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10 produtos culturais de fora que se tornaram paixão nacional

 


Não importa de onde vieram: essas obras deixaram de ser apenas "estrangeiras" para se tornar parte da nossa memória, do nosso humor e da nossa identidade. Séries, novelas e bandas que são os favoritos da maioria dos brasileiros. Confira a lista dos maiores soft powers dos estrangeiros em relação ao Brasil. 

 


Há criações que nascem do outro lado do mundo, mas parecem feitas especialmente para nós. O Brasil tem um dom único de acolher histórias, sabores e estilos de fora  adaptando, recontando e abraçando até que deixem de ser "estrangeiros" para se tornarem parte da nossa rotina diária e da nossa memória afetiva mesmo. Alguns atorez americanos são mais famosos no Brasil que nos Eatados Unidos por isso. 


Estes são alguns desses produtos que cruzaram fronteiras e conquistaram definitivamente o coração nacional. Essa lista poderia ser de 20, de 50... O brasileiro é fã fácil, mas alguns produtos influenciaram mais que outros. 


Vamos á lista:


1. O Chaves e O Chapolin Colorado (1970, México)



Sim, Chaves (Chesperito) pode nem ser tão conhecido para a nova geração dos mexicanos. Mas durante a época das ditaduras militar, todos na América Latina conheciam o humor sobre o menino orfão que morava na vila sem conhecer seus pais. 

Se os ingleses tem o Monty Python, os americanos Saturday Night Live, os mexicanos tiveram os quadros do Chesperito e do Chapolin.

O Chapolin Colorado estreou na televisão em 1º de setembro de 1970 como um quadro, tornando-se série sozinha em 28 de fevereiro de 1973 e encerrando em 26 de setembro de 1979.

Quem criou a série e atuou como Chaves e Chapolin foi o controverso Roberto Bolanos. Um desses raros exemplos de pessoa de direta que sem querer criou algo de esquerda. 


Já Chapolin veio quase de graça a primeira vez que o SBT comprou Chesperito. A estória do super heroi latino americano é 10 vezes mais politizado do que Chaves. 




Digo mais, Chiquinha, seu madruga, dona Florinda eram arquétipos politicos que condensavam o estilo de sociedade latina tão bem que de concordista passava a ser crítico. 

A simplicidade, o humor acessível e as confusões da vizinhança parecem feitos sob medida para o jeito brasileiro de ver a vida. Passam há décadas na TV aberta e unem gerações. Não vale a pena nem lembrar, o episódio em Acapuco, outro do festival da boa vizinhança. 




O episódio que Hector Bonilla (ator famoso de novelas) participa, as mulheres da vila ficam encantadas e repetem o enredo da novela dizendo: "Sim, eu te perdoo", o ator fica assustado e quando volta rápidoo na vila, apenas volta para dar uma bola ao Chaves.

 



São tantos episódios épicos e que conhecemos pelo trabalho da dublagem que regionalizou muitas piadas, como aquela do "era melhor ter ido ver o filme do pelé", como as piadas nos episódios que aparecia a escola e o professor Girafales. 

A série passou por mais de 40 anos nas tardes e manhãs da TV brasileira, atravessando gerações: avós, pais e filhos cresceram assistindo juntos. Virou parte da rotina, da infância e das lembranças afetivas do país. Não apenas no Brasil, mas na Venezuela também era febre porque o Kiko ao sair do programa foi fazer um programa parecido

2. Todo Mundo Odeia o Chris (Everybody Hates Chris) (EUA, 2005)




A luta para crescer, as confusões na escola e a dinâmica familiar soam incrivelmente familiares à realidade de milhões de brasileiros. Virou referência de identificação e humor.

​Essa série ela é o feijão e arroz no Brasil, ela é tão cultuada, conhecida, louvada, transformada em meme, que todos os atores ficaram famosos no Brasil. Passando por anos na Record e ainda mantém boa audiência. Recentemente, lançaram uma espécie de continuação em desenho. 


Tudo para suprir quase que exclusivamente o mercado consumidor brasileiro, que ama com intensidade essa série e a culta como um exemplo de "vida moderna na América". Inclusive, há um episódio imaginando Bed-Stuy onde o Chris vive como um bairro porto riquenho absolutamente igual, mas falando em espanhol. 




Algo diferente do riot que essa série levemente inspirada em Everybody Loves Raymond fez foi trazer não mais apenas a elite negra para o gosto popular do brasileiro, e fala dos problemas de uma família negra e de classe média americana, que foge da curva um pouco por certo moralismo religioso e dos hábitos e por isso mesmo, não possuem muito ajuda do governo, por não preencher o "arquétipo de quem precisa", que tem uma família sem estrutura.


 A piada é que se você mesmo pobre reproduzir um comportamento moral acima da média, podem querer dizer que você não precisa de ajuda. É uma piada interna contra o preconceito até mesmo visto na esquerda, na personagem da senhora Morello. 


 Chris e sua mãe viraram uma espécie de modelo ao Brasil, ilustrando muitos paralelos de educação e no consumo de produtos como vídeogames. 


