vida. O episódio de Fringe "What Lies Below" tem praticamente o mesmo enredo de Ice. O produtor de efeitos que começou a ser utilizado era o designer Graeme Murray. O episódio apesar de ser em um local isolado, acabou excedendo o custo de produção. O episódio insere a mitologia repetida em The Host, F. Emasculata, Roadrunners e outros, sendo seu plot (enredo) similar a filmes como "The Thing".


De acordo com Carter, o episódio foi gasto dólar a dólar e tudo foi parar na cena mesmo. O interior foi filmado em uma cervejaria velha Molson, lá no Canadá, usando de um pequeno elenco de apoio. Os exteriores foram feitos em hangares que simulavam a localização no Ártico, na verdade eles estavam no Delta Air Park em Vancouver. O efeito especial do verme andando na pele foi feito usando pele artificial, incluindo uma pele com cabelo artificial para produzir o efeito no cachorro. 


Os efeitos digitais foram usados para as cenas envolvendo os vermes nadando nas jarras e na parte que os vermes entram na orelha do cachorro. O departamento de cortes da Fox pediu a retirada de parte das cenas extras que tinham muitas dos vermes. Esse episódio marca o primeiro trabalho da artista de maquiagem Toby Lindala que se torna a chefe de maquiagem da série. 


Ken Kirzinger, que interpretou um dos cientistas mortos, o John Richter, o cara era o coordenador de dublês e participou do episódio. Apesar de não ser exatamente um episódio de continuação da mitologia pessoal dos personagens, é um dos episódios de desconfiança sobre a presenta de invasão alienígena e de conspirações governamentais feitas em ordem de barrar essas descobertas. 



O humilde "inspetor de controle de animais" que ao mesmo tempo sem saber é um mutante metamorfo com um gosto por fígado humano. O que ele quer dizer? A metáfora de estar muito próximo ao olho do furacão e acabar virando aquilo que se evita. O humilde inspetor de controle de animais que é um mutante com um gosto por fígado humano. Uma professora de biologia da Universidade de Maryland, por exemplo, discute em seu livro "Mosnters, Mutants and Missing Links: The Real Science Behind the X-Files" (Monstros, Mutante e Ligações sumidas: A Real Ciência por trás de Arquivo X alguns fatos curiosos da ciência real que teria a série arquivo x, algo que poucos pensam sobre a série, que é normalmente associada com fake news (por conta da questão dos alienígenas). 


A professora notou que como os vermes podem se conectar ao hipotálamo por não ser bloqueada pela barreira de sangue. Ela compara com a ideia dos episódios posteriores Tunguska e Gethsemane, ela cita a teoria da panspermia, de que os vermes e germes se adaptariam e ajudariam a reproduzir os novos ambientes em um meio favorável.  Outra marca do episódio é a retratação de Scully como mais inteligente e em posição de liderança do que por exemplo, no piloto. O episódio foi exibido pela Fox no Reino Unido dia 10 de novembro de 1994. 



O episódio Ice e "Conduit" foram lançados juntos em forma de VHS em 1996. Ice recebeu boas críticas que admiraram como o episódio é amarrado e eletrizante. A Entertainment Weekly classificou como um episódio classe A, assim como Keith Phipps, ele disse estar impressionado em como o elenco encarnou a paranoia da situação com realidade. Chegando até a dividir o casal de investigadores.



Alguns chegaram a comparar com o clima de paranoia e política de The Twilight Zone, pelo tom sério que o enredo era levado até o fim. É considerado pela crítica especializada como um dos mais influentes episódios já feitos pela série e que ele se situa sozinho como um episódio de referência para a primeira temporada da série. O diretor do episódio David Nutter fez um importante trabalho de direção junto ao elenco. 



A paranoia passada dentro de uma perspectiva filosófica de desconfiança geral, fez todos perceberem como o episódio é ressaltado quase como um filme, ele traz uma tensão contínua. Nutter disse que ele achou que ele recebeu um roteiro muito especial. Lidando com as emoções mais básicas em termos de instinto humano, como raiva, ignorância, medo e paranoia. O truque aqui foi realmente assustar a audiência com a possibilidade total de rompimento de uma forma de paz. 


Vale lembrar que a série também está sendo exibida atualmente pela Rede Brasil, sexta-feira, ás 23:00. Até a próxima!


Comentários

  1. Muito boa explanação. Esse , realmente é um dos nelhores de todos os tempos.

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