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Casablanca (1942): O que faz esse filme um clássico atemporal?



Casablanca é um filme americano de 1942, dirigido por Michael Curtiz e estrelado por Humphrey Bogart, Ingrid Bergman e Paul Henreid. Filmado e ambientado durante a Segunda Guerra Mundial, o filme foca em um expatriado americano (Bogart), ele precisa escolher entre seu amor por uma mulher que conheceu em Paris (Ingrid Bergman) e ajudar o marido dela (Henreid), um líder da resistência tchecoslovaca, a escapar da cidade de Casablanca controlada pelos alemãs, para continuar sua luta contra os nazistas. 


Para Roger Ebert (o maior crítico de cinema) o maior filme já feito. Para os amantes do cinema, o retrato de um romance classe A. O filme é diferente porque todo filme de romance parte do romance e daí ao problema, em Casablanca é refletida em suas possibilidades e limites éticos. 


O filme funciona por ums experiência quase sensorial de sentimentos e perda. Primeiro vemos quem é Rick (um ser dos meandros) e depois conhecemos a história de heroísmo e perseguição contra o marido dela e que ele estava em um campo de concentração enquanto Rock conhecia ela em Paris. 

Tem uma inclinação de influência aqui e todos acabam apreciando o filme pela sua impossibilidade narrativa e por mostrar uma estética poderosa mas que é ciente de si e de certos limites. Rick não é um heroi, mas ao longo do filme ele se torna aos poucos. A história não pode ser romântica de verdade pois começa em uma traição. 




 Porque não quer também ficar na história do lado errado e isso faz ele abdicar do amor de sua vida. É uma lição de ética dificilmente reproduzida em cinema. Uma reflexão e uma história que de tão funddamentada só poderia mesmo ser herdeiro de um roteiro de teatro. 

O que mais é impressionante sobre esse filme é o seu caráter político e partidário. Uma propaganda aberta e em forma de grito contra o fascismo e o nazismo, no exato ano de entrada dos Estados Unidos na Segunda Guerra. 




Há de se ponderar, o que fez os EUA ficar do lado dos mocinhos? uma conjuntura de fatores, mais ligado até com a luta contra o Japão e a parte das ocupações e bases militares no pacífico, sempre tão fundamental aos americanos. Por isso que era aberta e em 1942, ainda havia desconfiança para personagens como Rick, que não queriam voltar pra casa. 

A peça que inspirou o filme foi uma lenda por por não ter sido realmente adaptada por censura da época para temas considerados pesados. Era uma peça “não produzida” mas muito comentada. 


Os autores eram Murray Burnett e  Joan Alison. Fazendo Hollywood através da Warner Bros.,  comprar os direitos para o filme em 1941 por cerca de 20 mil dólares. Isso mostra o "cinema sendo mais teatro que o teatro" ao salvar um roteiro perfeito para um filme inesquecível. 


O editor Irene Diamond convenceu para que se comprasse os direitos da peça de teatro que inspirou o filme para facilitar a produção em 1942. Filmagens começaram dia 25 de Maio de 1942 temrinando em 03 de Agosto. Os roteristas que fizeram esse filme estavam na época trabalhando em um projeto de série do Frank Capra. O elenco de apoio inclui Claude Rains, Conrad Veidt, Sydney Greenstreet, Peter Lorre e Dooley Wilson.

O filme foi feito também para as campanhas a favor dos aliados e a invasão ao norte do Norte da África. Explicando assim até o nome do filme e a história retratar essas antigas colônias francesas. 

Explicando com contexto real algo que virou uma estética em Hollywood, a estétics orientalista de algum lugar diferente, principalmente em épocas de crise econômica, mas não exatamente sendo o caso do filme que estrutura muito bem as motivações dos personagens em estar ali, Rick fugia de ser perseguido nos EUA, visto como comunista na pessoa de um comerciante que lavava as mãos de política mesmo sob o regime Vichy. Mas logo resolve trair a sua própria neutralidade ao ajudar o casal a fugir. 


Há que se pensar mesmo. Se o regime já havia dominado Polônia e Paris, quem era procurado como Rick fugiu para locais do mesmo passaporte francês. O filme foi um sucesso e se tornou o filme de romance mais comentado de todos os tempos, com frases icônicas e elementos copiados em tantos outros filmes. O filme criou tropes, não apenas seguiu. Foi brutalmente honesto com seus personagens e debateu abuso, autoridade, amor e gênero humano no geral. 

Casablanca ganhou Melhor Filme (claro), Melhor roteiro, e ainda marcou com uma trilha-sonora também de peso e marcante. Foi eleito em 1989 selecionado para a biblioteca do congresso americano.  


O filme entrará em domínio público em 2038... Esse é um dos filmes que tudo se encaixou de maneira perfeita. Um clássico dos clássicos mesmo. Ele preserva o amor no gênero humano separando o casal, demonstrando que ficar junto não é tudo, também importa a forma disso. 

Rick poderia ter tido seu final feliz, mas ele ia ser um colaboracionista e isso ele nunca fora. Rick lutou na Espanha ao lado dos republicanos, ajudou na Etiópia com armas, disse que era por rebeldia e que esqueceu, mas fica claro que a decepção amorosa ajudou ele a esquecer durante um tempo a ideologia. 


Filme com o grande Bogart (dos filmes clássicos de detetives como O Falcão Maltês)a Ingrid Bergman que como é falado no filme, é uma das mulheres mais lindas que já existiu. Os dois atuam muito bem e Bogart dá todo o tom politico que iria embora se não fosse um ator tão marcante em papéis sérios. 


Um filme político em seu romance, inspirador em sua ideologia. Mostra claramente o preço de achar que pode se ignorar o nazismo. Um filme tão bom, tão o melhor filme de romance já feito por representar toda a memória afetiva americana que entrava ao lado dos aliados na guerrs em 1942, mesmo ano so filme, por isso o impacto. 


Uma virada realista do cinema romântico. Bogart interpreta Rick, um antigo herói que se desiludiu e agora é dono de um bar no Morrocos. Ali é onde eles se encontram depois de ter vivido com a moça um romance tórrido em Paris. 




Uma das frases mais icônicas já ditas que viraram da cultura pop é  "Nós sempre teremos Paris" ("We'll always have Paris") algo que todos brincam ao se lembrar do filme, como uma referência de uma Europa realmente livre e liberal. O filme é bom por mostrar diretamente como que os sentimentos e humores americanos eram diferentes dos da Alemanha nazista. 

Porque a posição dos EUA na frente dos aliados surpreendeu a muita gente na época. Por isso esse filme é uma propaganda pró aliados que deu certo em um nível marcante. Além de ser uma das mais bonitas lições éticas e sentimentais em um romance de todos os tempos. 


Um clássico difícil de esquecer e equiparar. Um romance para além do simples romance. Um marco de Hollywood mandando uma mensagem direta e influente no mundo, original também. Demonstrava a seriedade de quem levava cinema a sério. Por isso foi o filme do ano e também ganhou o principal Oscar. 




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