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Retrospectiva de Livros de 2025: Lista de Livros que li no Ano



Leituras do ano: Foram 14 no total (contando apenas os livros que terminei). Alguns livros eu li de novo, como A Ilha Perdida, ou O paradoxo do Comediante. O ano de 2025 viu algumas modas passageiras mas insistentes, teve o encontro de Lula e Trump, e a prisão de Bolsonaro por crime de golpe de Estado (algo que nunca tinha acontecido no nosso país). 



O mundo passou por mudanças extremas, protestos estudantis e deposição de regimes em diversos locais, de Bangladesh ao Nepal, protestos nos EUA , facções jovens se rebelaram e tomaram o poder. 

Já no Brasil, 53% da população adulta não leu nem um trecho de um livro nesse ano. Apenas 16% consomem literatura de forma corrente e desse percentual, 27% apenas terminou o livro até o fim. A média foi de apenas 3,9 livros por ano para o brasileiro médio. 


 Ja as leituras deste ano tiveram um pé extra na aventura fantástica e no político histórico, atravessaram tempos, gêneros e tradições (uma verdadeira miscelânia que curto muito, compondo um percurso que vai da memória pessoal à reflexão política, do épico clássico à literatura brasileira em suas múltiplas faces. 


Ainda Estou Aqui, de Marcelo Rubens Paiva, lido entre o fim de um ano e o início de outro, permanece como lembrança viva da ditadura e como semente da ideia que daria origem ao primeiro Oscar brasileiro, mostrando como a literatura continua a reverberar no presente. Aqui a leitura ficou como a leitura de Janeiro do ano passado. 


O ritmo dessa lista ficou um livro lido por mês, se parar pra pensar, nem é muito, mas dá pra comemorar e lembrar, porque vivemos em um pais onde não se lê muito, é sempre bom jogar a sua opinião no mundo, seja quem você for em prol da construção contínua do pensamento tanto hermenêutico quanto desenvolver o hábito de construções coletivas. 


Entre jornadas simbólicas, O Alquimista, de Paulo Coelho, propõe o encontro entre Oriente e Ocidente, reunindo referências religiosas e místicas numa narrativa sobre vocação e escuta. 


Já Guimarães Rosa, em A Hora e a Vez de Augusto Matraga conduz o leitor ao sertão brasileiro por meio de uma história trágica de queda e redenção, enquanto Jorge Amado, em Tieta do Agreste constrói um universo vasto e crítico sobre moralismo, hipocrisia e desenvolvimento nas pequenas cidades do país.


Os clássicos também marcaram presença: O Mágico de Oz revelou-se menos infantil do que parece, carregado de alegorias políticas; A Ilíada e A Odisseia, de Homero, reafirmaram sua força ao tratar de guerra, retorno e condição humana. 


No campo do pensamento, Literatura e Sociedade, de Antonio Candido, e Ciência e Política, de Max Weber, ofereceram ferramentas fundamentais para pensar a relação entre texto, história e responsabilidade intelectual, ambos renderam reflexões mais longas aqui no blog.


As releituras de Paradoxo sobre o Comediante, de Diderot, e A Ilha Perdida, de Maria José Dupré, trouxeram novos sentidos a textos já conhecidos, enquanto Helena, de Machado de Assis, confirmou como até seus romances iniciais já investigam com sutileza as tensões entre afeto, classe e moral. Um ano de leituras diversas, mas unidas pela mesma busca: compreender o mundo, suas narrativas e suas contradições.


A Lista de livros de 2025: 


Claro, organizei a lista como um texto de indicações gerais do ano, com descrições gerais, tom ensaístico e unidade — algo que pode ser usado tanto como retrospectiva pessoal quanto como base para blog. Tem livros pra todos os gostos nessa lista. 


Ainda Estou Aqui — Marcelo Rubens Paiva


Lido no fim do ano passado e concluído no início de 2026, este livro retorna aqui como memória e marco. A obra mistura relato íntimo e história recente do Brasil, reconstruindo o desaparecimento do pai do autor durante a ditadura militar. 


Tornou-se ainda mais simbólica por ter gestado a ideia que resultou no primeiro Oscar brasileiro de todos os tempos, mostrando como a literatura pode atravessar décadas e ganhar novas linguagens sem perder sua força política e afetiva.


O Alquimista — Paulo Coelho


O livro brasileiro mais traduzido de todos oa tempos. Uma narrativa de viagem e descoberta que se constrói como uma saga espiritual. O livro cruza Oriente e Ocidente, tradição cristã, islâmica e mística, falando de destinos individuais e dos “subterrâneos do mundo”  aqueles saberes ocultos que atravessam culturas. Mais do que um romance de formação, é um texto sobre escuta, sinais e a coragem de seguir uma vocação.

A Hora e a Vez de Augusto Matraga — Guimarães Rosa


Um texto ímpar dentro da obra de um autor que escreve o sertão com densidade ética e poética. Aqui, acompanhamos a trajetória trágica de Augusto Matraga, marcada por violência, queda e redenção. É uma viagem ao interior brasileiro que ultrapassa o regionalismo e se transforma em reflexão sobre culpa, fé e justiça. 


