A Viúva Porcina (Regina Duarte) não é só uma anti‑heroína oportunista: ela é a figura‑chave para pensar uma espécie de “feminismo conservador/de direita” que Dias Gomes deixou em suspenso na novela obra que foi censurada e concluída por sua esposa, Janete Clair, após sua morte. Novela dos anos de 1985. Está sendo reprisada pela Globo atualmente na sessão do "Vale a pena ver de novo".
Em primeiro lugar, sei que existe a figura da mulher forte também na esquerda, Dilma, Simone Tebet, Katia Abreu, a Luiza Trajano, Marina Silva. Mas temos que observar a ascensão de certo conservadorismo, que nega direitos feminimos em prol de imitar o personalismo ao estilo coronealista dos homens. Esse tipo de poder duplo acaba seduzindo, você obtém direitos privados, e age contrs a sua classe (das mulheres).
A trajetória da Viúva Porcina funciona como alegoria para uma tensão presente também nas mulheres de direita que obtêm sucesso eleitoral hoje: elas emergem de um universo marcado pela misoginia popular, mas não se propõem a desmantelar essa ordem — pelo contrário, surfam sobre sua popularidade para ocupar o lugar de quem comanda, transformando a política em um jogo de cena e apropriação do poder.
Dias Gomes desenhou Porcina como viúva de um herói já morto antes do início da trama: ela é primeiro vítima de um mundo coronelista que reduz a mulher a complemento do homem ilustre. Mas, em vez de questionar essa lógica, ela adota‑a: se a sociedade valoriza quem domina, quem controla o mito e a voz pública, ela decide ser a dominadora. É exatamente o que Paulo Freire chamou de o sonho do oprimido: o desejo de se tornar o opressor, e não de acabar com a opressão.
A Regina Duarte já carregava a imagem da “namoradinha da Globo”, símbolo da mulher popular e tradicional, antes de interpretar Porcina.
Alguns fatores ajudam a entender esse argumento. Primeiro, a personagem se apresenta como viúva de Roque Santeiro o “herói mártir” que morre antes do início da trama (tomada com toque machadiano: o herói é já só um mito, não uma pessoa presente).
Porcina é uma viúva‑herdeira agro, ligada ao poder de Sinhozinho Malta (o coronel mandão da região), mas não se casa com a “mocinha meiguinha” (a noiva original de Roque, Mocinha) — ela se torna a mulher que se apropria do mito do herói para ganhar poder próprio, dentro das regras do mundo conservador local .
Aqui vem o ponto‑chave: não é um feminismo de ruptura com a ordem, mas de apropriação do poder conservador uma “empoderamento de direita”, que mistura defesa de espaço feminino com valores de ordem, propriedade e prestígio tradicional. Na ditadura, houve uma reforma civil de permitir divórcio que parte da classe mais conservadora torceu os olhos. De olho nessa snovas pautas morais em ascensão, o personagem é uma caricatura de falar de empoderamento atráves dos meios conservadores da sociedade.
A contradição, por exemplo, de hoje em dia, quando tem deputada da direita que se elege dizendo que quer acabar com o voto feminino. É essa a inversão que falo. Usar de uma forma de poder patriarcal para ter o poder similar a de um homem, através da ótica dos homens. Isso que o complexo de viúva Porcina aborda.
O senhorzinho Malta, eterno apaixonado e que faz suas vontades representa a classe do homem do agro negócio que negocia cego com a alta burguesia e se adapta aos seus costumes mais devassos.
A música Dona do Roupa Nova é a linda música que fala de poder feminino e que toca nessa novela que foi censurada uma vez emnplena ditadura e depois voltou com um texto mais enxuto. Regina Duarte, a viúva Porcina foi até mesmo Ministra da Cultura do ex Presidente Bolsonaro. Provando o link ideológico, aqui Refins Duarte interpreta o personagem mais próximo de sua real ideologia. Diferente de suas mocinhas angelicais e tradicionais dos anos 1970.
Quando ela assumiu e falou do "pum do palhaço" perdeu o lugar na globo. Talvez porque a ala mais conservadora do bolsonarismo associasse Regina aos antigos projetos de independência femininos, como Malu Mulher, por exemplo. O que explica em si a contradição sobre o viés ideológico da Globo.
A novela também mostra a queda de valores dentro da própria direita: os poderosos usam a tradição só para lucrar, embaralhando ideais e interesses. Passam por cima de todos. Quando a equipe de cinema vem filmar uma epopeia aos moldes de Ulysses lembrando a figura mitológica de Rock Santeiro.
Porcina era a viúva ingrata, detentora de terras e tradições que gritava nas cores das suas roupas a "ideia fora do lugar" da elite brasileira. A ideia do brega, da cor, de chamar a atenção. Uma nova moda que inspirou a população que consumia ávida as estórias de Senhorzinho Malta e de viúna Porcina.
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| Trilha-sonora (soundtrack) da novela e suas músicas muito conhecidas por todos. |





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