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Avenida Brasil (2012): Análise e resumo da melhor novela dos últimos anos da Globo

 


Avenida Brasil (2012) narra a historia de Rita/Nina (Débora Falabella), que retorna da Argentina com a missão de se vingar da ex-madrasta, a vilã Carminha (Adriana Esteves). Após ser abandonada em um lixão na infância, Rita se disfarça de cozinheira para se infiltrar na família de Carminha, agora casada com o ex-jogador de futebol do Flamengo e do Divino, o Tufão (interpretado por Murilo Benício). A novela foi a última a atingir a audiência quase que total da população e ganhou até uma versão turca dela. 



Essa grande novela foi escrita por João Emanuel Carneiro, com a colaboração de Antonio Prata, Luciana Pessanha, Alessandro Marson, Márcia Prates e Thereza Falcão, teve a direção de Gustavo Fernandez, Thiago Teitelroit, Paulo Silvestrini, André Câmara e Joana Jabace. A direção geral foi de José Luiz Villamarim e Amora Mautner. com a direção de núcleo de Ricardo Waddington. 


Elenco contando com nomes de peso como Débora Falabella, Adriana Esteves, Murilo Benício, Cauã Reymond, Marcello Novaes, Vera Holtz, José de Abreu, Eliane Giardini, Marcos Caruso e Heloísa Périssé no elenco principal.


Em apenas seis meses de novela, havia atraído procura pelos direitos de exibição foram licenciados em 106 países e, posteriormente, em outros 24, somando 130 países.A novela já foi licenciada por 150 países, e dublada em 19 línguas, como espanhol, árabe, grego, russo e francês. Mostrando uma força absurda da novela. 



Eu adoro ver novelas (as boas). Mas gosto mais das adaptacões de livro como Cabocla, Tieta, Porto dos Milagres, ou as novelas de Antonio Calmon ou Manuel Carlos. Mas essa aqui é um exemplo de novela do tipo "Rio de Janeiro", que vendem aquela ideia de sociedade extremamente hipócrita e desigual. 


Não sei se é verdade, mas corre um boato junto a reprise da novela, de uma continuação de Avenida Brasil. O que seria difícil de amarrar com tantos personagens marcantes para se lembrar. Imagina? Ver como está Carminha hoje, ou se Nina e Jorginho ficaram juntos mesmo. 

Nina começa a trama muito correta, ela é a heroína do cabelo curto, heroína tão inteligente quanto a vilã. Sendo um pário duro de duas mulheres que tem uma rivalidade histórica que vai ser exposta aos poucos.


A história da Carminha lembra para mim a historia da FlordeLis (apoiadora de Bolsonaro) completamente. A deputada que matou o marido e que havia adotado diversas crianças e que até fizeram um filme na época sobre essa história. 


Carminha é também ligada ao conservadorismo e queria lançar carreira política por ser agora filantropa ela mesma. Usa aquelas roupas brancas de madame, de "novos ricos" e a casa deles é muito essa coisa dos "novos ricos" e sem tradição. Então essa família vai aprender com a empregada deles sobre cultura, livros e arte. Essa é a grande ironia. 

Avenida Brasil foi uma febre. Todos babavam por Suelen ao som de Calcinha Preta, todos queriam comprar o brinco dela gigante. A novela tinha um elenco enorme e diversificado.  Lembro sa música de Nina e Jorginho que passa a ser a música linda "Depois" da Marisa Monte. 


A verdade é que o Brasil tem uma tradição opulenta de fazer novela. Mas nos últimos tempos, ninguém tem acompanhado tanto as novelas globais. Muitos da direita apontam um suposto identitarismo forçado. Mas não acho que seja isso exatamente o que falta na casa. 


Acredito que a falência das boas novelas vem de fatores claros, a Globo renovou sua estrutura e tirou os dinossauros antigos (alguns maus, alguns bons), mas o que importa é que a escrita tem sido rasa e óbvia e direção automática. Nada é pensado com realidade, paridade histórica. É para sempre? Talvez não. 


A globo tem qualidade pra voltar com isso? Voltar com o padrão Globo? De ser vista em outros países e influenciar culturas. Agora nem mesmo o João Carneiro (autor dessa novela) ou até Glória Perez acertam mais na fórmula deles. 