É interessante observar como o texto de Guimarães Rosa foi adaptado dependendo da época mas ainda ressalta a força do texto original, uma verdadeira jornads espiritual de auto conhecimento e retomada da própria vida. Em Guimarães Rosa o trauma ensina não apenas a sobreviver, mas a entender a dimensão de sua própria vids perante aos outros. 


Tieta do Agreste — Jorge Amado





Um romance monumental, que cria um verdadeiro universo em torno da fictícia Santana do Agreste. Jorge Amado articula desenvolvimentismo, moralismo e hipocrisia social em pequenas cidades brasileiras, dando vida a personagens complexos e contraditórios. Tieta é, ao mesmo tempo, figura de escândalo, vingança e libertação — e o livro prova a capacidade do autor de transformar crítica social em narrativa envolvente.


Literatura e Sociedade — Antonio Candido




Leitura fundamental para quem ama literatura e a estuda com profundidade. Candido articula de forma exemplar a relação entre formas literárias e processos históricos nacionais, diferenciando gêneros, contextos e funções sociais da arte. Um livro que ensina a ler não apenas textos, mas sistemas literários inteiros — e que rendeu uma resenha detalhada no blog.


O Mágico de Oz — L. Frank Baum


Clássico da literatura norte-americana do início do século XX, acompanha Dorothy em sua jornada até a Cidade das Esmeraldas. Embora frequentemente tratado como infantil, o livro possui uma política subterrânea rica em alegorias: poder, ilusão, autoridade e construção social da esperança. Uma leitura mais densa do que o imaginário popular costuma supor. Temos texto aqui do blog de análise do filme e do livro, mas não fui eu que fiz. Esse livro eu só vim a ler esse ano. 


A Ilíada e A Odisseia — Homero


As duas grandes epopeias fundadoras da literatura ocidental. Em A Ilíada, a guerra, a honra e a fúria; em A Odisseia, o retorno, a astúcia e a sobrevivência. Lidas hoje, revelam não apenas mitos antigos, mas estruturas narrativas e conflitos humanos que continuam a se repetir. Acabei fazendo um texto do filme Tróia com Brad Pitt que fala muito da historia do guerreiro Aquiles. 


Ciência e Política — Max Weber


Um texto essencial para compreender a ética da responsabilidade, o papel do intelectual e os limites entre ciência e ação política. Weber expõe tensões que permanecem atuais, especialmente em contextos de crise democrática. Também foi objeto de reflexão escrita mais extensa no blog.


Paradoxo sobre o Comediante — Denis Diderot (releitura). 

Um ensaio provocador sobre atuação, emoção e razão. Diderot desmonta a ideia romântica do ator dominado pelo sentimento e propõe o paradoxo: a grande arte nasce do controle, não do excesso emocional. A releitura reforça sua atualidade para pensar estética e representação. Nesse ano, que houve muito debate sobre o humor por conta da condenação de Leo Lins. 


A Ilha Perdida — Maria José Dupré (releitura). 


Livro marcante da literatura infantojuvenil brasileira, revisitado agora com outro olhar. A aventura e o senso de descoberta permanecem, mas surgem também temas como autonomia, amizade e sobrevivência fora das estruturas adultas.


Helena — Machado de Assis




Um romance da fase inicial de Machado, em que já se anunciam suas preocupações com classe social, herança, aparência e moral. A narrativa delicada esconde tensões profundas, especialmente na forma como o afeto é condicionado por convenções sociais. Também virou texto meu aqui do blog. 


Ensaios: que filosofar é aprender a morrer e outros ensaios. Michel de Montaigne.  


A matéria acabou sendo sobre um dos trechos mais conhecidos desse livro para a história. O elogio de Montaigne aos índios brasileiros e a criação do estilode de ensaio humanista.  


Montaigne escreveu muito e é uma ótima leitura para falar de ética nas relações da história. Ele era um apaixonado por latim e leu quase todos os clássicos. Foi o primeiro nobre de uma família que começou com vendedores de carne. 


Ele foi além de autor, uma espécie de prefeito local muito respeitado por todos e teve uma amizade especial com o Étienne de La Boétie, que fez ele escrever essa parte dos seus ensaios (como livros de cabeceira, diários dele) em homenagem ao amigo, com a parte "da amizade" dedicada a ele.


Os Sertões, Euclides da Cunha. 


Sobre a Guerra de Canudos, um conflito brasileiro que é de extrema dificuldade de compreensão e explicação. Por exemplo, Euclides fors censurado pelo exército mesmo escrevendo uma peça de louvor nacional ao elitismo republicano. Por outro lado, o misticismo e o messianismo ganhsvam contornos de fanatismo, mas que não justificava tanta repressão. 

Esse foi um livro de difícil leitura, mas a arrogância de Euclides me convenceu a ir até o final, mas não é tão maravilhoso de se ler como é Tieta. É um relato so estilo de diário que tenta roubar as técnicas de antropologia de "ir a campo", mas falha ao não entender que para ir a campo é preciso um relativismo no julgamento moral que Euclides não possuía.


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