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6 regras do Português que todo mundo erra





As regras mais chatas podem nos ensinar uma coisa ou outra sobre o português formal, ajudando na redação e exercitando a nossa memória coletiva.  Confira 6 regras do português e que geram alguns dos erros mais comuns na nossa língua, nos usos tanto na escola e na internet. Quais são os erros mais comuns e que nós erramos sem nem perceber? 


Essas são as regras que acredito que são as mais básicas sobre o português. Algumas bem simples, algumas até parecem erradas, mas não são. Um guia definitido de certos truques para ter um "bom português", se você quiser isso, é claro. 

A verdade é que o nosso português é idioma capcioso e melindroso. Afinal de contas, o que erramos sem perceber do português em 6 casos clássicos. 



1) A regra do Mais vs. MAS: 


Pra mim, essa é talvez o erro mais fácil de evitar. Todas as outras são mais perdoáveis, mas essa aqui é clássica demais pra errar. Por isso o primeiro lugar. 

No francês, isso aqui é mil vezes pior, por ter que decorar o gênero das coisas e escolher. Exemplo: entre escolher ou Intéressant (masculino): usado para palavras masculinas. Intéressante (feminino): Usado para palavras femininas.

 
 "MAIS"  = A palavra "mais" atua frequentemente como um advérbio de intensidade (ou quantidade). (Pra traduzir isso, é "more" no inglês). 
 
 
- “Quero mais cultura.” (advérbio de quantidade)
- “É mais difícil do que parecia.” (advérbio de intensidade)
- “Ficou mais bonito com a revisão.”
 
 
Já o MAS  é uma CONJUNÇÃO coordenativa, dando uma ideia de oposição na construção da frase. 

Sempre que você puder trocar por PORÉM, TODAVIA ou CONTUDO, é MAS com S. (Na tradução pro inglês fica como o "but"). 

 
- "Eu queria sair, mas está chovendo muito."
- "O filme foi longo, mas muito interessante."
- "Ela estudou bastante, mas ficou nervosa na prova."


2)Os 4 sentidos diferentes, de POR QUE", "PORQUÊ", "PORQUE", "PORQUÊ" na língua. 


Essa é uma regra que eu entendo errar. Afinal, são 4 tipos! 

Faz até você invejar o inglês onde é apenas Why perguntando e Because respondendo.  

Essas são as regras dos porquês (pra você e eu ficarmos espertos). 


- A regra definitiva:


1. POR QUE (separado, sem acento): Usa-se em perguntas ou para substituir pelo qual, pela razão de.  “Por que ele foi?”, “A razão por que fui…”.
2. PORQUÊ (junto, com acento): É substantivo, significa o motivo, a razão. Vem geralmente depois de artigo (o porquê).  “Não entendi o porquê da confusão.”. (Onde pode ser substituído pela palavra "motivo" ou "razão"). 
3. PORQUE (junto, sem acento): É conjunção, significa pois, uma vez que, causa. Responde a pergunta.

"Não sei por que ele fez isso." (pergunta indireta)

 “Fui porque quis.”. 

Envolve uma resposta imediata. 
4. POR QUÊ (separado, com acento): Vem no final da frase, antes de ponto de interrogação ou ponto final. 

 “Ele não foi, não sei o por quê?”.

Ou no início: Por quê é usado para perguntas e normalmente no início. 


- "Por quê o navio foi levado montanha acima?" 




3) "A VER" vs. "HAVER"  


 Regra que confunde pela fala. A confusão de ter a ver com o verbo "haver".

 Exemplo: "Você tem tudo a ver com ela" Aqui não é "haver" com "h" de jeito nenhum. 
 
- O erro mais comum é escrever "isso não tem nada haver", aqui o certo seria "nada a ver" por sugerir relação, não 


Escrever “não tem nada a ver”  errado? NÃO, esse está certo. O erro é escrever “nada haver” ou “isso não tem haver”. É a confusão número 1 da língua portuguesa hoje.
- Classificação: Verbo vs. Locução verbal.


A VER (separado): Significa relação, ligação, semelhança. Vem do verbo ver. 

É o que usamos na expressão:


 “Isso não tem a ver com aquilo”, 

“Tudo o que tem a ver com o assunto”.  


 HAVER (junto, verbo): Significa existir, ocorrer, ter. Usa-se quando é ação concreta:

 “Vai haver uma festa?”, (substitui com "acontecer").

 “Pode haver confusão”, isso aqui está bem errado e dá pra sentir isso um pouco já. 
- Resumo: Se for ligação/parentesco/relação  A VER. 

