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Fernand Braudel: Escritos Sobre a História, (Écrits sur l'Histoire, 1969) - A Longa Duração e a Interdisciplinaridade nas Ciências Humanas

 


Livro publicado no Brasil na coleção Debates, da Editora Perspectiva, de 1969, Paris. Uma coletânea que organiza aulas e artigos sobre metodologia em História e história da historiografia, reunidos em um livro publicado por esforço de amigos do historiador. Braudel também deu aulas na USP para nomes como Sérgio Buarque de Holanda e Fernando Novais. 


O Fernand Braudel é um dos meus historiadores favoritos, junto com esse livro dele, é uma visão tão boa, tão correta, tão ética, colocaria Braudel e Momigliano como meua historiadores favoritos, é entre eles que se entende sobre o campo e a origem híbrida da História e sua escrita no processo de formação das comunidades e depois das nações. 


É uma perspectiva franca de um daqueles que mais influenciaram a sociologia e a história e que via ligação entre as duas ciências através da tradição da academia francesa. Braudel também deu aulas na USP para nomes como Sérgio Buarque de Holanda e Fernando Novais. Dono de um estilo único, é talvez a melhor lição ao introduzir um aluno nas veredas do saber historiográfico. 


Tinha um estilo informal e usava sempre famosas luvas. Acho que todos nós que gostamos de estudar sentimos falta do espírito de aulas abertas e francas, cheias e interação e conteúdo. Isso é diferente da tradição atual, onde se publica sobre qualquer coisa, sobre a "pedra que rolou".


 A história pode ser definida em três formas de tenporalidades básicas, tempo curto = evento. Tempo médio = conjuntura. Tempo longo = estrutura. 


As aulas antes na época de Braudel e Michel Foucault, as aulas eram parte do pensamento e da ideia original dos professores, que não economizavam nas suas fontes e na sua própria ousadia temática. 


Um livro que reflete a história da historiografia com uma honestidade brutal. Podemos comparar com alguém que fazia exatamente o oposto do que ele fazia, seria Émile Durkheim. 


Mas vale dizer sobre Durkheim é que 99% das monografias das ciências humanas seguem as dicas e formas de "As Regras do Método Sociológico", seu maior clássico sobre método. O que é ensinava é uma método infalível de escolher o que se escrever através da escolha do objeto. 

O principal livro de Braudel lançado antes foo sua tese La Mediterranee a l'epoque de Philippe II (O Mediterrâneo e o Mundo Mediterrâneo na época de Filipe II, publicado em 1949). 

O passado explicaria o presente, e a estrada favorita é o da longa duração (longue duree), uma espécie de regra de comparação. Não por arrogância ou pedância mas por honestidade intelectual sobre o "mister (saber)" em história.  


Fernand Braudel deu aulas na USP (em São Paulo) por anos e até mesmo tem um capítulo que cita o Brasil nesse livro dele. Comentava-se de suas luvas e de toda a influência em intelectuais brasileiros. 

Não fazemos história como fazia Marc Bloch, ou menos, não fazemos história como na época dos ídoloa de Bacon ou com a iluminação romântica de Michelet. Abordamos a longa duração por ser uma forma de referência epistemológica para o ato de fazer pesquisa em história. 


Não que ele fosse oposto, mas ele sabia muito de história e via as limitações dos estudos quando se compara história com sociologia. Há em Braudel um levantamento interessante de que a forma do estudo (método, cronologia) são em si o ensinamento da forma de história que se está escrevendo. 


Sempre repetimos a frase a História é filha de seu tempo, mas isso é uma forma de simplificação. O século interminável (XIX) teve autores Conde de Saint Simon, Comte, Marx, Jacob Burckhardt. Ele cita Fustel de Coulanges como um grande gênio, ao lado de Ranke. Hegel com sua dialética e visão no fenômeno disse: A hiatória repete-se pelo menos duas vezes.


 Essa é a clássica máxima que todos repetem, mas acham que é do Marx. Na verdade, a frase do Marx sobre 18 de Brumário é que a "História repete-se sim, uma vez como tragédia, da segunda vez como farsa". Isso aqui é ouro para entendimento do debate sobre causalidade e história cíclica. 


Ou seja, a tentativa de manter o poder aristocrático mesmo depois do Congresso de Vienna e da derrota de Napoleão. A tentativa de "mais uma vez" fechar o congresso, cujo relato é mais empolgante do liberal Alexis de Tocqueville do que se você fosse ler apenas a versão de propaganda de esquerda da coisa. 


O que Marx disse foi ligada a sua própria pesquisa sobre História da França, fazendo ele sua versão da frase de Hegel inspirado no curioso da do sobrinho de Napoleão, que tomou o poder com toda pompa, mas perdeu rápido. 

As três Histórias e seus tempos narrativos: 


Existem três tipos principais de historiografia (e métodos), que são medidas no recorte cronolôgico, a primeira é a história de curta duração, que pode ser analisada pelo jornalista e pelo sociólogo, eventos imediatos, ou o chamado "tempo individual). 




Ás vezes o biográfico pode confundir a análise, porque tendemos a procurar um heroi, vinda da historiografia do "mentalitee" em francês, diferente do conceito "mind", como é mais estudado nos EUA por exemplo. 


