Quem é a Miss Dollar?Conto foi publicado em 1870 dentro do livro "Contos Fluminenses". É uma cadelinha da raça galga, personagem central do famoso conto homônimo de Machado de Assis. A fuga havia sido na noite do dia 30, seu nome foi escrito no jornal por causa de seu desaparecimento. Sua fuga e resgate são o motor da história, aproximando o jovem médico Mendonça que cuidou da cadela da viúva rica Margarida, a dona da cachorra.
Miss Dollar é um conto pequeno que abre o livro Contos Fluminenses, de 1870, um ano depois com o casamento com Carolina Augusta, a jovem viúva portuguesa que Machado de Assis se casou.
Machado não escreveu muito exatamente sobre si e o que temos somos essas amostras. Ele não revelou de si em seus grandes e épicos romances, esses lançavam o olhar para arquétipos distântes e é sobre arquétipos que estamos falando em "Miss Dollar", talvez, o mais biográfico de todos os seus trabalhos.
O conto apresenta Miss Dollar com proposital engano semiótico, descreve de maneira utópico a imaginação do arquétipo feminino pelo mundo, a mulher inglesa, mulher americana, ou brasileira rica.
A dama leria Tennyson e Lamartine no original e se deliciaria com Camões e Gonçalves Dias. Ou a americana gorda e fecunda e não leria Longfellow, mas ignorante dos livros. Tudo aqui é do reino do arquétipo, do que se imagina.
Mas aí ele avisa, vamos pensar que o leitor não tenhanos devaneios do escritor. Mas se for mais velho, vai escolher, a figura da inglesa velha, de uma "boa inglesa" com algumas mil libras estelinas.
A mulher britânica é descrita como uma inglesa pálida, delgada, de olhoz azuis, sem carnes e sem sangue, e que aos 50 anos decidi-se viajar so Brasil.
Mas aí ele corta o racicínio e de repente indaga, e se Miss Dollar for uma mulher rica? Não a literata, não a voluptuosa, não a inglesa... Um conto sobre mulheres escondido? Talvez, mas o erro que nos é informado ainda mais é que Miss Dollar é na verdade uma cadelinha da raça galga que ao sumir a dona mandou anunciar seu desaparecimento no Jornal do Comércio e no Correio Mercantil. O tom jocoso abre para dupla interpretação por ser uma comédia da vida privada.
O anúncio no jornal:
...Desencaminhou-se uma cadelinha galga nannoite de ontem, 30. Acode ao nome de Miss Dollar. Quem a achou e quiser levar á Rua Matacavalos, receberá duzentos mil réis de recompensa. Miss Dollar tem uma coleira ao pescoço fechada por um cadeado em que se lêem as sequintes palavras "De tout coer".
A viúva pode ser a miss dollar, é claro aue tem essa dimensão de tudo. Margarina teve um casamento ruim, mas diz para Mendonça que foi feliz. Ama a Mendonça, mas o renega por já ter sido cortejada e ter negado casamento. O motivo?
Acha que todos vão estar atrás de seu dinheiro. Ele manda uma carta, o amigo avisa para não tentar "se lançar a esse mar", ele declara Margarida perfeita, mas apenas com um defeito: seus pares de olhos verdes. Machado cita Golçalves Dias e associa a cor com a revolta do mar e das tempestade de que gostaria de fugir.
Mas não tem jeito e Mendonça de apaixona pela viúva fria e que passava os dias lendo e trancada no quarto. Ele manda uma carta, ela manda outra pedindo pra não escrever mais, ele escreve de novo, vai até seu quarto quando a cachorrinha pula no colo dele e ao ver ele, ela pede pra ele ir embora de uma vez. É a tia mais velha que vai a casa de Mendonça e conta pra ele que Margarina o amava em segredo e assim eles unem as casas e os cachorros.
Mas aqui não há o final feliz definitivo, já que ao sentir que ela estava "se casando obrigada", porque estavam falando por aí, ele fica revoltado e resolve se declarar amigo no leito nupcial e não ameaça de nada. Mas aos poucos os dois tornaram o casamento no papel realizado e foram felizes juntos e Miss Dollar? A pequena cachorrinha galga morrera em um acidente atropelada por um carro. Esse é o término da história.
Contexto e comparação entre realidade e ficção:
A minha teoria diz respeito achar que Machado era tão feliz com sua séria e intelectual esposa que ele não sentia sempre que tinha que escrever sobre eles. Mas quando ela morreu, lhe dedicou um tocante soneto.
Mas em Miss Dollar ele está sincero e abre o coração. A realidade é um pouco diferente, Machado se casou com Carolina sem aprovação da família dela, mas sim, ela tinha uma senhora mais velha que morava com ela como em Miss Dollar, chamada Rita de Cássia Rodrigues. No conto, é ela que conta a Mendonça que Margarina escreve que o ama em seu diário.
Comparando com Senhora, José de Alencar, vemos plots muito parecidos e uma crítica do amigo se Machado ao que podemos dizer que é a ele e sua história pessoal, uma certa acusação de oportunismo do autor de O Guarani que também tinha escrito "A viuvinha".
Em Senhora, há uma paridade com Jane Eyre ao refletir a estrutura do contrato na sociedade e a ideia do poder feminino que é forjado em mulheres que conseguiram "pensar como um homem" como é o caso da heroína de Senhora Aurélia Camargo, ela "compra" um marido para se fingar de uma rejeição de juventude por ele ter escolhido uma mulher mais rica para se casar e depois ao se casar com a mulher que amava, ela o recusa no leito de núpcias.
Dizendo que ela havia o comprado como se compra a um escravo e eles viram os maiores inimigos dentro de casa, até que depois de muito tempo, depois de um quase divórcio, eles se apaixonam dentro do casamento. Esse é considerado o maior romance urbano de José de Alencar e claro, podemos ver em Machado de Assis um pouco de Fernando Seixas ao se casar com uma amiga, claro que fizeram críticas e acusações sobre se ele teria amado ela ou não.
Em miss dollar há a mesma recusa besta, mas é transformado em uma forma de bobagem dramática onde nem os mais bobos romances estão libres de amarras do humor e da briga. Mas você vê, a mesma situação, para Machado, uma comédia de costumes de guerra entre casal, para José de Alencar, um tratado de economia e relações sentimentais.
Há uma tradução bilingue dessa obra recente. Miss Dollar: Stories by Machado de Assis —Bilingual Edition (English Edition).



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