Eu culpo na desigualdade social. Pararam de querer fazer o "núcleo dos pobres" que sustentava qualquer novela.  As novelas passaram a ser uma coisa sobre plots e enredos sobre juventude e problemas ao estilo gravidez na adolescência ou diferenças práticas de ricos e pobres. 


Basta lembrar o impacto da primeira versão de Escrava Isaura no mundo, febre na Rússia e em Cuba. Podemos lembrar do sucesso de várias novelas marcantes da Globo. Mas nada ainda superou Avenida Brasil, era direção e texto em diálogo absoluto. 


Atuações absurdas, roteiro não clichê. Referências a livros clássicos e uma progressão de tropo que faz aos poucos a gente ver o lado da vilã e questionar um pouco toda a teodicéia de vingança de Nina. Será que ela não aprendeu a ser parecida? Já que ela mente e manipula como Carminha? 

Estava assistindo Velozes e Furiosos na Globo e tocou a música tema da novela. Esse era o filme deles aqui no Rio de Janeiro. A musica da novela e o clima de baile charme atualizado no Divino davam um toque de mundo fechado.


Onde que é a tal da Avenida Brasil? Não sendo apenas uma via do Rio de Janeiro, é um eixo simbólico da vida urbana do Rio se Janeiro como um todo. Criada no governo Vargas, é talvez a faixa que mais liga a vida urbana da cidade com a baixa flumimense, tem o castelinho da Fiocruz, tem a ilha, tinha nos anos 1930 até mesmo um aeroporto. Tudo está nessa avenida. 

Até eu já trabalhei próximo dessa via. É a avenida que liga o rio da baixada fluminense e também a grandes conplexos urbanos e favelas, ligando todos os pontos do Rio de Janeiro, por isso faz sentido uma novela que foque em um título toponímico (nome de lugar). 


A Avenida Brasil não é só uma via — é praticamente um eixo simbólico da vida urbana do Rio de Janeiro. Ela mistura infraestrutura, desigualdade, mobilidade e cultura popular de um jeito muito particular.


O Divino seria o bairro e clube de futebol que havia ganho o  a taça do Estadual e feito historia no ano exato que o Brasil perdeu pro Uruguai na Copa de 1951. Mostrando que é um daqueles clubes que ao qusse chegar lá sempre são mercado para jogadores novos e o sonho maior para esses jogadores é jogar em um clube como o flamengo. 

É uma novela incrível. Começa como um filme, em 1999, Tufão ganhava o Brasileirão pelo Flamengo, cria do Divino (lugar na Baixada Fluminense similar a Madureira), havia conseguido ser jogador do Flamengo e ganhar títulos.  

O núcleo Baixada Fluminense é ótimo, toca aquela música "O meu lugar" de Arlindo Cruz. Tem atores e uma mescla muito original que faz a novema debater alta cultura e cultura popular. Nina dá listas de livro pra Tufão lê e todos brincam que é pra ele perceber com literatura que era traído e enganado pela mulher todos esses anos. 

Tufão era noivo de Monalisa, de origem nordestina, cabelereira e apaixonada de verdade por ele e pelo bairro. Mas ela é manipulada junto com todos quando Carminha consegue seduzir Tufão. Ela estava grávida de Ágatha, que todos achavam já que era de Genésio. 

Monalisa adotou um filho, e ganhou dinheiro fruto do negócio que passou a ter com Tufão, de marcas e produtos de beleza. 

Jorginho (Batata) (Cauã Reymond) era o menino que se apaixonou por Rita antes dela virar Nina. Ele sse conheceram no lixão e se separaram quando Jorginho foi adotado por Tufão sem que este soubesse que ele era filho biológico de Carminha. 


Mas sua sorte acabou quando atropelhou Genésio, o pai de Rita/Nina. Antea que morrer ele fala o nome de Carminha, mas morre antes de poder revelar seu carácter Tufão fica cheio de culpa e promete cuidar da sua viúva. Que é a vilã da nossa história. 




O ano era 2012, governo de Dilma, a primeira presidenta da história do Brasil e o protagonismo era feminino. Adriana Esteves sempre foi uma das melhores atrizes da Globo, flutuando sempre bem no humor e no drama sem nenhuma estranheza nos dois caminhos. Débora que vinha de maestrar as mocinhas, quem lembra dela em Lisbela e o Prisioneiro ou Sinha Moça (novela histórica). Aqui ela não é mais uma mocinha bobinha. Aqui ela tem agência e propósito. 