Desde então como comenta Braudel, a história passou a se preocupar com elementos típicos da nova sociologia, como as "formas de sentir e de pensar". Nisso aqui, quem foi inovador foi Lucien Febvre que usou isso na forma de estudar a reforma protestante como uma espécie de processo gradual de "desencantamento do mundo". Já Bloch nesse mesmo eixo, já estudou o imaginário medieval que os reis eram deuses. Ou seja, ele estudou o direito divino dos reis. 

A segunda é a história de média duração, já em contato com antropólogos ou economistas, é uma hiatória foca em conjunturas, análise de ciclos econômicos. 

Já a terceira história seria a história de Longa Duração, foca nas estruturas e no tempo geográfica. Estudando a relação do homem com o seu meio. Sobre isso, outra frase é corrigida por Braudel. 


Para ele, a "história não é filha de seu tempo", ou "a história é feita por homens", o que Braudel nos trouxe aqui é a capacidade da história moldar o homem, trazendo a questão da história anônima e da multidão de indivíduos silenciosa que agitam os mecanisnos internos da história.

 


A opinião de Braudel serve para livrar o jovem historiador das amarras rubras e intempestivas da História, um bom exemplo é o estudo da Revolução Francesa, alguns podem ler apenas na queda da Bastilha o começo de toda a revolução, outros podem tirar a mesma previsão em estudat o preço da comida e a fome na época.


A história se profissionalizou enquanto campo no século XIX, surgindo separada com rigor do método de alguns autores, como Ranke, Fustel de Coulanges, Saint Simon, e até mesmo de Karl Marx. 

O século XX foi um século de renovação na história em si. As duas grandes guerras terminaram de mudar o eixo do antigo neocolonialismo, além de vislumbrar a queda de impérios antigos. 

A Escola dos Annales foi fundada em 1929, na França, pelos historiadores Marc Bloch e Lucien Febvre. O movimento surgiu a partir da criação da célebre revista Annales d'histoire économique et sociale. A história se renovava então com um novo viés político e social. Não é François Simiand e seu rigor estatístico, político e ético. 

O exemplo de Leopold Von Ranke é ótimo. Não é a historiografia que ele está elogiando. Vale lembrar que o rigor de Ranke é nacionalista e carrega certa filosofia da história, uma ideia de "tempo de progresso" que o levou a estudar os papas, a Inglaterra e suas transformações no século 17.





Ranke é o rei da totalidade em forma de história narrativa. Como ele escreve, fatos mas sem humanidade neles envoltos em uma manta de trágicos acidentes que condicionam a persona humana. 

Ou seja, também não podemos confundir a lição da longa duração de Braudel com autores. estritamente enfadonhos e generalistas. Não era isso que estava falando ele. 

 

Livro publicado no Brasil na coleção Debates, da Editora Perspectiva, de 1969, Paris. Uma coletânea que organiza aulas e artigos sobre metodologia em História e hiatória da historiografia, reunidos em um livro publicado por esforço de amigos do historiador. 


O Fernand Braudel é um dos meua historiadores favoritos, junto com esse livro dele. Um livro que reflete a história da historiografia com uma honestidade brutal. Podemos comparar com alguém que fazia exatamente o oposto do que ele fazia, Émile Durkheim. 


O principal livro de Braudel lançado antes foo sua tese La Mediterranee a l'epoque de Philippe II (O Mediterrâneo e o Mundo Mediterrâneo na época de Filipe II, publicado em 1949). 


O passado explicaria o presente, e a estrada favorita é o da longa duração (longue duree). Não por arrogância ou pedância mas por honestidade intelectual sobre o "mister (saber)" em história.  


Tem uma frase do genial Gaston Bachelard, o melhor autor de metodologia: 


"...O tempo social é simplesmente uma dimensão particular de determinada realidade social que contemplo." 

Não fazemos história como fazia Marc Bloch, ou menos, não fazemos história como na época dos ídoloa de Bacon ou com a iluminação romântica de Michelet. Abordamos a longa duração por ser uma forma de referência epistemológica para o ato de fazer pesquisa em história. 


Não que ele fosse oposto, mas ele sabia muito de história e via as limitações dos estudos quando se compara história com sociologia. Há em Braudel um levantamento interessante de que a forma do estudo (método, cronologia) são em si o ensinamento da forma de história que se está escrevendo. 


2) Posições da História em 1950


Sempre repetimos a frase a História é filha de seu tempo, mas isso é uma forma de simplificação. O século interminável (XIX) teve autores Conde de Saint Simon, Comte, Marx, Jacob Burckhardt. Ele cita Fustel de Coulanges como um grande gênio, ao lado de Ranke. 



Existem três tipos principais de historiografia (e métodos), que são medidas no recorte cronolôgico, a primeira é a história de curta duração, que pode ser analisada pelo jornalista e pelo sociólogo, eventos imediatos, ou o chamado "tempo individual). 


Ás vezes o biográfico pode confundir a análise, porque tendemos a procurar um herói, vinda da historiografia do "mentalitee" em francês, diferente do conceito "mind", como é mais estudado nos EUA por exemplo.   

