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O Ovo da Serpente (1978): Único filme de Bergman em Hollywood retrata o declínio alemão após a Primeira Guerra

 




O Ovo da Serpente é um filme de 1977, escrito e dirigido por Ingmar Bergman, com David Carradine e Liv Ullmann. Acompanhamos em 1923 na Alemanha (ano do tentativa de golpe da cervejaria), a vida e as tragédias de Abel Rosenberg, David Carradine (O Bill, de Kill Bill) na pele de um homem judeu americano que é trapezista vira suspeito de assassinato depois que seu irmão Max que comete suicídio.


 Como eu amo Bergman. Aqui no blog, falamos de Bergman algumas vezes. Uma vez eu fiz de O Sétimo Selo, foi até repostado recentemente, e já fiz também de Persona, e de um filme dele mais divertido O Olho do Diabo. 


Gosto muito do Bergman, acho que ele é pra mim o melhor diretor moderno depois de de Kurosawa e Tarkovsky. Pessoalmente, Bergman é depois de Glauber Rocha , o meu diretor de cinema favorito. Gosto muito de sua estética e do entendimento da humanidade, essa coisa da extensão a mais que o cinema pode ter em contato com as técnicas de teatro. 


 Bergman possui outros filmes incríveis e que a maioria das pessoas conhece, como  Morangos Silvestres, A Fonte da Donzela, Fanny and Alexander, aquele filme A Flauta Mágica (um filme que é uma peça de teatro filmada). 


O filme em dialogos em inglês e alemão:


Seguimos a história de um americano, Abel, com família alemã que volta pra Alemanha nessa época e começa a ser perguntado várias perguntas, se era judeu de cara, por exemplo. 


O homem se gaba de pagar qualquer dinheiro para artistas porque pagava em dolar. O homem lê no jornal alemão um discurso contra asiáticos e judeus e a comunistas. 

A expressão"o ovo da serpente", é da obra da Shakespeare de Julius Caesar, o que aqui no filme é sobre mostrar o estágio embrionário da xenofobia e preconceito que culminaram no nazismo, se não o pior e mais cruel governo da história da humanidade. 


Vemos então que a xenofobia era agravada pela sensação generalizada de derrota e humilhação de antes. Nesse filme de Bergman teve produção de Dino Laurentiiss, conhecido por trabalhar com David Lynch.  




O rico dá a moeda local alemã da época a Abel, mas como o marco mesmo bilhões não valer nada, o americano "recusa a caridade", e aparece na próxima cena em uma casa de má fama. Na infância, o cientista, Max (que se matou) e Abel brincaram juntos.




 Entregam uma carta e dinheiro a uma dessas mulheres, a Manuela (a cantora de cabaré e cunhada do protagonista Abel) é do próprio Professor Hans Vergerus. Eles conheceram esse cientista porque Abel brincava com ele na infância e lembrava do pai dele ser influente. Explicando a ligação até com o Supremo Tribunal que o esse homem tinha.




A carta é entregue a Manuela como parte de uma conspiração para atraí-la, junto com Abel, para o ambiente controlado da clínica, onde eles se tornam cobaias de um projeto científico sobre conportsmento humano que reproduz a logica de exploração cárcere e fábrica.




Manuela quer pensar em formas deles continuarem e fala de pensar em um novo show. Mas Abel fala que a vida real é pior que o sonho e admite que viu um homem ser espancado ao seu lado e a polícia não fez nada. 




A fabrica Ferkel oferece então um trabalho para Manuela que aceita. Quando Abel vai na casa dessa senhora, ela diz que acha que tem algo sw estranho com esse lugar. A senhora cobra 3 dólares ao mês pelo quarto. 


Nessa cena ele é obrigado com os policiais ao necrotério para identificar um corpo de uma moça que havia sofrido violência. Ele é então acusado de ser o assassino porque as vítimas eram torturadas. 

A grande cena do filme é ele dizendo "Sei porque está fazendo isso, é porque sou judeu" e sai desesperado tentando fugir da cadeia. Ele é preso e capturado. Mas porque ainda o golpe estava fracassado e o inspetor dessa época não era ainda alguém nazista, o homem foi liberado. A senhora da pensão não quer ele ali e ainda diz que não pode duas pessoas sem casar dividindo o quarto. 



