A Visão do Paraíso (1959), de Sérgio Buarque de Hollanda: Do Éden Tropical à Cordialidade Brasileira
Sérgio Buarque foi o maior pensador e estudioso, e sociólogo brasileiro. Embarcamos e analisamos suas principais teorias. Na sua teoria, analisamos O Novo Mundo e o Brasil, que passaram a ser o “paraíso terrestre” dos novos colonizadores e mais do que um mito distante (a do éden tropical), a visão sobre um paraíso funcionou como uma lente de interpretação do qual viajantes, cronistas e lançados interpretaram a América Latina(especialmente o Brasil) como uma terra fantástica de abundância e redenção. De um lado viam como espaço selvagem a ser domado, de outro se frustravam com a falta de domínio efetivo e total sob o território brasileiro.
Sérgio Buarque foi o maior intelectual brasileiro (da biblioteca lotada, dos perfeitos ensaios geniais). Ele foi além de hiatoriador e sociólogo, representante da cultura brasileira pelo mundo.
Aqui no blog, já falamos de sociologia várias vezes em artigos sobre a História da Sociologia no Brasil I e História da Sociologia II. Onde abordamos a origem da análise sociológica no Brasil e as principais tendências.
Ele entrevistou na Alemanha o escritor Thomas Mann, e foi com isso que descobri também que o escritor alemão que eacreveu "A Morte em Veneza" teve uma mãe brasileira, fato documentado em sua entrevista.
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| Livro de crônicas politicas e reunião de opinões e artigos organizado por Francisco de Assis Barbosa. |
Sérgio Buarque teve muitas obras nacionais definitivas da sociologia. Seguia o método weberiano e criou assim a versão da ética protestante ao Brasil, a mesma correspondência com ideia do tipo ideal do "homem cordial".
Já a teoria da cordialidade (é uma referência a sua principal obra e livro), remontando as raízes da colonização e a diferenciação entre a nossa colonização pra colonização da América Espanhola, e a melhor comparação, a com a colonização e escravidão nos Estados Unidos em Raízes do Brasil (1936), ele faz essa comparação muito sábia, entre o ladrilhador e o semeador. O ladrilhador seria o modelo americano, e o semeador (modelo do Brasil).
Mas isso não evitava os conflitos ou fazia da colonização mais leve. Os lançados ocuparam a parte litorânea enquanto o apressamento indígena moldava a colonização do interior do Brasil, com o sucesso de São Vicente e Pernambuco.
A relação entre a obra "Raízes do Brasil" e os Estados Unidos é feita por Sérgio Buarque de Holanda através de uma comparação de modelos de colonização. Uma seria a do semeador lançado (sem causa, responsabilidade e consequência) e foi assim que os portugueses nos colonizaram. E outra do ladrilhador (com esquadrinhamento e planejamento).
Os portugueses eram tão cruéis que havia proibição ao estudo e criação de universidades e centros de formação, que não existia por parte da Espanha na América Espanhola (criando uma cultura de eterna burrice no litoral no Brasil), por isso parece para todos que o Brasil foi primeiramente ocupado apenas por sua faixa litorânea.
O autor utiliza a oposição entre o Ladrilhador e o Semeador para explicar por que as sociedades da América Latina (colonização ibérica) e da América do Norte (colonização inglesa/protestante) seguiram caminhos tão diferentes. Sérgio foi o primeiro a observar as diferenças específicas de colonização.
Mas voltando ao Raízes do Brasil. Vale fazer um adendo de um livro pouco conhecido, um livro de crônicas e escritos políticos de Sérgii de quando era correspondente. Vale não confundir com o classico dos clássicos Raízes do Brasil.
Em Visões do Paraíso, o imaginário da utopia na Europa como em Thomas Moore e Montaige imaginou e comparou por um suspendendo as noções de superioridade europeia.
O tema intimo do livro é o "olhar estrangeiro" sobre a cultura e o peso disso. No Sérgio observamos que a cultura europeia que criou escola e desenvolveu uma certa cultura de intimidade e personalismo que define as relações humanas.
Sérgio observa então que esses traços vieram do iberismo e dos portugueses e não dos brasileiros locais e foram transferidas pela colonização ao aparato burocrático brasileiro.
Sérgio, além de ser o pai de Chico Buarque (o maior compositor brasileiro de todos os tempos), é o melhor e mais racional leitura sobre a História do Brasil. Uma visão detalhada de quem leu muito e já escreve um ensaio livre, mas cheio de fontes e referências.







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