Carlota Joaquina (1995): A História da fuga da monarquia Portuguesa pro Brasil e da ganância de uma princesa espanhola nos trópicos
Carlota Joaquina - Princesa do Brazil (1995), dirigido por Carla Camurati, é uma comédia que narra a fuga da família real portuguesa ao Brasil, e a trajetória da infanta espanhola. O filme retrata sua vinda forçada ao Brasil em 1808, abordando sua ganância, a resistência silenciosa de Dom João VI e todas as mudanças ocorridas no Rio de Janeiro com a chegada de toda nobreza portuguesa aos trópicos. Marieta Severo, Marco Nanini, Ludmila Dayer, Ney Latorraca, Antonio Abujamra, Maria Fernanda.
Eu adoro esses filmes históricos, ao estilo "telecurso", que ensinam aqueles casos de história não muito comentados. Esse filme me lembra em produção e didática de outro ótimo filme histórico no Rio de Janeiro do século XIX, o filme O Xango de Baker Street.
Elenco com Marieta Severo e Marco Nanini, é a "grande família" monarquista, já que os dois foram por anos o anos Dona Nenê e Lineu no seriado A Grande Família, e aí os dois interpretam o casal real.
Carlota era uma das princesas mais controversas de todos os tempos. Fazia o que queria e era pintada como "bruxa" e "mandona". Odiava viver no Brasil e não escondia isso. Dizendo que não queria levar nem a terra no sapato de volta.
O filme começa com a cena épica da fuga da monarquia no porto, baús, joias, livros caros, tuso empacotado a toque se caixa. Mostra os portugueses chocados ao perceber que toda a elite do país abandonara o país e ia para a mais próspera colônia para fugir de Napoleão.
E levaram toda a riqueza de Portugal com ele. O que explica o explica o ressentimento português contra nós, os brasileiros, os chamados "zucas" em Portugal. E esse preconceiro já estava lá noa liberais de Porto.
Então, foi isso que aconteceu com o Brasil em 1808 graças a Napoleão Bonaparte e ao bloqueio continental que fez com as nações "amigas da Inglaterra" . Depois da rainha ser considerada louca, Dom João é coroado rei de Portugal, Brasil e Algarve, isso em 1818 e no Rio de Janeiro. Carlota passa a conspirar contra o marido e a deixar ele atento para suas tramoias.
Assim que o Rio de Janeiro ganhou alguma ares e investimentos de capital colonial no mundo inteiro não possui. Houve a criação do Banco do Brasil, Imprensa Régia, Biblioteca Nacional, Jardim Botânico, o Gabinete de leitura português (que é monumental até hoje).
Claro que depois, eles levaram boa parte do que eles carregaram, até mesmo dinheiro dos bancos públicos. Mas o país sobreviveu ao processo eterno de crise portuguesa. A monarquia em portugal também não durou muito, acabando em 1910, quase 90 anos depois da independência do Brasil, que ocorreu oficialmente em 1822.
Sobre o filme:
A diretora desse filme é a Carla Camurati (diretora aqui, mas que foi atriz no filme da Pagu, também já feito aqui no blog). O filme foi feito na esteira e influência do projeto Brasil 500 anos.
O filme começa lá na Escócia, onde Yolanda escuta a história da infanta espanhola Carlota Joaquina de Bourbon, e sobre a fuga da monarquia portuguesa, e a elevação do Brasil a Reino, de colônia do império ultramarino português, a reino unido com Portugal.
A morte do rei D. José I de Bragança, em 1777, e a declaração de insanidade da rainha mãe, a Dona Maria I, em 1792 levaram o filho, o então príncipe D. João VI e sua esposa, Carlota Joaquina, ao trono real português. O filme coloca vários amantes dela e mostra como a relação dela e de Dom João VI era ruim.
Em 1807, para escapar das tropas napoleônicas que invadiam Portugal, o casal e a toda a corte transferem-se às pressas para o Rio de Janeiro, onde a família real e grande parte da nobreza portuguesa vive exilada por 14 anos.
Um detalhe importante é que quando a jobreza chega, chega expulsando os brasileiros de suas casas e marcando com um "x" as casas que iam ser usadas agora pela nobreza portuguesa.
Nesse filme, ela aborda muita coisa sobre as lendas e rumores. É verdade que Carlota tentou sim tomar posse da parte espanhola do continente. Na sua cabeça, aquilo pertencia a sua família e casa.
E a família real e os nobres tiveram piolho, rasparam a cabeça, colocaram turbantes, quando chegaram aqui, o povo local achou que era moda e passou a raspar a cabeca e a usar turbantes pra esconder o cabelo. As pessoas acharam que era a "última moda da Europa".
Outra loucura foi que quem possuia as melhores casas foram automaticamente expulsos de suas casas para dar lugar aos nobres portugueses. No primeiro processo de gentrificação que a capital fluminense já viu.
Com esse filme o que é debatido, é se seria um "fim" das produções nacionais, após o fim da Embrafilmes, sinalizava um tempo de produções menos ideológicas ou artística, mas que fossem mais direcionadas ao mercado interno, explicação de história do Brasil pra todos (função educacional).
O filme aborda como que Carlota era adúltera e como Dom João e ela viviam em pé de guerra, com ele tentando impedir seus ímpetos. Então, seu filho mais preconceituoso, é o filho que provavelmente era filho.de brasileiro e não do próprio rei, essa é a maior ironia de todos, se pensarmos enquanto fofoca histórica.
Sobre a história factual e a sátira:
Então os ingleses protegeram seus melhores aliados e apenas sobreviveram ao bloqueio continental pro apoio de Portugal-Brasil. Eram os aliados que eles sabiam que tinham que manter. Então o capitão Lorde Thomas Cochrane e outros foram contratados para fazer a segurança da família real portuguesa.
A atuação do Marco Nanini estabelendo ele como alguém bobo, mas não exatamente mau encaixa em muito com os relatos históricos.
Já a princesa da espanha, Carlota (Carlota Joaquina Teresa Cayetana de Bourbon e Bourbon) era da monarquia espanhola e teve que se casar aos 13 anos com Dom João, o futuro rei. Isso antes da mortw da rainha louca (Dona Maria). Ela entrou pra nossa hiatória como odiosa, controladora, adúltera e gananciosa. Mas vamos entender o lado da princesa.
Foi Dom Miguel, favorito da mãe que liderou a facção revoltosa de Portugal. Sim, o movimento conservador moderno português nasceu de um governante que pode muito bem não ser filho de Dom João. Afinal, Carlota pulava a cerca com frequência.
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| Dom João IV e seu hábito de comer frango, fazia isso o tempo todo. |
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| Retrato real da infanta Carlota Joaquina |









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