O medo crescia junto a instabilidade política e o governo já não sabia o que fazer. Abel narra isso também.  Aí a Manuela consegue um apartamento dado pela empresa do cientista pra morar. A polícia invade e faz uma batida violenta no cabaré. 

Na volta, a moça diz que é bom ter febre, pois assim se sonha acordada e Abel percebe uma espécie de motor ligado no quarto e fala que só consegue dormir se beber álcool.

A empresa diz que tem acesso ao maior banci de dados na Europa. Ele vai até a empresa. O homem que guiu eles disse que morou anos da Inglaterra estudando a perversão de Ben Jonson. 


A tarefa dele era burocracia de arquivo, remover uma pasta para a outra. Já a moça estava doente e trabalhando em tarefas árduas sem descanso. 


É dito pra ele que na clinica olgo terrível estava acontecendo sobre experimentos em seres humanos. Em seguida eles comem a comida dada pelo mesmo lugar.  Eles são trancados a noite e tem um motor que não para, é uma espécie de cárcere e fabrica. 

Ele foge de casa a noite vendo um cavalo sendo morto e indo de volta a um cabaré. Na volta eke vê a Alemanha militarizada e em combôioa em casa esquina. Ele taca uma pedra contra uma loja bêbado e ganha tapas na cara do dono. Ele simplesmente surta. 


Uma prostituta se oferece pra ele por ele ter dólares e ele vai ela pro inferno. Ele entra nessa taverna que tinha um americano (Monroe) ali também.  Abel então quer "ver" se o homem é hétero mesmo, mas ele não consegue. 

Depois do dia 06, no dia 07 de novembro, o marco (moeda alemã) tinha parado de existir, não havia leite nas lojas e por fim a moça Manuela (Lil Ullman) havia morrido. É quando ele nota como se fosse flashs em espelhos e passa a quebrar cada um e descobre câmeras lá. 

 Depois ele vai até o homem que morou na Inglaterra e arranca a chave dele. É quandi ele mata esse cara no arquivo. 

Ele mostra os experimentos da clínica de Santa Anna. Ele mostra o experimento de uma moça que se ofereceu para cuidar de um bebê que precisava de cuidados constantes, apenas para ver a tortura na mulher que o cuidava sem dormir pelo choro do bebê. 


Ou seja, o "experimento" é uma forma boa de mostra a desumanização como técnica governo dos corpos antes de seu emprego como viés se governo. O filme é pesado por mostrar isso, como uma conspiração da ciência e da economia para tomar conta das pessoas vulneráveis, esse sim, o verdadeiro ovo da serpente do nazismo. 


O cientista friamente (que já é de estirpe nazi) diz que vai tomar a capsula de cianeto para queimar arquivos. Ou seja, o que o nazismo ia fazer, já era feito em segredo e em segredo industrial. 

Passando a cena de pessoas pobres, humildes e trabalhadores nos guetos alemãs, ao fundo o cientista faz o seu discurso dizendo que esses jovens e trabalhadores estavam esfomeados e cansados demais para fazer a revolução. Aqui, nazismo, ciência e capitalismo são braços de uma mesma maquina. 

O cientista faz seu discurso sinistro, toma a capsula, se olha no espelho e espera a morte antes da chegada da polícia. 


Abel foi medicado e dormiu por 2 dias. O inspetor tenta acaba mandando ele embora pro circo. O inspetor de polícia se gaba da derrota de Hitler dizendo que a democracia alemã estava forte e por isso aderiu também a expulsão de Abel por ele "saber demais".  Ele fugiu e nunca mais foi visto. 


Na realidade, isso é opaco, pode ser verdade, mas parece no fim, apenas queima de arquivo do própria sistema vigente contra ele que sabia muito. Era muito forte isso de dizer que a própria ciência estava interessada na pobreza do povo, porque ganhava pessoas como cobaias para esses experimentos. 


O Vergerus era um cientista que comandava uma clínica clandestina onde realiza experimentos desumanos e sinistros, disfarçados de pesquisa médica, na Berlim dos anos 1920. 

