O filme é sobre Jack Estripador e suas vítimas. Mas temos aqui diferentes teorias sobre quem serial o primeiro serial killer da história. Heather Grahan interpreta Mary Kelley, uma prostitua que sonha em largar o ofício, e Johnny Depp o inspetor Frederick Abberline do caso, viciado em ópio, sonhando com as pistas dos casos, ganhando certa má fama por seus métodos inconvencionais.
Gostei muito desse filme, eu vi ele a primeira vez com uns 18 anos na leva de pesquisas e filmes sobre o Jack Estripador (afinal, há tantas teorias sobre o primeiro serial killer da história), por isso que o filme ressalta, como uma adaptação do quadrinho From Hell do Alan Moore.
Revendo agora, lembrei muito de O Xangô de Baker Street (filmes praticamente do mesmo ano e tema). Ambos absurdamente na esteira de séries como CSI. Apesar do ator ser americano, a estória do filme em si é muito convincente para quem já leu e se interessou por esse tema. A teoria de Alan Moore é de uma conspiração de direita refinada que lembra os debates e questionamentos sobre as famílias reais e o que elas representam.
A ideia pesada do filme insinua que criaram um escândalo através de uma espécie de "limpeza urbana" para mandar uma mensagem para as prostitutas e definir a ideia de "risco social" e falta de proteção. É uma história que aborda a vulnerabilidade de mulheres e o começo da cultura de notícia e de denúncias em jornais. Vendia ao povo um medo do desconhecido.
A monarquia teria descoberto a ligação de Albert com uma prostituta que gerou uma filha. Eles são presos enquanto a filha é cuidada por outra prostituta.
O inspetor (Johnny Depp) é viciado em ópio e é conhecido por ser especialista forense. O filme tem a genialidade de comparar a violência contra as mulheres como uma coisa feita oficialmente e pelo Estado, sob os olhos de todos. Tem uma cena absurda onde se tortura na sociedade médica para fins científicos na academia real de ciências.
A ideia da evolução dos processos de cirurgia e de ciência fosense. Muitos acreditam que esse assassino se fosse apenas um, seria alguém com conhecimento sobre corpo humano, pela forma como foram retalhadas e esquartejadas. Além disso, elas podiam ser exploradas por cafetões e ser exposta a queima de arquivo.
Foram os primeiros casos da história, a contar com o registro fotográfico. Vendo a imagem do corpo da prostituta retralhada, o próprio funcionário do necrotério desmaiou. O assassino levou pelo menos um orgão da moça. Há piadas e clima leve. Apenas homens são investigadores nessa época. Ele diz que está esperando o relatório do médico legista.
O cara insiste que "um inglês não poderia fazer isso", ele continua: "deve ser um desses peles vermelhas", mostrando aqui o racismo da mentalidade desse senhor que fala com o inspetor.
O inspetor fala que sua teoria é que seria um médico ou pessoa com conhecimento na área. O cara diz que "quanto menos prostitutas nas ruas melhor". Esse era seu superior no caso, para você ter ideia.
A cena do enterro da prostituta mostra que as prostitutas acreditam que a própria polícia tem a ver com os assassinatos. Por isso não querem falar com o inspector.
As prostitutas acabam se unindo na crise como uma classe, e falam pra ficar longe da rua Nicholls. Elas são constantemente expulsas e subjugadas. Eram atraídas na estória do filme por uvas (algo de luxo na época).
Ele vai até a reunião dos cirugiões de alta classe que reclamam dos estrangeiros, "socialistas"e "orientais", diz o "melhor cirurgião" inglês da sala. Para o inspetor, o assassino era um deles, o que gera atrito no seu próprio meio.
Seria resultado de uma conspiração junto a seitas ocultas (maçonaria) e teria sido a mando de monarcas. Isso faz com que eu pense que há muito de dias atuais na crítica do filme. Se pensar bem, a monarquia britânica está acostumada a escândalos, então a teoria do filme se torna uma crítica ao autoritarismo inglês.
Lembrando aqui muito a ideia Doctor Jekyl. O filme reflete, era apenas o assassino, ou toda uma cultura de risco urbano e exploraçãos dos pobres em geral? O que gosto desse filme o seu carácter histórico, vindo de ser uma adaptação do grande Allan Moore ao cinema.
A moça que veio da Irlanda decide que quer testemunhar sobre o que ela sabe de toda a conspiração que ela sabia por causa de sua amiga. Um datalhe fascinante sobre importados e economia. O assassino atraía as prostitutas com uva (algo que ninguém tinha na Inglaterra nessa época).
O filme mostra pessoas sendo levada para a workhouse da época, uma espécie de hospício que obrigava as pessoas a trabalhar. Isso aqui é verdade.
O inspetor leva ela ao palácio e mostra a retrato da Rainha Vitória, e depois ele mostra príncipe Albert no retratado. É aquele grande momento do filme. O superior do inspector manda apagar a frase antisemita escrita na parede de uma das vítimas. O inspetor é destituído por estar perto de entender o nível do envolvimento de todos próximos. Ele lê sobre a história da maçonaria.
Ele comenta com o assassino, gargantas cortadas e que o que está em jogo é se livrar das "traidoras". Descobrindo que o príncipe tinha sífilis e que ia morrer disso. Ele tenta matar o homem por fim sabendo que ele nunca seria preso, já que nunca poderia prender ele. E sai atrás da "última traidora". Ele consegue se livrar das amarras na carroagem e ela vira com o impacto dele fugindo.
Porque alguém muito rico e provavelmente da família real se apaixonou e se casou em uma igreja católica, explicando o clima de paranoia que o filme aborda. Eles estavam atrás de uma criança que provavelmente estava na linha sucessória da monarquia, a moça irlandesa que conta isso ao inspetor e é chamada de rebelde irlandesa pelo superior do homem.
O assassino descreve o músculo do coração enquanto esquartejava a vítima. O inspetor consegue perceber que não foi Mary que foi morta e é notado por ele que recebe uma carta dizendo que ela buscou a filha da amiga e que ia tentar voltar pra sua vila na Irlanda, porque se fosse pra morrer seria melhor morrer ali.
A cena onde a rainha Vitória diz que não precisava disso tudo, querendo apenas acabar com uma ameaça a sua família. Mas que ele tinha ido longe demais na sua "tarefa". O fim do filme imagina Mary na Irlanda criando a filha do príncipe. E ele "vê isso" nas suas "visões" estimulada por ópio e laudâmio. Ele morre na sua última viagem (aparentemente) seu amigo coloca duas moedas nos seus olhos.
Descobrimos que era uma conspiração porque o Príncipe era o amante da prostituta e por isso que essas mulheres viraram alvo. A questão é como o filme inspirado na obra de Alan Moore, tratava de detalhes da própria investigação real. Reaalmente apagaram da parede uma mensagem antisemita no dia de um dos assassinatos, realmente alguns apontam que o assassino pra ter esquartejado precisava de algum conhecimento técnico.
O filme mostra o assassino como um ex cirurgião que fez um trabalho a mando da própria rainha Vitória, que chegou a reclamar da violência desproporciou. Mas o homem continuou matando mesmo para além das prostitutas, amigas das moças. O inspetor é afastadondo o caso e vemos o quanto o filme é esperto em questionar que era toda uma cultura pública e uma certa ordem social de ódio que permitia matar mulheres com naturalidade.








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