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História da Literatura Brasileira de Luciana Stegagno Picchio (Parte I): Uma análise e resumo da Literatura Nacional desde a Colonização até o Século XIX

 



Esse livro teve sua primeira edição em 1972, de uma autora italiana chamada Luciana Stegagno Picchio,(com título original La letteratura brasiliana, volume 42 da coleção, em 50 volumes, Le letterature dei mondo (da coleção A Literatura do Mundo). Da editora Sansoni-Accademia, (publicado em Florença-Milão). 



História da Literatura Brasileira de Luciana Stegagno é um livro completo, vivo em referências e fontes, capaz de ver o Brasil no mundo e o mundo no Brasil. Uma bíblia da literatura nacional em quase 800 páginas, que é até difícil resumir inteiro, mas certamente é um exercício completo de referência e que nos ajuda a situar o histórico das publicações. 


Esse livro eu encontrei em pdf em um grupo sobre literatura disponível para download. É de um livro publicado em italiano pela primeira vez em 1972 e agora amplamente divulgado. 


 Resolvi dividir e analisar as referências da autora até mais ou menos a metade do livro. Até porque já estava uma matéria gigante, achei melhor dividir senão fica difícil pra ler o texto inteiro. 


A autora fez uma leitura de fontes não apenas escritas. Abordando nos dois capítulos iniciais a literatura inicial do descobrimento e dos primeiros contatos entre portugueses e indígenas. 

Ela cita Gilberto Freyre, com a ideia de akpalô, inventor ou, melhor, construtor do alê, isto é, do enredo; e existe o arokin que é o narrador das crônicas do passado. Angola, Congo e Guiné compartilham estilos de literatura oram muito parecidas com isso. Jorge Amado eternizou as imagens quentes de Brasil e fez como Freyre ao retratar o povo brasileiro e heroínas morenas. 


Sobre o português brasileiro, ela comentava sobre ser uma língua franca, uma "koiné de costa", niveladora de características dialetais e simploficadora no nível das estrutura fonológicas. 


A modalidade brasileira do português é fruto de uma conservação de estruturas fobológicas de tipo arcaico, do português quinhentista. A contradição que ela levanta é dizer que aqui que se preservou o português antigo, diferentemente do que todos pensam. 

 

A influência da autora era embasada, com referências a Antonio Cândido e Gilda de Mello e Sousa, Alfredo Bosi (grande crítico literário), Wilson Martins, Affonso Romano de Sant'Anna. A obra dela era compatível com Guilherme Merquior, companheiro de discussões metodo lógicas, Afrânio Coutinho com seus livros de História do Brasil, Araújo Neto, Haroldo de Campos (poeta e semioticista) e, enfim, Alceu Amoroso Lima, grande intelectual nordestino.


Ela comeca o livro com uma citação famosa dos modernistas, Tupy or not tupy: that is the question. Oswald de Andrade, Manifesto antropófago, 1928. Seu método implica a leitura de "Histórias do por quê" e, do outro, de "histórias do como") . 


Isto é, discutiu-se, e com base em crité rios extra-literários, se se deveria falar em literatura brasileira desde o primeiro momento em que um europeu (português) quinhentista pôs os pés em solo americano ou se, ao contrário, toda e qualquer expressão literária local, do Brasil Colônia, devia ser considerada como simples ra mificação da cultura da mãe-pátria européia. 

Antes havia críticos que evoluíram de Sílvio Romero com seu ódio diluído a Machado, e depois a José Veríssimo. 


O texto revisa muitas obras clássicas. Desde Casa-grande & senzala de Gilberto Freire à Formação da literatura brasileira de Antonio Candido, o Literatura e Sociedade, também no mesmo tema, das Raízes do Brasil de Sérgio Buarque de Holanda à Literatura no Brasil dirigida por Afrânio Coutinho, e à História concisa da literatura brasileira de Alfredo Bosi,


1) O primeiro ciclo literário - Literatura de informação

O primeiro capítulo já ataca e volta na questão de um debate entre entre quem considera ou não o primeiro ciclo de literatura as citações d eobras e descrições dos portugueses sobre nós. 

literatura brasileira a referência ao Brasil nos livros clássicos. 

O exemplo dessa citação:


"De Santa Cruz o nome lhe poreis Camões", Os Lusíadas, X, 140 

Essa citação fala do primeiro nome que o Brasil teve, "terra de santa cruz" em homenagem a igreja. 


 "Quando o português chegou 

Debaixo duma bruta chuva 

Vestiu o índio 

Que pena! 

Fosse uma manhã de sol 

O índio tinha despido o português".


  A piada que os modernistas fazem aqui é sobre o oportunismo de fatores que ajudaram na colonização, como condições climáticas e doenças que aceleraram a morte dos nativos que aqui viviam. 


Depois do século XIX e da morte de Machado de Assis, a literatura tomou contornos amazonenses, com Mário de Andrade  Macunaíma e o Raul Bopp com Cobra Norato. 

 Ao retomar as fontes literárias da Idade Média em comparação. Os temas de luteratyra de cordel (chamada de literatura menor), divulgada por cantadores (repentistas) e divulgada em panfletos populares. Lembram e muito o estilo do conto hagiográfico. 


Nomes como Nicandro Nunes da Costa, Leandro Gomes de Barros ou Silvino Pirauá Lima eram essa figura de trovadores (rimadores) populares. 

É na literatura de Jorge Amado, de José Lins do Rego (regional) que havia a preocupação em relatar essa "malandragem, oralidade popular" nas receitas, as expressões regionais, os palavrões, tudo era válido para fazer o povo ler. 

E do folclore popular, temos o Bumba-meu-boi (com um poeta como Murilo Mendes, extraindo o título e o assunto de um auto seu, Bumba-meu-poeta). 


As migrações internas, a tentativa de escravidão indígena, o desbravamento do interior fizeram o primeiro ciclo de brasileiros natos. Já o nativo brasileiro era desígno utópico sos padres jesuítas. O tupi guarani (nheengatu "a língua boa" como era conhecida). 