No fim, e óbvio que Abel fugiu ou foi morto.  Ou seja, o governo por se achar democrata ainda e acima das imoralidades, foi exatamente o que deixou a Alemanha vulnerável. 


A certeza do golpe de Hitler ter fracassado gerou um clima de que poderiam reprimir a "imoralidade" (as prostitutas, os imigrantes, os trsbalhadores de fábrica), ou seja, derrotaram o nazismo em sua fase embrionária e populista e aderiram por sua vez a uma tipo de discurso moral que foi incorporado e roubado. 


O que Bergman constroi aqui é um argumento único contra o moralismo, ciência, ou mesmo a alta cultura, podiam ser formas de segregação e incorporadas como projetos de reformulação moral da sociedade.  Se Hitler não era tão culto, Joseph Goebbels queria que a sociedade alemã fosse nazista e de "alta cultura", há uma razão pervertida aqui.

Aqui, o que Bergman defende a cultura popular, tipo Lili Marleen, dizendo que além de ser "baixo nível" ou "alto nível", a arte é usada como forma de manipulação, mas também eram a ciência e o proprio senso comum parte do projeto nazista. No caso, a ciência usada para para o mal, a má compreensão do que seria evolucionismo em geral. 




Hanna Arent em As Origens do Totalitarismo aborda o que ela chama de "a banalidade do mal", um conceito que pode ser aplicado pra própria hiatória do filme. Ela percebe que no julgamento de Adolf Eichmann, os casos de mal extremo podiam ser cometidos por pessoas comuns, apenas o exercício de reprodução das hierarquias.  

Exatamente como no filme tem muitas pessoas comuns que reproduzem preconceito, como a dona do quarto que eles alugavam, ou o próprio inspetor, que mesmo contra o nazismo, representa uma facção da sociedade que colocou oa ciganos, prostitutas, judeus e pobres como culpados ocasionais da depressão econômica. É um raciocío profundo esse que o filme projeta.




 História da Alemanha nos anos 1923. O golpe de Hitler que falhou: 



Começando em novembro de 1923, quando um maço de cigarro custava 4 bilhões marcos no meio da Alemanha do pós Primeira Guerra, certo momento chegam a voltar nisso no filme e o policial diz que o câmbio do dólar estava custando cinco bilhões de marcos. Quando um país não tem mais controle sobre seu ativos financeiros locais significa jogar no "experimento científico" toda a população. Ou seja, jogar todos na marginalidade. 




O homem que levou Abel desabafou para ele que a Alemanha estava prostrada, o governo colapsado e sem saber para onde ir, hiperinflação. Nesse ano, foi também o ano do golpe fracassado de Hitler chamado se Putsch da Cervejaria (ou Putsch de Munique). Foi no mesmo mês do filme que Hitler teve seu golpw fracassado. 

Em 1923, Adolf Hitler era extremamente agitado, radical e encontrava-se em um momento de intensa atividade política, culminando no fracassado golpe de Estado conhecido como) em novembro daquele ano. 

Não era ainda o auge do nazismo, mas já demonstrava o declínio da república de weimar, uma espécie de prévia e laboratório o que aconteceria depois de 1933. Uma certa normalização institucional do desumano. 


A música e a cantoria escondiam o contexto de depressão econômica e social. Até que uma pessoa se mata e interrompe o clima entorpecedor. Explica como ele fez essas cenas de teatro de época tão bem, essas muito bem produzidas imitando teatro de rua e shows de cabaré. São cenas muito bem feitas pelo mestre das produções teatrais. Bergman era muito um diretor formado no teatro. 





Por isso que esse filme tem uma imaginação e produção desses espetáculos de época, de diversão nada conservadora e até vulgar, mas essa expressão cultural expressava uma decadência econômica e social. Havia apenas emprego nesse tipo "negócio sujo" porque o dinheiro vinha do estrangeiro. 

O filme é ambientado na Alemanha. Mostra  como o problema econômico pode estar ligado intimamente com as causas sociais de grandes alterações históricas. Como os ricos tinham todo o poder por causa da hiperinflação, Alemanha virou um grande cabaré desmoralizado onde apenas o dinheiro estrangeiro comandava. 






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