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AC/DC: "Power Up" é mais do mesmo... Que bom!

 


O ano de 2020 e a pandemia mundial não fizeram muito bem para o mundo do Rock, que já andava de pernas bambas faz tempo. Com o cancelamento de shows, festivais e discos já programados, o ano foi um banho de agua fria no gênero que míngua poucos lançamentos e novas bandas. Foi nessa esteira que os veteranos do AC/DC lançaram seu mais novo disco, "Power Up", que pouco inova na sonoridade, mas traz a essência do hard rock clássico, pouco encontrado em nossos dias


Existem coisas que quanto mais inovadoras, como tecnologia e saúde, melhor. Em outras, a inovação pode simplesmente retirar a essência da ideia original.


Isso é uma grande verdade para quando falamos de cultura, principalmente quando falamos de música. Uma banda de rock sem guitarra pode ser inovadora, mas dificilmente considerada um clássico por justamente por romper com algo que faz parte da base estrutural daquela cultura. 


Muitas bandas de Rock inovaram no século XXI.  O White Stripes trouxe, por exemplo, um som feito exclusivamente por guitarra e bateria. Um som cru e pouco acabado que por mais que tenha inovado, aderiu a aspectos clássicos do Rock e sendo reconhecido dentro do gênero.


Já Elton John, apesar de ter feito canções que se tonaram hits mundiais, sempre foi questionado por seu estilo sofisticado e suave, levando seus críticos a dizer que nem mesmo poderia ser considerado Rock. 


AC/DC foge desses dois casos e, desde o primeiro acorde do primeiro disco, sempre marcou o estilo ao se confundir com sua própria essência. Os riffs vorazes, a "cozinha" de baixo e bateria sempre firme e ritmada, passando pelo estilo e pelas letras, que nunca abdicaram do teor fantasioso; falar do AC/DC é falar do próprio Rock N' Roll em si. 


Essa habilidade de se confundir com o próprio gênero é algo que só os grandes artistas de seus gêneros conseguem. Então quando você ouve que terá um novo disco do AC/DC, por mais que as épocas e modas sempre mudem e seja tentador a inovação, você não quer que a banda perca os aspectos de sua sonoridade que tornaram a banda clássica. 


Então não é difícil sentir que passaram 50 anos, mais de 5 presidentes de ideologias diferentes, o AC/DC sempre soará como soou da primeira vez que você ouviu e o contexto ao qual a banda foi criada. 


Em pleno contexto de Guerra Fria e auge da cultura dos chamados "baby boomers", não é raro encontrar referências a guerras, crises e demônios como metáforas nas letras de rock de bandas do século XX. 


Isso mudou um pouco depois dos anos 80 e principalmente 90. Com a desagregação das repúblicas soviéticas e o fim da União Soviética, o rock assim como a música mundial assumiram um clima de "festa" e "comemoração" que buscavam reificar a suposta superioridade da democracia, representada no consenso pelos Estados Unidos enquanto modelo.


 Isso pode ser melhor visto em novas subgêneros do Rock, como o Indie, que de letras como do Black Sabbath, abordam problemas amorosos, sentimentos da vida em cidade ou simplesmente ideias ou situações imaginárias. É uma forma de compreender a música, nem certa e nem errada, mas baseada em uma experimentação da contemporaneidade positiva. 


Porém, com pandemia, guerra informacional, conflitos e guerras com "bombardeios cirúrgicos", o universo conflituoso de guerras demônios das letras do AC/DC já não parece nem apagado e nem distante, fazendo com que os velhinhos da banda pareçam coroas muito mais antenados e atualizados que nós, jovens de smartphone ouvindo música pelo Spotify e reclamando da vida.


Power Up é o primeiro da banda sem a presença do guitarrista base, Malcolm Young, irmão do solista Angus Young e que morreu em 2017. O disco se destaca por seu clima agitado e para frente.


Uma analise discricionária das músicas é pouco necessária. Para quem já ouviu AC/DC antes ou não vale apenas a mesma dica: Ouçam o disco todo!

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