Assim foi traduzido pelos padres os primwiros dialetos e língua local com bases gramaticais em latim as primeiras gramáticas que registraram o guarani. 


Adorando nos domínios da igreja católica como língua oficial do lugar. Até ocorrer a proibição da língua guarani e a expulsão dos jesuítas. Mas pelas incurssões ao interior, o guarani sobrevivia adentrando novos territórios brasileiros (até a época de 1700). 

Outra informação que a autora trouxe pro debate é sobre a carta de Pero Vaz de Caminha (primeiro documento de descrição do Brasil), ter sido guardada em sigilo na torre do tombo até o século XIX. 


 Podemos comparar essa literatura de descrição de viagens com o livro Visão do Paraíso de Sérgio Buarque de Holanda


Os primeiros nomes do nosso país tiveram a ver com esse tipo de visão. Aqui vale lembrar da figura dos crônistas viajantes, como (Hans Staden, André Thevet, Jean de Léry, Antoine Knivet. 



Primeiro nosso país foi chamado de Terra de Vera Cruz, Santa Cruz, Terra ou Ilha de Vera Cruz, Terra dos Canibais, Terra do Pau Brasil, Ilha Brasil, Peru-Brasil, América-Brasil, Braxil, Brazil, e finalmente, Brasil.


Depois de Pero Vaz de Caminha, que fez uma "venda" do paraíso para a monarquia. O segundo livro foi escrito em 1530,  Diário de navegação da armada. Publicado em 1830 por F. A. de Varnhagen (esse nome conhecemos a fundo).  


Os jesuítas chegam ao Brasil em 1549. São sete, guiados pelo padre Manuel da Nóbrega, e acompanham Tomé de Sousa, primeiro governador geral. 

Acompanhamos a descrição do estabelecimento da primeira capital, em Salvador, Bahia. Até então, Portugal queria focar em fazer negócios negociando as especiariais do oriente com a Índia, explicando o "atraso" inicial na empresa colonizatória (uma tese que eu não concordo exatamente), afinal já havia disputa com corsórios franceses no Rio de Janeiro e o "descobrimento" não fora acidental, como a história oficial constroi. 


Se formos buscar ainda mais distante na imaginação literária, uma "ilha brasil" já aparecia em mapas do século  XIV e XV, colocava ao oeste da Irlanda ou uma suposta "terceira ilha dos Açores", visto em Mapa Pizzigani,  de 1367.  A grana (madeira) de brasile já aparecia em 1198 por Muratoni "Antiquitates Italicae". Assim parece que herdamos o nome do nosso país da árvore, parecido com o caso da Ilha da Madeira. 



 Nóbrega (1517-1570) em 1549 funda o primeiro Colégio na Bahia, os primeiros padres vieram no Brasil para ajudar na adaptação da vida nômade e no desbravamento do território. Transformam-se em médicos, pedreiros e gramáticos. Ele escreveu em 1551 Terras do Brasil, publicando também suas cartas são traduzidas ao italiano (em 1559, 1561 e 1570).


 Em Diálogo sobre a conversão do gentio (1557/1558) já há um relato sobre a diferença de teoria e prática é o limite da possibilidade e da ideia de catequese. 


Ao gramático e ao filólogo que ele é, educado no latim jesuítico, deve-se a Arte de gramática da língua mais usada na costa do Brasil (Coimbra, 1595)

No século XVI, alguns gramáticos eram acusados de redundância e de apego a rígidaa eateuturas gramaticais latinas. Anchieta é o primeiro a desenvolver e sincretizar os esquemas de gramática indígenas e aplicar eles na língua geral. 


Já como método de estudo entre indígenas e colonos, haviam pequenas cenas destinadas aos índoios, cujo gosto por espetáculos e danças são comentados nessas cartas de descrição enviadas para a Europa. 


Também se escrevia pequenos textos dramáticos, cenas de diálogos em dramas plurilíngües para um público  mais vasto soldados, colonos, marinheiros, mercadores, seminaristas). O texto compósito era composto por línguas como o tupi, português e o espanhol nasce pra substituir o rigor da ratio studiorum


O texto compósito, tupi, português e espanhol, destina-se aqui a substituir o drama latino que a ratio studiorum (manual de rigidez moral e pedagógico dos jesuítas e regiatro de ementa geral).  


Pregação universal que Anchieta encenou ao ar livre em Piratininga, a futura São Paulo, entre os anos de 1567 e 1570; outros dramas como esses foram  Quando no Espírito Santo se recebem umas relíquias das onze mil Virgens (1584), Na vila de Vitória (1586), Guaraparim (1587), Diálogo de Cristo com Pero Dias (1593), Diálogo de Cristo com Pero Dias (1593), 


Nesses dramas (pequenas peças), serviam de sincretismo religioso para incentivar a conversão indígena com a moral dessas estórias. Como no teatro português de Gil Vicente, o uso de alegorias é grande. A ideia de diabos e santos, Cristo e a Virgem, soldados e mercadores, e claro, padres e índios. 

Os diabos tem nomes tupis (Saraiúva, Aimbirê, Guaixará), o "diabo" aparece falando tupi, fumando e bebendo (moralidade), comendo pessoas (canibalismo), ás vezes o diabo era um adúltero, ou até mesmo luteranos. 

ó Virgem Maria 

Tupã Mcyetê 

Abá pe ára pora 

Oicó endê gabê; 


Outros livros começaram o mesmo processo de registro como História da província de Santa Cruz a que vulgarmente chamamos Brasil (1576), de Pero de Magalhães de Gândavo, que também escreveu Tratado da terra do Brasil. 

Já João de Barros escrevia em tom se louvor a língua portuguesa (Regras que ensinam a ma neira de escrever a ortografia portuguesa com um Diálogo que adiante se segue em defensão da mesma língua, Lisboa, 1574) 

 Gabriel Soares de Sousa (1540?-1592), que veio ao Brasil entre (1567-1584) como senhor de engenho, que fez fortuna ao apontar a lucratividade da nova terra, escreveu: Tratado descritivo do Brasil, escrito antes de 1587, 

Por anos, virou uma espécie de libelo de economia que circulava sob o nome de Notícias do Brasil de maneira anônima por anos e retratava a cultura local em tons reais. 