Nessa novela, a novela dos memes, do "me serve, vadia", o doce de mamão em compota e tantos outros, nós temos uma escrita e um roteiro incriveis que captam a ironia, a desiqualdade social e mesclam os núcleos de zona sul com a história de Cadinho e de suas três esposas. 

A novela primeiro mostra como os golpes aconteceram. Mostra Rita tentando avisar o pai que iam roubar a sacola de diinheiro. Ele consegue evitar isso mas vai ao encontro de Carminha e acaba sendo agredido por ela. Ele é atropelhado quando está aturdido tentando voltar pra casa. Assim ele é atropelhado e Carminha ao saber que foi Tufão usa isso para chantegear emocionalmente ele e o seduzir também. 

Nina foi adotada por uma rica família argentina mas de origem italiana, virou chefe de cozinha e fala vários idiomas, mas nunca esqueceu a madrasta aue lhe roubou a herança e ainda a jogou no lixão. 


Jorginho é um personagem interessante, ele te j9ga em um clichê óbvio, jogador de futebol, mas entrega um cara com princípios e até que inteligente, ele não gosta de Carminha e sempre quer desmascarar a própria mãe. 


Ele é noivo de Débora (Natália Dill) e parece bem comprometido, mas ele nunca esqueceu de Nina e quando ela aparece ali, mesmo sem saber que era ela, ele passa a ter dúvida ssobre sua noiva. Jorginho é jogador de futebol mas não é o clichê de burro que se espera, por isso também gostava de Débora e nunca dava mole para tipos como Suelen. 




Débora, a noiva toda fofinha e de classe alta de Jorginho que faz balé.  Débora é por sua vez a filha de Cadinho com a esposa "capitalista" dele, a primeira esposa. Cadinho como já falei, tem três esposas a primeira com a capitalista interpretada pela Débora Bloch, a segunda com a esquerdista interpretada pela Camila Morgado e a terceira esposa que é feminista interpretada por Carolina Ferraz e tenta afastar cadinho da filha Paloma que o conhece como amigo da mãe, dizendo pra todos que é produção independente. 


Legal é quando Cadinho perde seu dinheiro e tem que se mudar pro Divino e ainda unificar e morar com as três famílias. 



Vale lembrar que Cadinho (meu personagem favorito) tem três esposas, interpretado pelo Alexandre Borges, um ator que sempre interpreta o cafajeste. 





Vale menção a Lelebe, pai de Tufão interpretado por Marcos Caruso, um ator que não tem a ver com o personagem, aí tem a nova namorada dele, a musa da chapinha Tessália (Débora Nascimento) e quer fazer concurso pra professors e vem de do interior de Cachoeira de Macacu. 


Aliás, que seleção de atores mágica. Todos novos ou velhos muito trabalhados em um realismo que não existe mais nas novelas modernas. 


Carminha abandonando Rita no lixão. 


Sobre descrever e criticar o Rio, apenas perder em escala e roteiro para Paraíso Tropical (que tinha Wagner Moura e Camila Pitanga). Essa novela tem algo de livro nela. Ela conta uma estória em detalhes, de como uma golpista manipulou e dominou e ainda manteve uma mensagem de mãe conservadora. 

Há também um lado que questiona a vinganca de Nina. Ela já tinha uma família, tudo de bom, a vida deu a ela tudo, mas ela queria, como a própria Carminha, a aniquilação da outra e o jeito que ela fez isso foi se infiltrar na casa. Monalisa sofreu preconceito da mãe de Tufão por ser de origem nordestina. 


Por isso ela gosta tanto de Carminha, uma "branca e loira" para ela uma nora ideal. Mal eles podiam saber que Carminha havia levado Max (seu antigo amante) para viver debaixo do mesmo teto que Tufão. 



Monalisa, uma mulher de ouro que Tufão perdeu por cair nas manipulações de Carminha.

Rita com Batata (Jorginho), eles se casam antes dela ser adotada pelo casal argentino e ele pela própria mãe. 

Tufão recebe um bilhete que sua esposa o engana. 


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