A segunda é a história de média duração, História Ocorrencial, já em contato com antropólogos ou economistas, é uma hiatória focads em conjunturas, análise de ciclos econômicos. 


Já a terceira história seria a história de Longa Duração, foca nas estruturas e no tempo geográfica. Estudando a relação do homem com o seu meio. Sobre isso, outra frase é corrigida por Braudel. 


Para ele, a "história não é filha de seu tempo", ou "a história é feita por homens", o que Braudel nos trouxe aqui é a capacidade da história moldar o homem, trazendo a questão da história anônima e da multidão de indivíduos silenciosa que agitam os mecanisnos internos da história.


O homem com o meio ambiente e as mentalidade ao longo da história. Outras ciências do homem passaram pela mesma mudança, a antropologia foi do gabinete e do evolucionismo determinista para primeiro o difusionismo (com o estilo da longa duração), depois ao relativismo cultural na virada de Malinosky. 


A opinião de Braudel serve para livrar o jovem historiador das amarras rubras e intempestivas da História, de tomar um lado como obrigação, um bom exemplo é o estudo da Revolução Francesa, alguns podem ler apenas na queda da Bastilha o começo de toda a revolução, outros podem tirar a mesma previsão em estudar o preço da comida e a fome na época. 

Na época, é possível argumentar mais em cita de Furet do que de Albert Soboul, apesar do último ser também genial. O ponto aqui é dar um exemplo de como um fenômeno canônico e muito comentado como a Revolução Francesa pode ser até mais complexa do que apenas o estudo de grandes marcos. 


Isso envolve a forma como ele analisa um ponto fora da curva, Simiand e os esrudos similares entre economia e história. 


 Os tipos de história e as suas temporalidades junto a interdisciplinalidade


Tem uma frase genial do Braudel sobre o que seria história,  é que história seria no mínimo, a decomposição do homem em um cortejo de personagens. 

 A História imóvel (história social) é sobre grupos e a agrupamentos ao longo da história e a hiatória das relações sociais em si (classe, gênero e raças, já a segunda história ocorrencial (événementide)  do tipo de Simiand. Apesar de gostar, ele aponta o risco desse tipo de história por ser ultra sensível. 


Por fim, a história tradicional, ele compara com "vagalumes que acendem e apagam". Essa seria a história de tempo curto que registra biografias e expoentes pouco conectados entre si. 


A história se profissionalizou enquanto campo no século XIX, surgindo separada com rigor do método de alguns autores, como Ranke, Fustel de Coulanges, Saint Simon, e até mesmo de Karl Marx. 

Vale lembrar que as guerras não são meros expoentes de vontade individual e que as biografias são ás vezes demasiadas forçadas. 

O século XX foi um século de renovação na história em si. As duas grandes guerras terminaram de mudar o eixo do antigo neocolonialismo, além de vislumbrar a queda de impérios antigos. 


A Escola dos Annales foi fundada em 1929, na França, pelos historiadores Marc Bloch e Lucien Febvre. O movimento surgiu a partir da criação da célebre revista Annales d'histoire économique et sociale. A história se renovava então com um novo viés político e social. Não é François Simiand e seu rigor estatístico, político e ético. 


O exemplo de Leopold Von Ranke é ótimo. Não é a historiografia que ele está elogiando. Vale lembrar que o rigor de Ranke é nacionalista e carrega certa filosofia da história, uma ideia de "tempo de progresso" que o levou a estudar os papas, a Inglaterra e suas transformações


Ranke é o rei da totalidade em forma de história narrativa. Como ele escreve, fatos mas sem humanidade neles envoltos em uma manta de trágicos acidentes que condicionam a persona humana. 


Ou seja, também não podemos confundir a lição da longa duração de Braudel com autores. estritamente enfadonhos e generalistas. Não era isso que estava falando ele. 


Os ingleses dominavam o Mancha, os ibéricos, Gilbaltrar, mas as frotas eram bem providas e explicavam o sucesso do eixo do colonialismo clássico entre Inglaterra e Portugal. Braudel previu com razão o declínio da área da econometria (que estava em alta 5, 10 anos atrás), ou estatística aplicada diretamente no estudo em si.


 Comentava também que entre as ciências, ás vezes os muros eram muito altos e que se olhava. Mas sabia apreciar as formações cruzadas, ao falar de Vidal de La Blache historiador de origem na geografia, escreveu Tableau de La Géographie de la France. 


Ele comenta sobre o começo das pesquisas sobre a história da morte, a ideia da morte celeste, voltada para o outro mundo, essa morte é substituída por uma morte mais humana. Aqui ele brinca que ele resume mal um debate fascinante. 


 É a história de François Simiand, que era por sua vez contrário ao que chamava de "História hiatorizante", ele tinha certo rigor estatístico, chamado de filósofico, psicólogo e sociologo (um pouco de tudo), e ético que estimulam mais Braudel. Em sua obra, ele busca mostrar como a estatística não pode ser analisado como números frios e sem interpretação, e interpela sobre sobre a relação entre causalidade, história e estatística. 


Braudel tem um humor único e ele nunca perde a dimensão do que está se referindo. Ele comenta sobre o carácter "imperialista" das ciências do homem (que pode se ter, ou forma pedante que se pode cair). 