Um trecho desse livro: 


"... Costumam os tupinambás, primeiro que o matador saia do terreiro, enfeitá-lo muito bem, pintá-lo com lavores de jenipapo todo o corpo, e põem-lhe na cabeça uma carapuça de penas amarelas e um diadema, ma nilhas nos braços e pernas, das mesmas penas, grandes ramais de contas brancas sobraçadas, e seu rabo de penas de ema nas ancas e uma espada de pau de ambas as mãos muito pesada, marchetada com continhas brancas de búzios, e pintada com cascas de ovos de cores, assentado tudo; em la vores ao seu modo, sobre cera, o que fica mui igualado e bem feito; e no cabo desta espada têm grandes penachos de penas de pássaros feitas em molho e dependuradas da empunhadura . . . "


(Tratado descritivo do Brasil, antes de 1587).


O frei Vicente do Salvador (1564-1636/1639) que escrevia em gênero literário diverso, passando de escrever de dança a etnografia, e até História, escreveu História do Brasil (1627). 

Outro livro importante dos primórdios da colonização é de Ambrósio Fernandes Brandão a primeira tentativa ufanista (de louvor), com o livro o Diálogos das grandezas do Brasil de 1618.  É desse livro a famosa frase sobre as terras brasileiras, que aqui tudo que planta, dá (dar-se-á nela tudo). 


Esse gênero da literatura de "louvação" deixou rastros até no século XIX com Por que me ufano do meu país, de Afonso Celso. 

Outro comentador que era padre, esse italiano foi  Giovannantonio Andreoni que aportuguesou seu nome para João Antônio Andreoni, de Lucca, 1650-1716). Ele escreveu Cultura e opulência do Brasil por suas drogas e minas,  sob o pseudônimo de André João Antonil. Um importante livro sobre o começo do ciclo de economia extrativista no Brasil com as chamadas "drogas do sertão". 


A descrição de Pero Vaz de Caminha em sua carta quase secreta: 



" Pero Vaz de Caminha: AS MENINAS DA "GARE" Eram três ou quatro moças bem moças e bem gentis Com cabelos mui pretos pelas espáduas E suas vergonhas tão altas e tão saradinhas Que de nós muito bem olharmos Não tínhamos nenhuma vergonha". 

Era o primeiro "malegaze" do colonizador safado, ao estilo Caramuru em prosa e verso. 


No terceiro capítulo, a autora começa a abordar a literatura barroca do período do século XVII XVIII. 


 O rococo e a arquitetura belíssima de Minas Gerais não são as únicas lembranças do período barroco no Brasil. 

O barroco simboliza o encontro de contrários, a miscigenação já latente. Uma das primeiras obras é de 1601, ano da publicação da Prosopopéia de Bento Teixeira. 


Muitos traziam os filhos nascidos no Brasil e os introduziam nas universidades europeias. Essa burguesia colonial era enviada a Coimbra. O maior exemplo disso é Gregória de Matos, que era filho de português com uma mulher baiana. 

Obras como as de Cláudio Manuel da Costa. Gregória de Matos, Botelho de Oliveira, ltaparica escrevem em Salvador (a primeira capital)

Baltasar Gracián cujo tratado Agudeza y arte de/ ingenio será considerado também no Brasil "bíblia do cultismo". O barroco tinha muito desse "agridoce" da vida. 


Exemplo de poesia barroca:


"Diz-se que amor com amor se paga,

 Mas o certo é que amor com amor se apaga..."


Os poetas "gongóricos" (provavelmente influenciados pelo Gongorismo ou pelo estilo barroco de Luis de Góngora), sendo publicado em portugal em 1646, 1647, 1667.


Já Antônio Vieira (autor de História do Futuro) e defensor da pauta indígena, e até denunciado no tribunal da inquisição. Ele chegou a ser chamado de "Paiaçu" (Grande Pai) pelos indígenas, também defendia os judeus. Escreveu: 


"...Se o que fui, sempre hei de ser, 

Eu falo, seja o que for

A cada canto um grande conselheiro

 Que nos quer governar cabana e vinha: 

Não sabem governar sua cozinha,

 E querem governar o mundo inteiro! 

Em cada porta um bem freqüente olheiro 

Que a vida do vizinho e da vizinha, 

Pesquisa, escuta, espreita e esquadrinha 

Para o levar à praça e ao terreiro. " 


Clássica e poderosa essa frase, um verdadeiro manifesto. Todos se animavam pra ir ver os sermões desse padre, ele escreveu também "História do Futuro". 

Nossa, percebi a coincidência, como a vida, história e músicas se misturam, é a mesma música da Pity, os mesmos versos usados. Estava eu ouvindo Pity em sua primeira banda, e aí eu pensei, eu já li isso em algum lugar! 

Ela usou as letras da obra de Antônio Vieira para fazer esse clássico rock moderno baiano. É a música Soneto, da banda inkoma. 




É impressionar observar que mesmo no meio da igreja católica, houvesse figuras consideradas tão rebeldes como Antonio Vieira. Ele pregou contra escravidão indígena, no sermão que fez, (Sermão de Santo Antônio aos peixes, 1654; Ser mão da sexagésima, 1655).  Também me lembro de ter visto o filme sobre esse padre, era Júlio Lancelote, Papa Francisco da época. 


Já o quarto capítulo, aborda-se a virada do barroco e do nativismo insipiente para o século das luzes, século XVIII e a guinada ás sociedades independentistas. 


O nativismo apologético toma forma em cartas de registro, documentoa burocráticos e louvação de genealogias, como as Cartas de Vilhena de Luís de Santos Vilhena. Havia aqui aquele mesmo louvor dos cronistas medievais, mas aplicados ao período do século das luzes, ainda o começo estrutural da colonização no Brasi. 


