A relação entre o cinema brasileiro e a indústria hollywoodiana nunca foi exatamente harmoniosa. Quando o Brasil aparece com força em festivais, premiações ou performances marcantes, não é raro surgir uma reação defensiva às vezes explícita, às vezes disfarçada de “piada” ou bastidor inocente. Uma matéria que relembra de polêmicas e injustiças que a indústria nacional.
Vale lembrar que esses atores são às vezes tão grandes que é impossível deixar eles chateados com alguma coisa ou implicância. Acho que por isso essa tentativa de "capturar" e classificar esses atores, como se a indústria americana tivesse medo real dos talentos antigos da televisão brasileira.
Desde Orfeu Negro que ganhou o Oscar para um diretor francês sobre uma temática que era original escrita por Vinicius de Morais. Ou seja, nosso primeiro Oscar tem o gosto amargo de apropriação cultural.
Um dos episódios mais lembrados é a polêmica do Oscar envolvendo Fernanda Montenegro e Gwyneth Paltrow. Vale lembrar que um dos denunciados pelo movimento "me too" Harvey Weinstein além de ter feito o lobby pra Fernanda Montenegro perder, comprou os direitos de exibição internacional do filme "O Que é Isso, Companheiro", fazendo controle par pouca divulgação e alcance do filme.
Apesar da atuação histórica de Montenegro em *Central do Brasil*, a estatueta ficou com Paltrow. Até hoje, críticos e cinéfilos veem o caso como símbolo de uma Academia pouco aberta a reconhecer atuações estrangeiras fora do eixo anglófono, especialmente quando não se trata de um “filme internacional” isolado, mas de uma atriz disputando em pé de igualdade.
Anos depois, o padrão parece se repetir com Fernanda Torres. Sua campanha internacional foi acompanhada por uma onda de desqualificação sutil questionamentos sobre “relevância”, alcance de público e até tentativas de minimizar sua carreira.
A derrota nas categorias de Melhor Filme e Melhor Atriz reacendeu o debate: para muitos brasileiros, o Oscar aceita o país apenas dentro da “caixinha” de Melhor Filme Estrangeiro, como se esse fosse o único espaço legítimo possível. A piada recorrente após prêmios da crítica de que “Melhor Filme” é só o Oscar que o Brasil pode ganhar — revela mais sobre a limitação da indústria do que sobre o cinema nacional.
Essa tensão também aparece nos bastidores. Selton Mello já contou, com ironia, o episódio em que teria “entrado no trailer errado” em uma produção internacional e sido advertido por isso algo impensável no Brasil, onde hierarquias existem, mas não esse grau de segregação simbólica.
No remake de Anaconda, sua participação foi elogiada como uma das melhores em cena; ainda assim, seu personagem é eliminado cedo, enfraquecendo o filme mesmo com nomes como Ice Cube e Jennifer Lopez no elenco. Para muitos, não foi só uma decisão de roteiro, mas um reflexo de como atores estrangeiros, especialmente latino-americanos, são frequentemente subutilizados.
No fundo, a reação hostil ou condescendente ao cinema brasileiro revela um incômodo: quando o Brasil compete fora do “exótico”, fora do rótulo de cinema periférico, ele ameaça uma hierarquia histórica. E é justamente aí que surgem a resistência, a piada e a tentativa de deslegitimar.
O fato contado sobre Selton Mello de ter "entrado no trailer errado" e ser meio advertido por isso, enquanto ele conta que no Brasil já nem tem isso. O filme dele como previsto, ela era o melhor em cena nesse remake de Anaconda, mas foi morto logo, estragando o filme. Mesmo com presença final de Ice Cuba e Jennifer Lopez.
A relação entre o cinema brasileiro e a indústria hollywoodiana nunca foi exatamente harmoniosa. Quando o Brasil aparece com força em festivais, premiações ou performances marcantes, não é raro surgir uma reação defensiva às vezes explícita, às vezes disfarçada de “piada” ou bastidor inocente.