Os ingleses dominavam o Mancha, os ibéricos, Gilbaltrar mas a naval espanhola era a mais soberana de todos, mas as frotas eram bem providas e explicavam o sucesso do eixo do colonialismo clássico entre Inglaterra e Portugal. Braudel previu com razão o declínio da área da econometria (que estava em alta 5, 10 anos atrás), ou estatística aplicada diretamente no estudo em si.


 Comentava também que entre as ciências, ás vezes os muros eram muito altos e que se olhava. Mas sabia apreciar as formações cruzadas, ao falar de Vidal de La Blache historiador de origem na geografia, escreveu Tableau de La Géographie de la France. 



Ele comenta sobre o começo das pesquisas sobre a história da morte, a ideia da morte celeste, voltada para o outro mundo, essa morte é substituída por uma morte mais humana. Aqui ele brinca que ele resume mal um debate fascinante. 

Ariès acabou ficando mais famoso porque ampliou isso para uma enorme “história da morte no Ocidente”, mas antes dele houve um italiano chamado Alberto Tenenti com uma pesquisa similar sobre pesquisar a mudança do homem nas "atitudes perante a morte". 

Braudel tem um humor único e ele nunca perde a dimensão do que está se referindo. Ele comenta sobre o carácter "imperialista" das ciências do homem (que pode se ter, ou forma pedante que se pode cair), ele comenta isso na mania de insistir em delimitar a hiatória como em uma bandeira de superioridade absoluta e solitária. 


Para resumir para captar a ideia mesmo, o que Braudel sugeria como "Longa Duração", er auma espécie de "operação da prova real" como se faz na matemática, a skinhas do tempo mais longas, e os métodos bem utilizados de outras ciências que evoluíram mais, não significa abandonar o mister e a vocação em história em si. 


A História e as Ciências Sociais e a Longa Duração:


Há uma crise nas ciências do homem, elas são obrigadas por paradigma do bem estar a reportar seu próprio progresso. O que pode gerar um jogo de soma zero ou em simplesmente em erudição estéril. 


Ele indaga divertido, será que as ciências do homem saem dessa crítica e dessa reflexão com o mínimo de bom humor? Talvez não. Talvez porque existe o hábito de se reciclar antigos debates e problemas dentro de novos moldes (frames). 

A economia descobre a sociologia, antes apenas ficava á espreita em volta. A história a menos regrada das ciências do homem, aceita passiva e calada as lições das ciências humanas que inovavam seus métodos e formas. 


O exemplo aqui disso é o estruturalismo de Claude Levi Strauss, outro livro dele marcante é "Estruturas Elementares do Parentesco" uma tese polêmica e muito debatida, mas que influenciou muito as ciências sociais, como Durkheim.

A ideia de linguística inconciente dirigido por uma matemática que ditava o horizonte histórico de análise. Pelo sim pelo não das áreas, Braudel comenta que até mesmo a geografia se divorciaria oficialmente da história


Livro do Claude Levi Strauss pesquisando no Brasil.

Libro sobre a teoria da antropologia estrutural.



Um livro sobre mito e significados, desvendando o código da cultura. 





Strauss também deu aula no Brasil e todos brincam um pouco que "Tristes Trópicos", um estudo deles sobre as comunidades indígenas não obteve o senso de confirmar suas teorias generalistas (mas não racistas como a antropologia antiga). Dizem que ele ficou triste de não conseguir direto contato com os nativos e de ver neles partes de cultura que ele não esperava, como cobrar por depoimentos e coisas do tipo. 

 

Um ponto que ele retoma e que pode confundir é o carácter e a forma de análise do que chamamos de evento. O evento é sempre de tempo curto? Não, olha o exemplo da Revolução Francesa, Braudel argumentava com razão, que esse evento reverberou tanto que ecoa enquanto caos criativo até hoje. Mas não é todo evento. 

O problema é que muitos historistores, aterrorizados com o legado, se dividiram entre apologistas nacionalistas (o legado, o "cantinho", o progresso), e outros passaram a "roubar" os outros campos, como a antropologia e estudar o tempo curto desvinculado.  

Vou dar um exemplo evitando críticas, se eu fosse fazer uma monografia de história: "Como a Inquisição no Brasil ajudou a fundar Nova Iorque", mas aí é título de livro que se vende. 


Se fosse uma tese, teria que falar todos os elementos possíveis sem uma determinação de julgamento cruzada. O mais correto seria "A atuação dos tribunais de inquisição na expulsão dos judeus safardistas do Brasil e de Recife". 

Entende? Porque aqui eu posso provar com documentos, já que eles "fundaram Wall Street" e Nova Iorque, isso é do ramo do debate e não credencia para título. A parte que orienta tem que ser baseado em fatos canônicos e incontestáveis, pra a ver segurança no que pesquisa. 

Só pra dar um exemplo de como Braudel pensava um pouco. Acho interessante, porque você pensa, o que um francês que dava aulas de luva e fumando sabe ou entende do Brasil?

 Pior que sabe muito! E até atuou aqui influenciando boas teorias de Brasil, como Sérgio Buarque e Fernando Novais. Teorias que dialogam com mais de 100 anos, que envolvem mapas e análises de esquemaa de dominação econômica. O mundo está em volta das "grandes teorias"? 