Loreto Couto compôs Desagravos do Brasil e glórias de Pernambuco (1757), escrevendo na Recife de 1757. Há substituição gradual do protagonista branco por figuras indígenas. A obra de Loreto Couto fora revisada por Capistrano de Abreu (permanecendo inédita até 1902). 


Apesar disso, a autora sugere uma possível revisão do rei do indigenismo romântico, José de Alencar ao texto consultando o manuscrito. Mesmo assim, há a influência geral do da cultura de Recife na cultura nacional, claro que há. Eu posso falar além desses nomes aqui, João Cabral de Melo Neto, Camarâ Cascudo. 

Havia a figura de mais um historiador moralista Nuno Marques Pereira (1652-1728/31) autor daquele Compêndio narrativo do peregrino da América, que, na esteira do Pilgrim's Progress, de Bunyan. O gênero narrativo que se inspiravam era o de "peregrinatio edificante" da literatura portuguesa. 


Muito interessante isso do peregrinatio (peregrinação) é um conceito que remonta ao latim, uma ideia de jornada a uma terra estrangeira (per agros), com motivações religiosas. É a própria ideia de "romaria", viagem com fins de purificação. Mostrando aquele elo entre a literatura portuguesa e brasileira, principalmente nas origens. 

No ramo do gênero arcádias, destaca se alguns que não eram homens brancos. Como  Domingos Caldas Barbosa  (1738/ 1740?), foi acolhido em Portugal como um dos primeiros poetas brasileiros. Era natural do Rio de Janeiro e faleceu em Lisboa. O poeta foi lembrado por William Beckford em seu Cartas de Portugal.


A forma desse texto brasileiro, da arcádia brasileira imitava em forma estética da italiana e da portuguesa. O soneto com formas universas do mesmo Claudio Manuel. Tomás Antônio Gonzaga, Silva Alvarenga. Uma poesia com disfarces pastoris.

Em 1768, Cláudio Manuel da Costa, "árcade ultramarino", publica em Coimbra suas Obras poéticas. Cláudio também foi preso e escreveu sobre a Inconfidência Mineira. Tomás Antônio Gonzaga e Alvarenga Peixoto ficaram muito populares com esses escritos. 

Sobre a comparação das estepes mineiras com a terra portuguesa, escreveu: 


Competir não pretendo Contigo,

 ó cristalino Tejo, 

que mansamente vás correndo:

 Meu ingrato destino 

Me nega a prateada majestade,

 Que os muros banha da maior Cidade. 

Não se escuta a harmonia 

Da temperada avena 

Nas margens minhas; que a fatal porfia

 Da humana sede ordena 

Se atente apenas o ruído horrendo 

Do tosco ferro, que me vai rompendo. 



Gonzaga não usava de eufemismos pastorais enquanto Claudio Manuel conseguia ser nativista sem fazer uso do derrotismo realista fruto da vida dura na colônia que inspirava um ar barroco e sinistro nas descrições sobre o Brasil. Ele surfava mais nas influências classicas de Virgílio, de Petrarca, do Tasso ou de Camões. 

Nesse sentido, o poema épico Uruguay de Basílio da Gama (1741-1795), Prosopopeia de Bento Teixeira, e Vila Rica de Cláudio Manuel da Costa, como também Santa Rita Durão. 


Aqui já jaz um texto que mescla crítica a colônia e desconfiança da metrôpole: 


Gentes da Europa! nunca vos trouxera 

O mar e o vento a nós! 

Ah, não debalde 

Estendeu entre nós a natureza 

Todo esse plano espaço imenso de águas


O Durão era um frade agostiniano, doutor em teologia. O poema Caramuru sai em 1781. A missão era de revisão de Camões ao episódio da chegada de Diogo Álvares Correia entre os índios tupinambás. 


O poema épico também converge noções de  extraídas da história natural e de notícias folclorísticas



5) O quinto capítulo, O século XIX: Autonomia e Independência


O século XIX trouxe o advento da independência e da formação de um novo país, a chegada da família real, a equiparação do Brasil a reino e não mais exatamente colônia. Tudo isso mudou a visão sobre o que era ser brasileiro, que na época era um processo sutil e insipiente. 

A ideia de uma literatura autônoma e a transferência da capital real e da distância real entre os 5 "brasis" diferentes que existiam. De Pernambuco à Bahia, de Minas ao Rio de Janeiro e de São Paulo ao Rio Grande do Sul, podem-se isolar, conforme Capistrano de Abreu, pelo menos cinco "Brasis" diferentes entre si por condições econômicas, tessitura social, tradições culturais.

A realidade das universidades e centros de pesquisa se restringia em centroa de academia reais no Rio de Janeiro, instituições que aumentaram com a chegada da monarquia portuguesa, que antes de Napoleão, não permitiam universidades, editoras e publicações civis em todo território brasileiro. Diferente da América Espanhola, que usufruia de alguns centros de estudos, a América portuguesa não. 


No século XVI, a América Portuguesa convivia com a proibição de publicações e de criação de dentros de estudo e formação. 

Mesmo na corte no Rio de Janeiro sendo um centro catalisador para todas as províncias, estimulando um senso de orgulho público e arquitetônico que aumenta no fim do século com o começo das reformas urbanas no Rio de Janeiro. No século XVI já havia os centros no México, no Peru ou em Santo Domingo. 


Havia no Brasil novvos centros cultutais fora do eixo do Rio de Janeiro, em Olinda, com o Seminário de Olinda, na Bahia e em Minas. 

A família real desembarca na Bahia em 1808, seis dias depois, os portos do Brasil são abertos para sustentar o comércio inglês (por conta do bloqueio continental, foi o Brasil a única "ajuda" da Inglaterra). 

Por conta dessa nova presença, cria-se uma cátedra de economia política e escolas de cirurgia junto a hospitais militares. Nesse mesmo ano, instala-se a primeiro tipógrafo, a Impressa Régia, depois a Imprensa Nacional, depois o Observatório Astronômico (1809), a Academia da Marinha (1809), a Academia Militar destinada à formação de oficiais engenheiros, geógrafos e topógrafos (1810), a Escola de Comércio (em 1810). 


