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Menino do Rio (1982): Uma filosofia das praias cariocas - Entre a liberdade e a responsabilidade

  



Valente é surfista e praticante de voo livre. Ele trabalha Pepeu (jovem que conhece que passava fome na praia) na sua oficina de pranchas de surf. Durante um luau, Valente conhece a rica e sofisticada Patrícia, por quem se apaixona. Apesar de todos os obstáculos, Valente e Patrícia engatam um romance. Menino do Rio é um clássico do cinema brasileiro dos anos 80, um retrato da juventude da época,  do surf e o estilo de vida carioca. André de Biase como Valente, Claudia Magno como Patrícia, Evandro Mesquita (da banda Blitz), e Ricardo Graça Mello, Cissa Guimarães e Claudia Ohana. Diretor do filme Antônio Calmon (formado em sociologia) e foi criador e diretor da novela Vamp e Beijo do Vampiro


O filme é da produtora públixa da época, Embrafilmes. Acompanhamos Valente, um jovem surfista do Rio de Janeiro que vive uma vida leve, despreocupada e totalmente conectada ao mar. Ele conhece Patrícia, uma jovem de classe alta, criada em um ambiente mais rígido e conservador.


 O filme elabora uma ideia de "profissionalização do surf", uma forma de ética protestante do trabalho, que não dá certo pra Pepeu pois surf é mais vocação do que trabalho que se pod eensianr a qualquer um. Mas o filme mostra isso de uma maneira bem bonita. 

Vale lembrar que o nome "Patrícia" é sinônimo na cultura popular no Brasil para garotas de alta classe, as "patricinhas". Valente também faz sentido pois representa esse lado positivo e alegre da cultura da praia e do surf (como um mundo a parte, viagens para cantos como Saquarema, além do hábito de voo livre e asa delta. 


Patrícia é frívola e da elite, faz balé e tem casamento marcado com um estudante de engenharia da PUC. Sua amiga lê livros como "O Relatorio Hite", um denso estudo sobre sexualidade feminina. Enquanto Valente está pensando em viajar pro Hawaii.  



Sempre essa ideia de felicidade, curtir a vida, mas ao mesmo tempo, com o preço que se paga por essa liberdade em uma cultura ainda no fim da ditadura (ditabranda) e como a nova geração tentava criar identidade e sobreviver aos traumas do medo do conservadorismo e do moralismo. 


Os dois se apaixonam, mas o relacionamento enfrenta conflitos por causa das diferenças sociais, culturais e de estilo de vida. Enquanto Valente representa liberdade e espontaneidade, Patrícia vem de um mundo de regras e expectativas.

Isso é muito significativo, pois o filme foi inspirado em uma história real, do surfista José Arthur Machado, um jovem famoso nas praias que acabou morrendo no mar. O filme leva o nome da antologia música de Caetano: "Menino do Rio". 







Apesar do filme refletir cultura e hábito profundamente, tem um tom pessimista de "fim dos tempos", como se algumas pessoas tivessem composições impossíveis de se misturar. 




Mesmo assim mostra os costumes hippies, o hábito de se aventurar dos jovens e rir da cara do perigo. Há também a análise do lado trágico disso. Quando se reflete que aqueles que viveram perigosamente viveram pouco também. 



Valente vive surfando, curtindo a praia e evitando responsabilidades tradicionais. Ele conhece Patrícia, e há uma atração imediata entre os dois. O romance cresce, mas enfrenta resistência, especialmente do pai dela, que desaprova o estilo de vida de Valente. Em uma das cenas, o personagem de Evandro Mesquita fala em uma cena sobre os vikings lendo uma revista em inglês. 


O filme mostra o contraste entre dois polos no Rio de Janeiro, a da elite cosmopolita e das mansões fechadas e festas vips, com o contraste da vida hippie na praia que Valente levava. O contraste da elite urbana e o da juventude praiana, mais livre em consonância. Por isso que a relação do filme é frágil.



Baby Consuelo na foto com o surfista que inspirou o filme, ela que canta "Menino do Rio".



Vale lembrar da morte de um dos amigos da turma que na estória representa a pessoa de fora. No fim, depois de ser o "alívio moral" do filme, Pepeu se arisca no mar e acaba morrendo. O moço que passou fome e que era de fora, e que aprendia da cultura local, morre de repente e isso muda todo o tom do filme.



No final, a história sugere uma reconciliação possível, com aprendizado de ambos os lados. Com a reflexão que curtir a vida é bom, mas que ao mesmo tempo, a vida é curta e rara. A continuação desse filme se chama "Garota Dourada", onde vemos que eles se separaram mas tiveram uma filha

No fim do filme, vemos os colegas jogando flores no mar em homenagem ao amigo que morreu no meio das ondas. O casal termina, mas quando Pepeu morre e Patricia vai para se casar, Valente aparece de asa delta no casamento e rouba Patrícia. 

O interessante é ver tantos atores que depois fizeram tanto Armação Ilimitada quanto trabalharam em diversos filmes nacionais, e depois participaram de malhação, como o próprio André de Biase na figura de "pais" da nova geração. 





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