A modernidade, o presentismo e a fragmentação que causa desinformação:


Por que com Lewis Morgan a ciência buscava tanto esquedrinhar como fazia Aristóteles, e depois passou a ver erros nessas grandes análises antigas. Mas a mudança no método e no credo não tornou as ciências sociais mais inclusivas, apenas "privatizou", quantos vocês fizeram prova na faculdade, imprimindo apenas um capítulo para a prova, não o livro inteiro? 

E porque livros sempre caros, que não tem disponíveis em pdf. Claro, os melhores livros ainda são raros e caros, mas é triste ver que o aluno vai ler apenas um capítulo. A internet também entra nessa forma de presentismo e fragmentação, porque ás vezes só tem um ou outro capítulo de um livro e não ele inteieo. 

 Posso citar outros exemplos parecidos, A Revolução Haitiana, por exemplo,  primeira rebeldia contra a colonização e o exemplo disso ao mundo. 

Pra lembrar mais uma vez: 


História tradicional, evento possivelmente esporádico, dramático, o tempo médio, ocorrencial (antropologia e jornalismo, economia e econometria, subida de preços, ciclos de kondratiev), e a história de longa duração. 

Já hoje em dia mais evidente nas tentativas de História Global (que lembra muito as inovadoras teorias do difusionismo). Isso porque durante séculos a circulação da humanidade passou pelo triunfo das águas e do navio e das feiras de Leipzig e Champagne foi frágil e não durou até o século XVIII. 

No Brasil, Fernando Novais já abordou de forma mais curiosa, ele abordava a crise do século 17 na Europa (algo que é contrário aos principais estudos do tema), o livro era o  "portugal e brasil na crise do antigo sistema colonial".


 É muito interessante mesmo. Para quem estuda história do Brasil sabe bem que ele aborda uma crise da relação colonial, a exploração que aumentou porque em 1755 houve um terremoto que acabou com Lisboa e foi com ouro das Minas Gerais que Portugal se recuperou, explicando porque Portugal tinha tanto controle sobre o Brasil, porque a Europa vivia uma crise monetária que 

Quesnay, por exemplo apontava ser fruto da inundação do mercado europeu com o ouro do Novo Mundo. Regra de economia básica, se todos tem algo, mesmo que valioso, o uso e a demanda tornam aquilo com menor valor. É uma valiosa lição de economia. 

Claro que há uma distância entre Charles Victor langlois e Charles Seignobos para Marc Bloch e não é válido comparação de quem seria melhor porque casa um responde ao seu próprio tempo histórico. 

Bloch era um medievalista genial mesmo não sendo mais tão "neutro" quanto seus antecessores do XIX, era genial da sua maneira. Isso porque sua vida e seu conhecimento viraram hiatória em si ao compor e criar uma das maiores revistas de história (talvez a maior) de todos os tempos. 

Sobre método e escolha de tema, Braudel nos sinaliza, que o pecado factualista, a história a principal acusada, não é única culpada. Todas as ciências sociais participam do erro. Economistas (viraram servidores submissos a vontade dos governos), demógrafos, geógrafos estão divididos entre o ontem e o hoje. 

Já ao etnografo ou etnólogo não soa alarmante porque já não tem em si a vontade generalista que pode datar uma análise se não é bem feita. No caso, eles falam com seu proprio nicho. Aqui vale lembrar o exemplo do fundador Malinowski. O que vale a pergunta. Teria a antropologia por conta disso se divorciado da história, assim como a geografia?

Cita Henri Pirenne como bom, mas já caindo em certa simplificação factualista dos "eventos importantes". Ele é polêmico em afirmar algo raro aqui, ele diz que se você viaja pra Grécia de hoje em dia, pouco ou nada da origem da civilização vais a escontrar.

Lucien Febvre teria dito antes de falecer: "história a ciência do passado, ciência do presente", uma espécie de aviso de proteção contra o evento. 

Comunicação e Matemáticas Sociais 


"O tempo não é nada em si, objetivamente, não é nada senão uma idéia para nós"


Paul Lacombe


O tema “Comunicação e Matemáticas Sociais” em Fernand Braudel aparece ligado à defesa de uma história interdisciplinar, especialmente em Écrits sur l’Histoire e nos debates da chamada “nova história” francesa do século XX.

 Uma forma de história mais política e social que rompia com os moldes da História Tradicional, que ignorava a ação e resposta dos homens, principalmente os mais pobres e comuns. 

Braudel atenta também que a diacronia e a sincronia são parte da análise na forma como se entende o que seria uma "sincronia perfeita" ser um exercício não exatamente necessário. 

Dentro disso, ele aborda uma forma que seria a historia inconsciente  "os homens fazem a história, mas ignoram que a fazem. Os cientistas sociais fazem modelos de previsão e predileção, mas são pegos em um mecanismo mais profundo, mais temporal, mias cínico. Por isso a lição da longa duração é sobre uma lição de que o que escrevemos envelhece e é da lição do cientista social, pelo menos ao mínimo, pensar no que se faz e o valor disso para a prosperidade.