 São diversos exemplos, a Biblioteca Real (1814) e funda-se o Museu Nacional ( em 1818); Academia de Belas Artes (para a qual vêm docentes da França e que começará a funcionar em 1816); constrói-se no Rio o Teatro Régio de São João, primeiro teatro estável brasileiro. 

 

Toda institucionalização era para dar status ao Rio de Janeiro em uma época que a elite europeia portuguesa não tinha onde morar. 

A contradição era imensa. Por anos, os brasileiros foram censurados em estudo, pesquisa e publicação, e aí veio a elite morar aqui e logo, o que aconteceu foi abrandamento das restrições e a pausa na censura régia. Para Sílvio Romero a História Literária seria um sistema de eliminação ou o estudk do "culto dos herois" (Carlyle ou Pound). 

Surge uma certa autonomia e visão original e surge também uma jovem varguarda de jornalistas comprometidos. Entre 1820 e 1833: a publicação dos Anais Fluminenses de Ciências, Artes e Literatura, o Jornal Cientifico, Econômico e Literário. 

O problema da censura fazia com que as maiores publicações do nosso país serem publicadas lá fora, ou em Londres ou em Paris, por jornalistas exilados como Hipólito José da Costa que publicou o Correio Brasiliense lá fora para não sofrer censura. 

O poema "Vila Rica", de Cláudio Manuel da Costa e a sua Epístola a Critilo; O Beija-Flor (oito números entre os fins de 1830). Traduções de Walter Scott e novelas hiatóricas eram o marco da literatura pós independência. 


O próprio José de Alencar era neto de uma das principais figuras da Revolução Pernambucana. O repertório ideológico romântico; a Aurora Fluminense, que entre 1827 e 1837 publicou uns mil cento e trinta e nove números; Revista da Sociedade Filomática, órgão de 1833.

Em Paris publicou a revista Nitheroy, Revista Brasiliense (1836) foi um periódico fundamental publicado em Paris por jovens intelectuais brasileiros, considerado um marco inaugural do Romantismo e do nacionalismo cultural no Brasil do século XIX. 


Com o lema “Tudo pelo Brasil, e para o Brasil”, a revista visava construir uma identidade nacional autônoma, influenciados por Gonçalves de Magalhães  inaugurando uma visão, jovem, romântica e cosmopolita do Brasil e das ciências em geral. 

 

"A Silvestre Pinheiro Ferreira (1769-1846), autor de escritos de estética (Preleções filosóficas so bre a teórica do discurso e da linguagem, a estética, a diceósina e a cosmologia, 1813); do conde de Aguiar, ministro de D. João VI e tradutor de Pope; de Luís Gonçalves dos Santos, autor de Memórias para servir o reino do Brasil; e por fim do Visconde de Caim (1756-1835), introdutor no Brasil do liberalismo econômico." 


Os centros culturais dos países coincide. Com a sede das faculdades universitárias, faculdades de medicina em Salvador e no Rio de Janeiro, faculdade de Direito em São Paulo e Olinda. Há alto intercâmbio entre Olinda e depois Recife e depois São Paulo (o exemplo de José de Alencar).


 O surgimento de uma Sociedade Filomática  que levantava o antigo tema da língua brasileira própria, Em 1872, João Salomé Queiroga (1810-1878), que era imitador da poesia de Victor Hugo e escreveu no "Prólogo" poesias brasileiras. 


També. Vale destacar Ilustração Brasileira, sendo material diferente da poesia barroca dos inconfidentes e do tom de Hipólito da Costa com o seu Correio Brasiliense, ou de Frei Caneca (fuzilado em um exemplo de excesso do poder central). 

Nas palavras de Frei Caneca(o padre fuzilado) como personagem em João Cabral de Melo em O auto do Frade: 


Esta alva de condenado 

Substituiu-me a batina.

 Não penso que ainda venha 

A vestir outra camisa. 

Certo também é mortalha 

E nela sairei da vida. 

Não sei porque aos condenados 

Vestem sempre esta batina, 

Como se a forca fizesse

 Disso a questão mais estrita. 


Aqui, assim como apontado por Antônio Cândido, a autora fala da escola indigenista de Domingos José Gonçalves de Magalhães, publicando na capital francesa a revista Niterói (com nome da nossa cidade daqui). Era a encarmação do romantismo e das luzes. 

 A reflexão sobre o romantismo indigenista deriva do fato de que na ausência de Idade Média, não tivemos nem Ossian ou Ivanhoé domésticos, cria-se a figura do índio leal e corajoso, como em  Joaquim Norberto, 1843) e em prantos indianistas (A.L. de Oliveira Araújo), como na obra Gemido do índio. 

Ou os cantos de  Golçalves Dias. Além desses nomes, Torres Homem, Pereira da Silva e Azeredo Coutinho. 

A obra A Confederação dos Tamoios (Rio de Janeiro, 1856), retrata como inspiração a revolta india dos Tamoios de 1560. Retratava a historia de Aimbiré e sua esposa Iguaçu.


Obras como O filho do pescador, 1843; Gonzaga ou a Conjuração de Tiradentes, 1848 representam essa virada do romantismo nacionalista reflexivo, que tomará forma definitiva em Macedo com A Moreninha (1844) ou José de Alencar, O Guarani, ou Inocência, deTaunay. 


A ideia de um "final feliz romântico" no folhetim agradou um vasto público feminino pra sua obra de projeções amplas mas de tema simples e débil. Era um delirio pequeno-burguês que visava saciar a figura de garotas na projeção do eu-lírico de um bobo homem branco todo trabalhado em seu "male gazing". Inclusive esse livro cita a paisagem da Ilha de Paquetá como pano de fundo.