Um dos episódios mais lembrados é a polêmica do Oscar envolvendo Fernanda Montenegro e Gwyneth Paltrow. Apesar da atuação histórica de Montenegro em Central do Brasil, a estatueta ficou com Paltrow. Até hoje, críticos e cinéfilos veem o caso como símbolo de uma Academia pouco aberta a reconhecer atuações estrangeiras fora do eixo anglófono, especialmente quando não se trata de um “filme internacional” isolado, mas de uma atriz disputando em pé de igualdade.
Anos depois, o padrão parece se repetir com Fernanda Torres. Sua campanha internacional foi acompanhada por uma onda de desqualificação sutil questionamentos sobre “relevância”, alcance de público e até tentativas de minimizar sua carreira. A derrota nas categorias de Melhor Filme e Melhor Atriz reacendeu o debate: para muitos brasileiros, o Oscar aceita o país apenas dentro da “caixinha” de Melhor Filme Estrangeiro, como se esse fosse o único espaço legítimo possível.
A piada recorrente após prêmios da crítica de que “Melhor Filme” é só o Oscar que o Brasil pode ganhar revela mais sobre a limitação da indústria do que sobre o cinema nacional.
Essa tensão também aparece nos bastidores. Selton Mello já contou, com ironia, o episódio em que teria “entrado no trailer errado” em uma produção internacional e sido advertido por isso algo impensável no Brasil, onde hierarquias existem, mas não esse grau de segregação simbólica. No remake de Anaconda, sua participação foi elogiada como uma das melhores em cena; ainda assim, seu personagem é eliminado cedo, enfraquecendo o filme mesmo com nomes como Ice Cube e Jennifer Lopez no elenco. Para muitos, não foi só uma decisão de roteiro, mas um reflexo de como atores estrangeiros, especialmente latino-americanos, são frequentemente subutilizados.
No fundo, a reação hostil ou condescendente ao cinema brasileiro revela um incômodo: quando o Brasil compete fora do “exótico”, fora do rótulo de cinema periférico, ele ameaça uma hierarquia histórica. E é justamente aí que surgem a resistência, a piada e a tentativa de deslegitimação.
dois anos vimos o primeiro Oscar diretamente brasileiro (pra uma obra em português) para Ainda Estou Aqui (I'm Still Here) ganhando o Oscar que segundo Wagner Moura e Kléber Mendonça, já é como ganhar a categoria principal. Isso acontece não apenas pela qualidade imensa escondida do cinema brasileiro, mas pela queda considerável da indústria de cinema americana.
Além de vencer em Internacional, I’m Still Here foi indicado também a Melhor Filme e Melhor Atriz para Fernanda Torres. Ainda Estou Aqui também ganhou Melhor Roteiro no Festival de Veneza (2024) e Fernanda Torres ganhou o Globo de Ouro, algo que nem sua mãe conseguiu, mesmo maestrando atuação muito mais do que uma Mary Streep. Além de ganhar o Prêmio Virtuoso em Santa Bárbara e Prêmio do Público no Festival de Rotterdam.
Agora, o filme mais cotado é o filme O Agente Secreto, que ainda bebe muito da fonte daquela ideia do Fernando Morais: "Os Últimos Soldados da Guerra Fria". O filme ganhou elogios por sua diversidade temática e imersão, que lembrava ás vezes os antigos grandes filmes americanos que já não se fazem mais.
Apesar de Hollywood marcar mais que um lugar de cinema, marcava uma época e um estilo inconfundíveis. Se pensarmos, o cinema americano perde apenas para o cinema russo ou japonês historicamente falando.
Mas o cinema brasileiro sempre teve suas pérolas escondidas, tradições subterrâneas, ou da estética da fome, ou diretamente da chamada boca de lixo que marcaram a estética brasileira.
É claro que começa a haver conflito quando o cinema americano para de credenciar nas premiações dos festivais de cinema e perder engajamento e público. A ascensão de mercados de cinema do sul do mundo como o cinema coreano, chinês e até indiano, produziram obras que são famosas em sua região, se pagam e são reverenciadas por toda uma população, já o cinema coreano ganhou muito espaço depois de O Parasita.


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