O Fedro (Phaedrus) é um famoso diálogo escrito por Platão por volta de 370 a.C. A obra narra um encontro entre Sócrates e o jovem Fedro nos arredores de Atenas. Um livro que discute os limites da linguagem escrita e da arte do discurso retórico. Além de debater, beleza, verdade e o amor.
O livro tem um diálogo íntimo e cru, que começa discutindo o amor (Eros), o tema central evolui para a natureza da alma, da beleza, da retórica (a arte do discurso) e os limites da linguagem escrita e do convencimento oral dos sofistas.
Esse livro tem muito em comum em temas com O Banquete, onde Fedro também participa e o personagem dele representa a juventude. Trazendo o discurso de Lísias, algo superficial do amor, acontece que Sócrates conseguia ser mais avançado que isso e aprofunda a discussão sobre forma e conteúdo.
O que vemos na forma de diálogo moral e pessoal, um discurso sobre o amor. A conversa começa com Fedro recitando um texto do orador Lísias. O texto argumenta que é melhor se envolver amorosamente com quem não é apaixonado do que com quem ama, pois a paixão é vista como uma loucura destrutiva.
A ideia é mais direta, que é melhor dar para aquele que não quer ou não merece. Parecido com a parábola do filho pródigo. Sócrates elogia a forma do texto de Lísias, mas critica seu conteúdo. Em seguida, ele faz dois discursos próprios. No primeiro, ele concorda com Lísias.
No segundo, ele se retrata e defende que o amor erótico, quando bem direcionado, é uma forma de "loucura divina" que eleva a alma. Essa loucura divina seria um pouco aquilo que Freud chamaria de "libido", o desejo como propulsão dos sentidos do homem. Mas dá para entender a polêmica e extensão do que Sócrates pregava.
Aí vemos a chamada Alegoria da Carruagem, onde usa a famosa metáfora de uma carruagem alada puxada por dois cavalos. Um cavalo representa as paixões e os desejos mundanos (difícil de controlar). O cocheiro tenta guiar os dois rumo ao mundo inteligível (o mundo das Ideias perfeitas).
A Verdadeira Retórica: Sócrates defende que a verdadeira arte de discursar não deve servir para enganar ou manipular o público, como faziam os sofistas. Que precisava haver verdade e uma verdade que viria da alma, além da capacidade e da habilidade.
A obra de Platão mais marcante seria A República (com a alegoria da caverna), e o O Banquete retomando o tema da origem e o propósito do eros (amor), a ligação que teria entre a beleza e a virtude. Já em Fedro é mais sobre a "juventude" do amor e do movimento e da energia que há nele.
Através do mito egípcio do deus íbis (Teut), Platão lembra de que o homem que teria inventado a escrita, queria ela acessível para todos. Isso gera um debate interessante, a escrita serianuma droga, um "elixir" metodológico para lembrar de tudo com maior facilidade, mas causaria segundo o rei, o esquecimento pelo esforço.
O conhecimento verdadeiro e filosófico só pode ser alcançado através do diálogo vivo e da dialética. Por isso há uma dúvida sobre a escola dos sofistas, por se preocupar com a forma do conteúdo da retórica.
Na educação grega, tinha essa noção da paideia onde a "habilidade" não era apenas a ideia verdade em si, mas predispunha de uma alma acompanhada. O que mais me surpreendeu dessa leitura ou do estilo tão "progressista" de Sócrates é exatamente essa coragem de tocar em temas que poderia não ser exatamente da esfera da filosofia. Quando Sócrates sofreu, sofreu toda a sociedade grega com um intenso período de ditaduras que pós fim ao período clássico grego.
O livro e a Grécia Antiga descrevem bem a questão do amor entre homens, a homosexualidade como costume comum de iniciação dos jovens na academia com isso. Sócrates faz a defesa do amor erótico (o eros). Inclusive, Fedro é um "jovem bonito" no sentido bem grego da coisa, e existe algo de bonito nas verdades sobre a condição humana, essas é uma das lições marcantes desse livro.
Para explicar de novo a analogia é como se corpo humano fosse a carroagem, o homem a dirige, o pensamento são as rédeas, osp sentimentos são o cavalo. A alma no livro é comparada com uma carroagem dirigida por um cocheiro. É interessante pensar no simbolismo pesado e no debate da função da escrita e da memória.
Sócrates foi acusado de corromper a juventude, ignorar os deuses e costumes, e o seu julgamento posterior praticamente encerra o período clássico e abre um novo capítulo na história.
Há teorias de que porque pouco ele escreveu, devendendo talvez a ideia de não escrever, de movimento, de falar andando e de não memorizar fosse visto com um carismo magnético por causa disso. Mas vale pensar que a maior parte do que Sócrates pensava sabemos pela obra de Platão.





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