Outros romances água com açucar surgira. Como O moço louro, 1845; Os dois amores, 1848), ou interpretando "à brasileira" a balza quiana Peau de chagrin (na Luneta mágica, de 1869).  As mulheres de mantilha, 1870-1871, o poema-romance A nebulosa, de 1857. 

Macedo ainda tentou publicar outros gêneros (Um passeio pela cidade do Rio de Janeiro, 1862-63; Memórias da rua do Ouvidor, 1878) à literatura de viagens, e por fim ao teatro (O cego, de 1845; O fantasma branco, de 1856; Luxo e vaidade, de 1860; Antonica da Silva. 


O que fez surgir um estilo de escrita, uma estirpe brasileira memso. No pla o antropológico da língua, da religião, da expresão artística. A autora escreve algo interessante refletindo que por exemplo, o homem negro brasileiro nunca seria puramente negro, tendo em sua genealogia sempre algo lra clarear, o que evita as disputas imediatas do branco x negro na sociedade, tirando o maniqueismo. 


Como falará Mário de Andrade, dizia:



"Foi o sol a tingir de moreno os brasileiros''


Carlos Gomes estuda em Milão vom uma bolsa imperial, Vítor Meireles pinta em Florença, Pedro Américo pinta "A batalha de Avaí" e mais tarde "O grito de Ipiranga".


A  HISTORIOGRAFIA, ROMANCE HISTÓRICO E PESQUISA FOLCLÓRICA. O NACIONAL E O REGIONAL: VARNHAGEN, JOAQUIM FELÍCIO DOS SANTOS E COUTO DE MAGALHÃES.

 Aqui ela volta a primeira literatura para nos lembrar da evocação dos temas nacionais.  Américo Vespúcio, Hans Staden, André Thevet, Jean de Léry, se perguntavam porque havia semelhanças entre o tupi e o grego, por exemplo, eram lançados que se inspiraram na originalidade brasileira. 

Alguns estudos de genealogia, como Pedro Taques ou de Antônio José Borges da Fonseca (Nobiliarquia pernambucana, Recife, 1718-1786), além de crônicas dos missionários jesuítas, como Bedendorf a Simão de Vasconcelos, as histórias localistas sobre a sedição em Pernambuco,  de Gonçalves Leitão, seria o material para Guerra dos Mascates, de José de Alencar. 


Em termos de história, a autora aborda a preferência pela capital na análise militarizada e de tipo alemã de Varnhagen, que publicou História geral do Brasil (Rio de Janeiro, 1854-1875), e Memórias do distrito diamantino (1861-63), na opinião sos maiores críticos, Sílvio Romero e Capistrano de Abreu, o exemplo de monografia no século XIX. 


 Varnhagen. Autor das Memórias do distrito dia mantino (1861-63), que considera rão como uma monografia exemplar do século XIX, Jo

Alguns livros dos primórdios, (Eusébio de Matos, Santa Rita Durão, o Judeu, ltaparica, Gonzaga,  foram recuperados na publicação o Florilégio da poesia brasileira (três volumes, Lisboa, 1850-1853). 


Livros que marcaram época fora do Visconde de Taunay como o Retirada de Laguna (sobre a Guerra do Paraguai), vale lembrar que ele é o autor de Inocência também. 


No mesmo estilo que Couto de Magalhães (1837-1898) publicou  O selvagem, 1876. Ele também escreveu a enciclopédia do aborígene sob o aspecto etnológico (origens, costumes, habitat), curso de língua tupi com lendas incluídas em texto original). 


O SÉCULO XIX: O GRANDE ROMANTISMO BRASILEIRO



 Todos cantam sua terra, 

Também vou cantar a minha, 

Nas débeis cordas da lira 

Hei-de fazê-la rainha.


 Casimiro de Abreu, 1859.



A autora começa associando a tradição da matriz europeia da época por Lenau na Alemanha e Heine na Inglaterra. A influência nktada na Inglayerra de Walter Scott e de Lord Byron, França de Chateaubriand ou de Alfred de Musset.

A métrica clássica Gonçalves Dias ou um José de Alencar era agressivamente nacionalista, no sentido sociológico e racial também. Ela faz uma crítica  aqui ao que ela chama de "nacionalismo populista" que visava denunciar a opressão do homem branco europeu, ou "idealizar o índio puro". 


A autora criticaria a idealização romântica apenas de Alencar, mas esquece de analisar a retorica um pouco fora de tom de Silvio Romero ou mesmo de Varnhagen, ao criticar idealismo "populista" de José de Alencar, também diz tudo sobre ele e o considera até mais político e revolucionário, apesar de admitir o peso da sua pena na historia nacional, apesar da falta de tradução.da sua obrs. 


O melhor exemplo é o nacionalismo de Gonçalves Dias com a Canção do exílio, tão parodiada depois por ser o poema mais conhecido para todos os brasileiros, algo comum, que todos citam, até caricato.

Além de Canção do Exílio, o poema-ballet indigenista juca-pirama é um marco e aborda os costumes canibais, como Montaigne já falou antes. É um poema clássico da nossa literatura que descreve o drama da captura de um índio tupi sobrevive capturado pelos timbiras e que deve ser morto em um ritual. 


A moral da história que ao homem não ser herói e chorar, perdeu a "graça" comer sua carne. Porque na questão do antropomorfia, acredita-se que se extrai energia e força dos guerreiros derrotados e chorar era sinal de fraqueza. 


O poema descreve o drama vivido por um índio tupi, sobrevivente de sua tribo, que é capturado pelos timbiras e deve ser morto em um ritual.


E é incrível como que temuma métrica alemã, romântica e saudosista e quase ritmada, é o cúmulo do nacionalismo inocente: 


Minha terra tem palmeiras,


 Onde canta o Sabiá; 

As aves, que aqui gorjeiam, Não gorjeiam como lá.

 "Nosso céu tem mais estrelas, 

Nossas várzeas tem mais flores, 

Nossos bosques tem mais vida,

 Nossa vida mais amores. 