 Não como fazia a história tradicional, é mais um ato de vigilância para o que se escreve não envelhecer em uma semana. Sabe aquele disco dos Titãs, A Melhor Banda de Todos os Tempos da Última Semana? É um pouco sobre a crítica que Braudel tecia com o presentismo (Hartog) nas ciências sociais. 

Braudel usa a expressão “matemática sociais” para falar do esforço de quantificação aplicado às ciências humanas: estatísticas, séries demográficas, preços, comércio, circulação, mapas, curvas econômicas, ritmos populacionais, fluxos de informação etc. Não é “matemática” no sentido abstrato puro, mas instrumentos quantitativos para compreender estruturas históricas profundas. 

Voltando ao gênio de Claude Levi Strauss 

A história pressa na armadilha no evento, a linguística na armadilha das palavras. Para ele, o mito não deve ser interpretado apenas como narrativa simbólica ou invenção cultural, mas como uma estrutura profunda do pensamento humano. 

Inspirado pela linguística estrutural de Ferdinand de Saussure e pelos estudos de Roman Jakobson, Lévi-Strauss propõe que os mitos funcionam por unidades mínimas de sentido, os chamados mitemas, assim como a língua opera por fonemas que extrapolariam fronteiras entre linguagens. Um exemplo é a semelhança entre o espanhol da Colômbia, Venezuela, Equador, Paraguai com o Brasil, com maior distância para Argentina e Chile. 

O significado não reside em um elemento isolado, mas nas relações e oposições entre eles, revelando um “inconsciente da linguagem” que organiza o pensamento coletivo sem que os indivíduos percebam conscientemente suas regras. Depois, ele vai englobar sua teoria dos mitemas em pequenas unidades, por exemplo, "gustemas" ao falar do paladar universal.

Enfim, o que Braudel salientava não é que era errado o estudo de caso, ou a monografia com o exemplo de uma observação participante, ou uma "etnografia na favela", o que Braudel apontava era muito maior que isso, era uma lição maior do que um mapa ou horizonte ou linha do tempo padrão, Braudel queria nos avisar sobre legado, não no sentido positivista ou teleológico, mas no sentido como para Hegel, de si para si mesmo “ser para si” (Fürsichsein). 

 
4) O tempo do historiador, tempo do sociólogo 

Eu mesma nos tempos de licenciatura, antes de me formar bacharel em sociologia, eu cursei História, me peguei pensando o que era o o saber notório e a cátedra em história, e percebi que a história assim era infantil e acabava sendo um "resumão" de todas as outras ciências que tem estudo específico. 

Sabe o porquê disso? Por que a pesquisa não pode ser livre (de recorte, opinião e objeto, ou temporalidade) e os professores ainda respondem a nomeclaturas e divisões de época de Fustel de Coulages (mas sem sua genialidade).   


Por isso mesmo que Braudel nos diz que foi o sociólogo que ao pesquisar, conseguiu fugir da armadilha das matemáticas sociais, exatamente ao estudar elas também. A graduação em sociologia tem disciplinas em estatística, coisa que a história nem poderia sonhar em ter. Então a influência em pesquisa em História de um poder (episcopal, regional, político) ou outro é imensa. 

O que interessa ao bom historiador é a análise das cruzada de movimentos, pontos de ruptura e sua interação em si. E se a ampulheta do tempo fosse colocava em dois locais ao mesmo tempo, como "focos de análise". 

Dentro de Georges Gurvitch, vimos a tentativa de um modelo de 5 edifícios que teria encurralado a sociologia na história. Há uma sutil crítica ao materialismo cego, não a Kar Marx, um verdadeiro gênio inonador, mas ao uso do materialismo como obrigação ou prosa e verso própria em teoria. 

Ele se coloca como Sartre na crítica sobre a ação do indivíduo, mas na auto determinação deste exatamente. Como se ele defendesse o indivíduo, não o homem em si na história, o indivíduo como personagem. 

Para condenar un pouco a própria sociologia aqui, se a história peca na armadilha dos eventos e do tempo curto, vira um "estudo de tudo", a sociologia (rasa) pode ter sido a principal inspiração para a massa das monografias em história hoje em dia. 



7) Para uma História Serial: Sevilha e o Atlântico (1504- 1650)


Em “Para uma História Serial: Sevilha e o Atlântico (1504–1650)”, Fernand Braudel destaca a importância do trabalho de Pierre Chaunu como um bom exemplo de uma nova história quantitativa e serial, baseada em longas séries documentais e estatísticas, uma tese de quase 3000 mil páginas. Foi um trabalho parte pesquisado, parte inventado que usou de registros de contalidade portuária. 



A pesquisa sobre o comércio entre Sevilha e o Atlântico transforma registros aparentemente burocráticos (como cargas, impostos, frotas e fluxos marítimos) em instrumentos para compreender ritmos econômicos profundos e estruturas de longa duração.



Há uma geografia do invidivíduo biológico? 


No capítulo 8 de Escritos sobre a História, Fernand Braudel retoma a influência de Maximilien Sorre e de sua obra Les bases biologiques de la Géographie humaine, defendendo a ideia de que existe uma dimensão biológica e ecológica da experiência humana.


 O clima, as doenças, a alimentação, o relevo e as condições ambientais não determinam mecanicamente as sociedades, mas impõem limites, ritmos e possibilidades à vida histórica. Braudel procura afastar-se do determinismo geográfico rígido do século XIX, segundo o qual o meio explicaria automaticamente a cultura e a civilização. 