Também aos brasileiros é normal a ideia de consumir uma tecnologia depois de todos já terem contato com ela antes, no exemplo da série era o atari e o fliperama, mas nos anos 1990, quem tinha mega drive no Brasil eram poucos. Essas tecnologias chegaram nos anos 2000 no Brasil junto com séries como essa. 


 Essa série tem episódios memoraveis, como do salário mínimo, o episódio da lasanha, o episódio sobre o "João e Maria" instituto difícil de entrar da elite negra que a família de Chris não consegue entrar. 


O outro episódio onde Chris e o irmão se perdem em Coney Island, outro episódio sobre eleição do grêmio eatudantil onde Chris é eleito presidente. O episódio da campanha do Johnson, cara democrata que a mãe do Chria quer eleger, mas que o pai do Chris odeia. 


O ator que fez o Chris Rock pede até hoje pros brasileiros deixarem ele em paz. O comediante Chris Rock foi aquele que levou um tapa do Will Smith (de Um Maluco no Pedaço) no Oscar e que foi recebido pelo Papa Francisco em um encontro com 100 humoristas humanistas que ele fez. 


O próprio Chris Rock participa da série como o "orientador" de Chris. 


3. Um Maluco no Pedaço (The Fresh Prince of Bel-Air) (EUA, 1990): 




O clash perfeito da midia judáica que fez Friends da NBC, cruzando o caminho com a midia em ascensão do rap dos anos 1990, menos social e mais ligado em brincadeiras de ritmo, patrocinadores. Enfim, a propria descrição da elite negra. Tio Phil era advogado de Harvard, tia Vivian, uma dama que sabia tudo de história, e depois a atriz da tia foi trocada por brigas com Will Smith. 


A série além do Will, tinha diversos atores clássicos. Trump chegou aparecer em um dos episódios. Seria essa série o primeiro passo de Will Smith ao estrelato.


 A Casa usada em Bel Air era real e a série contou com várias participações.  Entre os episódios clássicos, está o que Carlton é preso por dirigir um carro que não era seu e tenta se convencer que isso nãp ocorreu por ele ser negro. Outro episódio clássico 

Fala de pertencimento, alegria e os laços que unem uma família valores que combinam perfeitamente com a nossa cultura acolhedora e animada.

4. Eu, a Patroa e as Crianças (My Wife and Kids). (EUA, 2000) : 




Os irmãos Wayne são os dominadores dessa técnica de viralizar no Brasil. Não apenas cok as branquelas, essa aqui é a escola parecisa com a de Will Smith, Bill Cosby, humor de arquétipo parecido com o humor da classe média judaica, quase o mesmo nicho. 


Essa série quass edesconhecida no mundo e nos Estados Unidos passoi por anos no SBT com um nome mais abrasileira Eu, a Patroa e as Crianças soa como se a mulher fosse a chefe da casa.


 A série é sobre uma família que ascendeu com uma empresa de entrega de caminhões do pai e que agora vê a volta ao mercado de trabalho da esposa Jay, algo que Michael (Damon Wayne), o o marido careca e fanfarrão não quer. 


Inclusive essa serie tem um episódio onde os  dois tentam aprender a sambar, o professor achou que Jay era brasileira, e em resposta, Michael achou uma professora, aí quem interpreta a brasileira é a Sofia Vergara, uma atriz colombiana que fez Modern Family depois. 




Essa serie tem muitas curiosidades. O ator do junior interpretava um garoto "burro" mas geek, hoje em dia não atua mais e é professor universitário. A atriz da Jay fez Todo Mundo Odeia o Chris como a mãe de uma namorada do Chriz, também por ser amiga de infância da Tichina Arnold (a mãe do Chris). Esses dias o ator do sogro do Junior, o Carl apareceu na minha cidade, em Niterói. 


Todos foram tirar foto com ele. Recentemente, a série foi exibida de novo pela Record que queria algo mais classe média pra competir o "trabalhismo" de Todo Mundo Odeia o Chris que o canal apenas passa ainda porque dá muita audiência. 




5. As Branquelas (The White Chicks) (EUA, 2004):  



Ah, mais uma vez esse filme. É um filme que parodia comédias chicklits de garotas brancas e ricas americanas de uma maneira que criou um culto, um aniverso a parte. Muitos acreditam ser uma sátira sobre hollywood complexa, que satiriza Leonardo Dicaprio, Diddy, as festas de Hollywood, a cultura de namoros dos atletas e celebridades. Sendo uma sátira sobre filmes como Patricinhas de Beverly Hills


O filme é até inteligente, as vilãs hegemônicas são gêmeas que querem disfarçar que o dinheiro da família acabou enquanto FBI arruma disfarces surreais para se infiltrar nesse mundo patricinhas loiras de vitrine e começa a ensinar truques para vencer essas garotas más com o estilo das ruas dos irmãos Wayne. 


 Aliás, vale pensar que o filme tem o mesmo diretor de Todo mundo em Pânico, mostra que ele estava já dentro desse universo das paródias. Não é só o meme novo do Vini Jr. O filme já entrou no imaginário dos brasileiros de uma tal forma que é estranho ainda não ter uma continuação feita apenas pra brasileiros. Ia vender como água aqui. 