Em cismar, sozinho, à noite,

 Mais prazer encontro eu lá; 

Minha terra tem palmeiras,

 Onde canta o Sabiá. "

Em alemão:


(Kennst du das Land, wo die Zitronen blühn, 

Im dunkeln Laub die 

Gold-Orangen glühn, 

Kennst du es wohl? 

- Dahin, dahin! 

Mocht' ich . . . ziehn)


E eu aqui já achando que ela estava criticando José de Alencar, aí ela dá essa pedrada em favor. Depois faz uma análise mais detalhada sobre o romantismo de José de Alencar. Dizendo que seu material é do mais diferente, mais sugestivo, onde o Brasil tkdo, dos cantos e das cidades, dos negros e dos índios, ds burguesia e do povo, encontrar sua própria dimensão, sua íntima razão literária. 


Sobre José de Alencar, ela faz até um levantamento do porque que ele seria tão fundador, e ironicamente tão liberal nas palavras e conservador na política: 


"... Será Alencar o grande nó da cultura romântica, e será a partir dele, de seu exaltado e exaltante romantismo, que os futuros literatos do Brasil irão traçar as diretrizes , senão.os modos, para a aquisição de um estilo nacional. 

Natural Natural de Mecejana, no Ceará, José Martiniano de Alencar de família culta e empenhada na política, realizará todos os estu dos no Brasil, em São Paulo, onde simultaneamente às noções de direito (licenciar-se-á em leis no ano de 1850) absorverá a lição dos grandes conteurs franceses, de Chateaubriand a Balzac, de Victor Hugo a Dumas pai, e a Alfred de Vigny: sem com isso renegar os grandes modelos in gleses e norte-americanos, Macpherson, Byron, Walter Scott, Washing ton Irving e mesmo Cooper, para além de qualquer desmentido. 


"Sua estréia literária será todavia como historiador: e da história - a história pátria - Alencar conservará, daí para a frente sem lapsos, o gosto ro mântico e nativista; ao mesmo tempo que a prática de um jornalismo militante (artigos não só literários mas também políticos e econômicos publicados no Correio Mercantil e depois reunidos nas "crônicas" de Ao correr da pena, 1854) lhe irá afinando o instrumento expressivo, aquela sua personalíssima parole de escritor romântico voltado para a criação de um novo estilo individual e nacional. Militante também na política (conservador!), Alencar queima no en tanto todas as etapas do cursus honorum local até que, deputado e ministro da Justiça, vê-se excluído (1869) daquela cadeira senatorial vitalícia que deveria ter representado o ponto de chegada de uma bem construída carreira pública. "

Em 1856, em torno d'A confederação dos tamoios de Gonçalves de Magalhães, reunia-se a primeira surtida em campo indianista ocorrera em 1856, quando, em  se haviam alinhado de um e de outro lado da barricada, como defensores (Porto-Alegre e o próprio imperador D. Pedro II) e como acusadores, os mais vivos engenhos da época, entre os quais o próprio Alencar. 


No ano seguinte, saía, primeiro em capítulos no Diário do Rio de Janeiro, e logo depois em volume, O guarani (Rio de Janeiro, 1857), obra-prima da literatura indianista romântica. 

Assinalando uma obra que fazia frente as elites do rio, com uma estória sobre a fundação do Rio de Janeiro como lembrança da raiva programática pela traição da primeira constituição e da revolta de todas as províncias contra a capital. O Guarani é um símbolo em parte dessa revolta nordestina contra Dom Pedro.

O Guarani de José de Alencar (já fizemos aqui a análise completa também), é ambientado no Brasil colonial do início do século XVII, num castelo rústico às margens do rio Paquequer, onde o nobre português D. Antônio de Mariz estabelecera o seu orgulhoso feudo ultramarino para não se dobrar ao jugo castelhano de Felipe II, a narrativa tem por protagonis ta um índio, de estirpe guarani: um cavalheiresco, extraordinário Peri, último de sua raça como o moicano ou o abencerrage e enamorado de uma mocinha, Cecília, filha de D. Antônio. Em nome da menina de olhos azuis e cabelos louros e anelados,

 "Peri realizará façanhas sobre humanas até que, no grande final, enquanto o castelo de Mariz explode, assediado pelos aimorés, por traição de um aventureiro metropolitano (modelo o byroniano The siege of Corinth?ela fala sobre o italiano que tenta roubar Ceci e a vê como mulher), o rocambolesco salvamento a dois sobre um tronco de palmeira transportado pela enchente sugere o desembarque final num éden em que a copresença e também, quiçá, o cruzamento das raças, prefigura o moderno Brasil. Tudo isso, no entanto, de forma esfumada, com uma indeterminação que sabe levar em conta todos os preconceitos contemporâneos de casta. " 

Essa critica dela de O Guarani é tão exata que gera arrepio. É exatamente essa exaltação romântica afirmativa e pitoresca por nunca ter sido feita assim. 

E não é por acaso que é Guarani que fornece o material para a obra de Carlos Gomes uma ópera brasileira, vencendo no Teatro della Scala de Milão. Mas Alencar criticou certos excessos para cair no gosto nos europeus. 

"o mau gosto de colocar a minha Ceci em colóquio com o chefe dos Aimorés", pra explicar, no livro, os Aimorés  são a tribo "rival" por assim dizer. "

Anos depois, Alencar escreveu notas ao estilo Como e por que sou romancista, 1873 descreve os bastidores e o contexto dessa obra que teria sido motivada a escrita por uma prima de Alencar lhe encomendou um romance.  


Alencar escreveu antes a viuvinha e cinco minutos (romances levemente afrancesados), poesias como Poesias diversas, Os filhos de Tupã, 1863), romances de tino sociologico sibre o Rio, A noite de São João, O Rio de Janeiro: verso e reverso; os poemas da vida real,  e os perfis de mulheres na corte, as introspecções psicológicas de ambientação burguesa (Lucíola, 1862; Diva, 1863; A pata da gazela, 1870; Sonhos d' ouro, 1872; Senhora, 1875; Encarnação, póstumo); do outro, os romances histó ricos (As minas de prata, 1865-66, amplo mural da penetração bandeirante do país; Guerra dos mascates, 1870.