Em vez disso, propõe uma relação mais complexa entre homem e ambiente: a geografia condiciona lentamente as estruturas da vida material e coletiva, integrando-se à longa duração histórica sem eliminar a ação humana nem as transformações sociais.


A História Social é um campo da historiografia voltado para o estudo das relações sociais, das formas de vida coletiva e das experiências dos grupos humanos ao longo do tempo. Diferentemente da história tradicional centrada em grandes líderes, batalhas ou acontecimentos políticos, a história social busca compreender o cotidiano, o trabalho, as classes sociais, a família, as mentalidades, os movimentos populares e as estruturas econômicas e culturais que organizam a sociedade.

Associada sobretudo à renovação historiográfica do século XX especialmente à Escola dos Annales, a história social aproxima-se da sociologia, da geografia e da antropologia para analisar processos de longa duração. 




Sobre a teoria de Claude Levi Strauss e a análise de Braudel. Ele comenta que yeria começado bem mas terminava caminhando em um. "Desfiladeiro em direção as ciências exatas". 



Para Claude Lévi-Strauss, o mito não deve ser interpretado apenas como narrativa simbólica ou invenção cultural, mas como uma estrutura profunda do pensamento humano. Inspirado pela linguística estrutural de Ferdinand de Saussure e pelos estudos fonológicos de Roman Jakobson, Lévi-Strauss propõe que os mitos funcionam por unidades mínimas de sentido  os mitemas  assim como a língua opera por fonemas. 

O significado não reside em um elemento isolado, mas nas relações e oposições entre eles, revelando um “inconsciente da linguagem” que organiza o pensamento coletivo sem que os indivíduos percebam conscientemente suas regras.

Nesse modelo, a sociedade é compreendida como um sistema de comunicações. Lévi-Strauss identifica diferentes níveis estruturais de troca: a comunicação mecânica ou tribal, ligada à organização social; a circulação das mulheres através das alianças matrimoniais; a troca de bens e riquezas; e a circulação das mensagens, isto é, da linguagem e dos símbolos. Todas essas formas obedeceriam a estruturas inconscientes de reciprocidade e oposição, aproximando a antropologia de um modelo quase matemático de análise das relações humanas.

É justamente nesse ponto que Fernand Braudel manifesta sua reserva crítica. Embora admirasse o rigor inicial do estruturalismo, Braudel considerava que Lévi-Strauss caminhava para um “desfiladeiro em direção às ciências exatas”, reduzindo excessivamente a historicidade e a transformação temporal das sociedades. Para Braudel, as estruturas existem, mas precisam permanecer ligadas à longa duração histórica, às mudanças econômicas e às experiências concretas do tempo humano.


Em “Para uma História Serial: Sevilha e o Atlântico (1504–1650)”, Fernand Braudel destaca a importância do trabalho de Pierre Chaunu como exemplo de uma nova história quantitativa e serial, baseada em longas séries documentais e estatísticas. A pesquisa sobre o comércio entre Sevilha e o Atlântico transforma registros aparentemente burocráticos — como cargas, impostos, frotas e fluxos marítimos — em instrumentos para compreender ritmos econômicos profundos e estruturas de longa duração. Para Braudel, essa abordagem permite superar a história centrada apenas em acontecimentos e indivíduos, revelando movimentos coletivos, ciclos econômicos e permanências históricas invisíveis na narrativa tradicional.


Pensou por um segundo
Sim — em Braudel, essa ideia pode ser formulada assim:

“Há uma geografia do indivíduo biológico, isto é, do homem enquanto ser vivo, submetido às condições do meio, do clima, da alimentação, das doenças e da própria paisagem.”

Se quiser a formulação mais acadêmica e mais forte, pode ser:

“Braudel sugere que existe uma geografia do indivíduo biológico, pois a vida humana é moldada por determinações materiais e ambientais que antecedem a ação histórica propriamente dita.”

Se você quiser, eu também posso transformar essa ideia em um parágrafo curto em estilo de resumo acadêmico, já ligado a Braudel, longa duração e geohistória.

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 Fernand Braudel retoma a influência de Maximilien Sorre e de sua obra Les bases biologiques de la Géographie humaine, defendendo a ideia de que existe uma dimensão biológica e ecológica da experiência humana.




 O clima, as doenças, a alimentação, o relevo e as condições ambientais não determinam mecanicamente as sociedades, mas impõem limites, ritmos e possibilidades à vida histórica. Braudel procura afastar-se do determinismo geográfico rígido do século XIX, segundo o qual o meio explicaria automaticamente a cultura e a civilização. 

Em vez disso, propõe uma relação mais complexa entre homem e ambiente: a geografia condiciona lentamente as estruturas da vida material e coletiva, integrando-se à longa duração histórica sem eliminar a ação humana nem as transformações sociais.


O que é história social?

A História Social é um campo da historiografia voltado para o estudo das relações sociais, das formas de vida coletiva e das experiências dos grupos humanos ao longo do tempo. Diferentemente da história tradicional centrada em grandes líderes, batalhas ou acontecimentos políticos, a história social busca compreender o cotidiano, o trabalho, as classes sociais, a família, as mentalidades, os movimentos populares e as estruturas econômicas e culturais que organizam a sociedade.

