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Moça com Brinco de Pérola (2003): A Intimidade da Luz em Vermeer

 



Moça com Brinco de Pérola (Girl with a Pearl Earring, 2003). Um relato sobre a criação da famosa pintura de Vermeer e o seu relacionamento com uma serva que lhe serviu de modelo. Colin Firth, Scarlett Johansson, Tom Wilkinson, Judy Parfitt, Cillian Murphy, Essie Davis, Joanna Scanlan, Alakina Mann. 


Estamos aqui no blog com uma ideia de fazer de filmes que reflitam um pouco a audiência que temos, e temos muitos views que veem da Holanda, então, como eu mesmo admiro muito esse país, pensei em um texto que pudesse falar sobre as tradições artísticas fortes que os países baixos possuem. 

O filme "Moça com Brinco de Pérola (Girl with a Pearl Earring" é um filme de dirigido por Peter Webber, com roteiro de Olivia Hetreed, inspirado na novela de Tracy Chevalier, Scarlett Johansson interpreta a serva Griet que foi a modelo do quadro, uma jovem no século 17 na casa do pintor Johannes Vermeer, sobre o quadro Girl With a Pearl Earring (1665). 


Curiosidades do filme: Inicialmente era para ser Kate Hudson a garota do quadro, quando a autora vendeu os direitos do livro para o filme. Mas quando Kate saiu do projeto, Mike Newell que ia dirigir também, acabou engavetando o projeto. Até que contrataram Webber para dirigir. 

O diretor de fotografia desse filme é um português, Eduardo Serra, que também fez Corpo Fechado, de M. Night Shyamalan; Harry Potter e as Relíquias da Morte (Partes 1 e 2). 

Eles queriam evitar aquele estilo BBC teatro e optaram por um diretor português por reproduzir melhor o esquema de cores das pinturas de Vermeer que puxa apra o barroquismo. 


Quem foi Vermeer? E o barroco holandês. 


Johannes Vermeer (1632–1675) foi um renomado pintor holandês do Barroco, famoso por pintar por suas cenas de gênero intimistas, uso magistral da luz e atmosferas calmas. Nascido em Delft, produziu poucas obras e morreu em dívidas (cerca de 35 reconhecidas), destacando-se "A Moça com o Brinco de Pérola, que é o tema desse filme. 




Na cena que ele pede pra ela possar pra ele, ele pede pra ela trocar seu véu branco por um turbante com cores mais vivas, azul e amarelo. A jovem concorda de maneira relutante e talvez a pergunta é se essa timidez e ousadia fora intencional por parte do pintir ao compor a cena. A mesma dúvida paira sobre Da Vinci com a Monalisa. 

 O detalhe que faltava o brinco de pérola. As cores e a luz mostram uma ideia de movimento, que parece capturar algo do pensamento da jovem, e algo da relação, musa-pintor também. Havia uma diferença, a empregada era calvinista, protestante e Vermeer era um católico convertido. Mostrando os católicos então como mais abastardos e ligados as artes. 

É interessante notar uma tradição nacional refletida na obra do artista. Vermeer foi um pintor do século XVII que pintava com realismo, pessoas, personalidades, objetos, um estilo doméstico, mas íntimo e original. 

O barraco holandês e o realismo desse traço já surgiam fortemente no século anterior nas pinturas de Pieter Bruegel. Aqui, o traço doméstico e os perfis de personalidade dominam sobre as paisagens desordenadas e urbanas do século anterior. 


O filme lucrou bastante e foi aclamado pela crítica pela técnica de fotografia e também pela trilha-sonora. Embora alguns apontassem pontos desfavoráveis da trama. 



A alcoviteira (1656).


A Holanda vivia um século de riqueza e ouro, facilitando as trocas comerciais e a região virar grande polo de comércio. Era o início de uma era de grande prosperidade para os holandesez e isso refletiu nas artes. 


 Para entender esse processo de prosperidade holandesa, podemos recorrer ao Bernard Mandeville e A Fábula das Abelhas", seria a ideia de que vícios privados geravam benefícios públicos", por isso a crescente tradição de trocas comerciais havia dado aos holandeses um excedente financeiro que acabou fazendo de lá não apenas importantes polos comerciais, mas artísticos também. 


Por isso que o causo da empregada e a intriga histórica sua angelical expressão denota exatamente essa frase do Mandeville. Mostra também como pinturas carregam uma história própria e podem retratar toda a atmosfera d euma época, em sua introspeção, ás vezes apenas com um auto-retrato ou retrato de uma pessoa simples. Seria Vermeer o criador da ideia de selfie ou foto de perfil? 


Por isso, se no século XVI, havia muita morte e folclore na Holanda de Bruegel, em Vermeer, há uma ordem do cotidiano, das profissões e uma certa visão de dentro de casa e do ordinário. 

Os pintores usavam de novas técnicas e instrumentos ópticos, uma espécie de proto câmera escura, que já conta como proto técnica de fotografia. Quero dizer, a luz era tão específico, que já era ensejado algo da técnica de cinema.





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