O ator Terry Crews que também fez Todo Mundo Odeia o Chris como o pai de Chris, e várias vezes veio ao Brasil, também foi eleito a pessoa menos odiada do planeta terra. 


A comédia leve, as situações absurdas e a graça de não levar tudo tão a sério tocam diretamente no gosto do povo brasileiro por rir sem complicações.

6. Arquivo X (X Files). (EUA, 1993):




​O Brasil é a terra dos casos de ovnis famosos. O ET de varginha, o caso dos irmãos Nave. Aqui há certa tradição disso e realmente Arquivo X foi reexibido no Brasil bem na época do último governo e gerou muitos comentários e polêmicas pela atualidade de alguns episódios e o carácter pesado e de envelhecer mal de outros. 


Uma série que muitos episódios envelheceram como vinho, alguns nem tanto, como o episódio das crianças do mau. Aqui no blog, tem uma sessão inteira de análises de arquivo x. Uma série muito mais política e antenada do que aparentava. Apesar de sua temática aparentemente sobrenatural. 


7. Dragon Ball (Japão, 1984).




Chegou na hora certa e formou gerações. A amizade, a luta para evoluir e a energia das histórias parecem feitas para o público que ama intensamente. Criado pelo mangaká japonês Akira Toriyama, é altamente cultuado no Brasil e no mundo. Com razão, ele escreveu com Goku as agruras e desafios da geração no Brasil passava pela hiperinflação e final da ditadura militar.


 No Japão, situação um pouco parecida. Goku surgiu como um heroi em comum lendário. A franquia acompanhia Goku e seus descendentes. A saga do pequeno Goku lembra a de Jesus Cristo, Buda ou qualquer grande heroi. O garoto predestinado alienígena salva a terra quando a sua missão era destruí-la. 


O humor politicamente incorreto criou um coming of age (animes que acompanha uma trajetória de crescimento dos personagens ao longo dos anos),  A franquia Dragon Ball foi exibida no Brasil principalmente pela televisão aberta no SBT, Rede Bandeirantes e Rede Brasil, 

8. Rebelde (México, 2004): 



A trama acompanha seis adolescentes no Elite Way School, um colégio interno de elite. Enfrentando regras opressoras, problemas familiares e choque de classes sociais, eles deixam as diferenças de lado e encontram na música uma forma de expressão, formando uma banda secreta.


Existem três versões principais da história, baseadas no sucesso argentino Rebelde Way. A serie mexicana quebrou fronteiras e certamente ensinou muito espanhol para os brasileiros que cultuam a banda até hoje. Muitas músicas marcaram a adolescência de muitos. 

Miguel, Mia, Roberta e Diego, juntos com Giovanni (Jonhny) e Lupita fizeram muitos brasileiros chorar e até já tiraram foto com Lula muitos anos atrás. 


O SBT recentemente reexibiu a série, com os novos direitos de transmissão compartilhados agora com a rival do SBT, globo, no streaming na Globoplay. Recentemente houve uma turnê mundial com a volta do grupo. 


9. Friends (1994)




Mostra que família também é quem a gente escolhe para estar ao lado  e essa ligação entre amigos é algo que vivemos com muita força por aqui.

 Em 1994, o Brasil passava por um mudança econômia e o Plano Real fez muitos brasileiros entrarem na classe média, e com o tempo, consumir programas "easy going" de humor leve e familiar como Friends. 

Era como se eles tivessem pegado a cozinha de Seinfeld e recheado com atores mais bonitos para fazer uma série escrita por um casal que todos já sabiam que se tornaria a série número 1 depois. 


 Apesar disso, hoje há revisionismo e questionamento sobre muito da estória de Friends, além de outras polêmicas sobre a série que durou 10 anos.  Um caso especial, já que a exibição em TV aberta no Brasil não fez a série famosa. Um dos primeiros casos de série vista em DVD e canais á cabo. 

10. Super Choque (Static Shock) (EUA, 2000) 




Além da ação, falava de preconceito, cidadania e responsabilidade. Foi um desenho que divertiu e educou, marcando profundamente quem assistiu à TV aberta. Ensinava fundamentos da física para as crianças

A aplicação na física: Em certo episódio, Virgil resolve usar um raio diretamente no vilão (o que gastaria muita energia ou poderia ser desviado), ele dispara a descarga elétrica diretamente na água poluída do chão do esgoto. 


A corrente se espalha instantaneamente por toda a superfície líquida devido aos eletrólitos, eletrocutando ou imobilizando múltiplos inimigos de uma vez só, ou seja, ao vilão atrair ele para um parque com floresta, achou que havia se livrado do poder condutor de Virgil e ele tirou os dutos de esgoto para provar ele errado. 


Virgil é um superheroi que estuda em Dakota City e que tem um melhor amigo com um pai racista. O pai de Virgil dirige um centro comunitário e quer que o filho seja um bom garoto apesar do que ele vê todo o dia. 


É meu superheroi favorito esse Virgil e de muitos brasileiros. A morte do criador da ideia fez com que o desenho não tivesse continuidade. Teve até uma notícia da produção de um filme, mas nada concreto até agora. 



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