Associada sobretudo à renovação historiográfica do século XX  especialmente à Escola dos Annales —, a história social aproxima-se da sociologia, da geografia e da antropologia para analisar processos de longa duração e fenômenos coletivos.

Assim, a história social entende a sociedade como objeto central da análise histórica, investigando como os homens vivem, trabalham, produzem, se organizam e atribuem sentido às suas relações dentro de determinados contextos históricos.


História e Demografia: 


Ao discutir a aproximação entre história e demografia, Fernand Braudel destaca os trabalhos de Alfred Sauvy como exemplo de análise serial e quantitativa aplicada às populações. 

Autores como Sauvy demonstram que os movimentos demográficos, natalidade, mortalidade, migração e envelhecimento,  revelam estruturas profundas das sociedades e permitem compreender transformações econômicas e sociais de longa duração.

 Para Braudel, essa perspectiva oferece uma verdadeira “lição de história das ideias”, pois mostra como números e estatísticas podem expressar mentalidades coletivas, comportamentos familiares e formas históricas de organização social.

Braudel também menciona Louis Chevalier, cuja análise das classes populares urbanas frequentemente se aproxima de um vocabulário biologizante e quase patológico da cidade moderna. Em seus estudos sobre Paris do século XIX, a pobreza aparece ligada a imagens de degeneração social, criminalidade e marginalidade coletiva. 


Essa leitura dialoga com o chamado “vitor-huguismo” uma referência à influência social e moral de Victor Hugo, sobretudo em Os Miseráveis. A obra transforma a miséria urbana em grande drama moral e humano, convertendo o sofrimento das camadas pobres em problema central da consciência social moderna.



História e o Tempo Presente: 
No Brasil Baiano, o presente explica o passado:


É muito interessante ver esse capítulo, uma obra tão importante para a historiografia geral citar o Brasil como exemplo. Exemplo de que? Exemplo de local onde a escravidão e a colonização mantiveram traços da sociedade antiga queo próprio Velho Mundo não possui mais. Braudel mostra então que tem um amplo conhecido sobre a história real do Brasil, do interior e dos cantos fora do mapa, ele analisa que eles importam sim na análise. 

Ele cita um livro de Marvin Harris, Town and Country in Brazil, comenta também sobre Von Spix e Von Martius, e até Xiquexique (hoje cidade famosa pelos memes) é citada no livro. O que interessa a ele é o comércio da época das "drogas do sertão" e a relação de permanência da pobreza em uma região que tinha tantas riquezas de origem extratativista, o que é explicado mais uma vez pela empresa colonial. 


Essa perspectiva está ligada à noção braudeliana de longa duração. Ao observar regiões como a Bahia, Braudel identifica justamente essas permanências históricas profundas, nas quais o cotidiano contemporâneo ainda guarda marcas visíveis da colonização, da economia atlântica e da formação social escravista. Muitos livros desconhecidos até ao público brasileiro, como La civilisation économique du Brésil. 

Ele comenta aqui um ponto de inflexão, sobre o tipo de história como em Guizot, ou mesmo Hegel, que exaltava o progresso e superioridade europeia. A ideia de "civilização" seria para eles um meio de reduzir a história as suas próprias perspectivas sobre a história. Sobre medievalismo, J. Huizinga estudou o simbolismo da fogueira e atransição anda suave após o século XV para uma espécie de criae escondida da europa.

Um outro exemplo (aqui uma obra que teria fundado a micro-história italiana). Die Kultur der Renaissance in Italien, o livro de Jacob Burckhardt, uma perspectiva de observar as particularidades do primeiro renascimento, o renascimento italiano. Podemos citar Toynbee, com sua ideia de que civilizações mesmo depois de destruídas deixavam marcos de sua existência. Ou o irmão de Weber, que era um historiador menos revolucionário de que seu irmão. 

Para citar Margaret Mead: " A civilização é aquilo que o homem que o homem, doravante, não poderá mais esquecer", a linguagem, o alfabeto, a regra de três, o fogo de Prometeu.

Ao citar o trabalho de Gilberto Freyre, foca no lado B de seu trabalho. Não na influência negra, mas na influência europeia (coisa que ele escrevia também). Exemplos de detalhes como a cerveja inglesa, ou hamburguesa, os vestimentos de linho branco, os dentes artificiais, o gas de iluminação. 



O exemplo do próprio Braudel sobre o mediterrâneo é isso. Um espaço que geograficamente pode ser lida como uma "hipótese causal drenal" que coloca um peso na região geográfica e de sobrevivência na explicação sobre as origens das sociedades.  Por fim as revoluções que definem o tempo presente, isso como um processo que ocorreu no mundo após 1750.  


Enfim. Vemos uma busca apaixonada e nem sempre util da sistemática das estruturas na tentativa de se fazer história. Isso demonstra uma estranha diversidade, mas semelhança nas civilizações que sobrepostas ibfluenciam umas as outras através das mais diversas trocas culturais. Ótimos ensinamentos para quem quer entender o que é História e como que a escrita da escrita faz parte da História em si. 

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