Se for a ver com existir/acontecer -  HAVER.

4) A regra do "MENOS" vs. "MENAS" Menos é invariável
 

Essa é uma regra que é difícil de errar, por soa extretamentw errado automaticamente para o nativo do português. Essa "doi" ao ouvido. 

- O erro: Dizer ou escrever “menas pessoas”, “menas coisas”, “tem menas dificuldade”. 



"Tem menos coisas" corretamente. 
Muito comum na fala, e acaba indo para o texto.
- Classificação na gramática: Advérbio de quantidade.
- Regra: A palavra MENOS é uma palavra só, invariável. Ela não muda de gênero nem de número. 

Não existe a palavra menas na gramática da língua portuguesa. O oposto de mais é sempre menos, para masculino, feminino, singular ou plural.
- Exemplo: “Havia menos árvores”, “Tem menos água”, “É menos importante”. 

 Nunca use menas árvores. 

Do mesmo estilo, não existe "Estou meia cansada" quando se é mulher, é sempre no masculino, "Estou meio cansada". 


5) A regra do "Onde" e "Aonde": 


A última regra é a mais capciosa de todas e envolve uma distinção simples.

Muitos usam Aonde, sem entender que isso já é um sentido de direção. 

Exemplo

- Você vai aonde? (Não onde) 

Já em que podemos usar o - ONDE (como.se fosse o "where" do inglês para nós), que é Advérbio de Lugar. 

A regra é que é somente para lugar físico

 
E SOMENTE LUGAR FÍSICO.



Usa-se para tempo, modo, motivo, assunto, ideia, coisa, situação. 
 

- "A cidade onde o filme foi gravado é Manaus." 

 (CERTO) = cidade = Lugar.
- "O teatro onde ele queria se apresentar." 




6) A regra do "ENTRE MIM E VOCÊ". 


Essa é uma regra de ouro e muitas pessoas vão achar que estou ensinando errado, mas juro que é assim que se escreve em português formal. Parece errado mas não é. 
 
 

ANTES DO VERBO OU DEPOIS DO VERBO
 
A confusão toda está em saber quem está fazendo a ação e onde a palavra está na frase. Vamos dividir em duas partes:
 
 
 LÓGICA SIMPLES: 

A frase "Entre mim e você" é correta por não não verbo (ação) na frase. 
 
- EU = É quem FAZ a ação (é o sujeito). Ele fica ANTES do verbo. Se sujeito é quem faz a ação e o predicado é o que se diz sobre o sujeito, aqui não é o caso. É uma frase que demonstra uma excessão de começar as frases com Eu (I). 
- Exemplo: Eu como, eu falo, eu vou. 


(Sujeito +verbo em tempos verbais simples)
 
- Exemplo: 

Isso pertence a mim, falaram de mim, vem com mim. 

Obs: normalmente, o "mim" fica para o fim das frases, mas não quando não há verbo pro "eu". 
 
 

Aqui é um exemplo difícil, porque são duas orações diferentes, dando a impressão de ter a ação (verbo) depois de "Entre mim e você". 


ESSE aqui é o pior e mais chato exemplo de todos. Mas vou explicar em detalhes. Essa aqui até linguista, doutorando e pós doc de português pode errar por hábito automático. Entendo ser uma regra que possa soar errado aos ouvidos. 


"Eles escolheram a mim e a você. "



ERRADO: "Escolheram eu e você."
CERTO: "Escolheram a mim e a você."
 
 
 
 
- QUEM FEZ A AÇÃO?  ELES (Quem escolheu). 

ESSE É O SUJEITO.
- QUAL FOI A AÇÃO?  ESCOLHERAM (verbo).
- QUEM RECEBEU A AÇÃO? 
NÓS (mim e você). 

ESSE É O OBJETO / COMPLEMENTO.


 
 Porquê erramos aqui? (O uso coloquial e formal da língua).

 
Porque na hora de falar rápido, a gente corta a palavrinha "A" e aí o "mim" soa quase infantil. Então o cérebro automaticamente vai no "eu"  
 
- Correto: 

"Escolheram a mim e a você." 
-  "Escolheram eu e você."  ESTÁ ERRADO. Podendo ser usado apenas na coloquialidade. 



E aí pessoal, vocês já tentaram corrigir um erro depois porque ficou com vergonha? Eu mesmo erro o tempo todo. Você já errou em algum desses casos?

O importante é sempre o ato de "prometer a regra", ou seja, continuar tentando sem medo. Afinal, todos podem errar, e ainda tem a questão do coloquial×formal na língua.



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