 No fim da vida, escreveu O garatuja, O ermitão da Glória e Alma de Lázaro, todos de 1873, sob o nome de "alfarrabos". Dessa época ele escreveu Iracema, lenda do Ceará, 1865; Ubirajara, lenda tupi, 1864) e os romances regionalistas (O gaúcho, 1870; O tronco do ipê, 1871; Til, 1872; O sertanejo, 1875. 


Um trecho de Iracema: 


"Além, muito além daquela serra, que ainda azula no horizonte, nasceu Iracema. Iracema, a virgem dos lábios de mel, que tinha os cabelos mais negros que a asa da graúna e mais longos que seu talhe de palmeira. O favo do jati não era doce como seu sorriso; nem a baunilha recendia no bosque como seu hálito perfumado. Mais rápida que a ema selvagem, a morena virgem corria o sertão e as matas do Ipu, onde campeava sua guerreira tribo, da grande nação taba jara.

 O pé grácil e nu, mal roçando, alisava apenas a verde pelúcia que vestia a terra com as primeiras águas. Um dia, ao pino do sol, ela repousava num claro da floresta. Banhava lhe o corpo a sombra da oiticica, mais fresca do que o orvalho da noite. Os ramos da acácia silvestre esparziam flores sobre os úmidos cabelos. Escon didos na folhagem, os pássaros ameigavam o canto. Iracema saiu do banho; o aljôfar d' água ainda a roreja, como à doce man gaba que corou em manhã de chuva. Enquanto repousa, empluma das pe nas do gará as flechas de seu arco: e concerta com o sabiá da mata, pousado no galho próximo, o canto agreste. "


O romance no século XIX entre o picaresco e o rústico : MANUEL ANTÔNIO DE ALMEIDA E BERNARDO DE GUIMARÃES

 - Memórias de um Sargento de Milícias e Escrava Isaura: 


 Manuel Antônio de Almeida descreve e não julga e faz o  mais "o homem como ele é" mais do que o "herói como ele deveria ser". Ela diz "pícaro" na palavra espanhola do termo. A natureza do malandro e astuto, parecendo com Giulio Cesare Croce.

Dois autores marcados por afinidades eletivas na construção de "problemas públicos". 

Já o autor de Escrava Isaura gostava dos salões liberais da época e andava na companhia de Aureliano Lessa e Álvares de Azevedo.  A obra de Bernardo Guimarães (1825-1884) é marcada por sua formação, professor de retórica e poética, de latim e de francês, ele era boêmio  e ajudou a fundar uma Sociedade epicúrea , surfava tanto nonnosense no romance inglês é épico, quanto escrevia ironias coml "A orgia dos duendes", grandiloqüentemente hugoanos, ou licenciosamente ridículos, como o bem conhecido Elixir do pajé, espécie de sátira fescenina, de paródia obscena de Os timbiras, do grande Gonçalves Dias. 


A narrativa localista em obras como O índio Afonso, Rio de Janeiro, 1873; Jupira, idem, 1872); e há o tema negro com A escrava Isaura, Rio de Janeiro, 1875, libelo abolicionista considerado o contra ponto brasileiro romântico do romanticíssimo Uncle Tom's Cabin. 


Ou seja, aqui não há rendenção da abolicionista branca que aprende, a protagonista branca é a pessoa negra na trama. Algo do típico do nosso romance, jamais remotamente feito em nenhuma cultura. Explica do o sucesso de Escrava Isaura lá fora. 

Em Escrava Isaura, a história da escrava branca que ganhou o mundo, há sempee vigorosas protagonistas, não necessariamente belas, mas sempre munidas de amor. O símbolo da "negra-branca" traz uma contradição, é heroína porque é branca, ou é especial porque é negra também? 

Gonçalves Dias e Alencar, são.a primeira geração chamados ultra-românticos eram extrovertidos e orgulhosos, já essa segunda geração era pessimista e subjetivista.


São obras desse contexto de segunda geração do romantismo, a Lira dos vinte anos, Poema do frade, O conde Lopo, Noite na taverna. 


Havia dois polos romantimos Fagundes Varela e Camimiro de Abreu. 


As coletâneas poéticas compreendem, entre as mais bem realizadas, Noturnas (São Paulo, 1861), onde o spleen byroniano de Álvares de Azeve do casa-se com os temas de Gonçalves Dias; Vozes da América (idem, 1864), em que a poesia romântica se volta para aqueles temas épicos e narrativos que em breve Castro Alves levará a novas altitudes poéticas; e Cantos e fa ntasias.


O mais célebre poema de Fagundes Varela é, contudo, o Cântico do Calvário, pungente elegia em versos brancos pela morte do filho Emilia no, peça ritual de toda antologia poética brasileira: 


A autora comenta que Casimiro de Abreu não é um grande poeta: justamente porque seu horizonte seria extremamente limitado. Mas o que ele teria era certo psicologismo infantil, sendo o livro favorito das adolescentes em 1859 da época. 

Casimiro de Abreu era meio Beatles. Enquanto Fagundes Varela seria mais de um romantismo dramático. Ela compara com Carlos Drummond de Andrade no que ela chama de "poesia da amizade e do civilismo", um poeta do século seguinte e favorito de muitos. 

Ela começa a partir daqui a falar sobre  a Escola Condoreira, com estética e influência de Victor Hugo, Lamennais, Lamartine. O principal nome, o baiano Castro Alves (que Glauber Rocha jurava de quem havia reincarnado). O gosto pelas antíteses, o tom oratório e messiânico. Castro Alves era filho de médico e foi reprovado a primeira vez que tentei cursar Direito. 


Por fim, ela comenta muito da intelligentsia nordestina Sílvio Romero e Graça Aranha e Tobias Barreto. Um pulsar visto no final do período monarquista na transição para a república. Como no livro Esaú e Jacó. 

Ela ressalta nomes de sertanistas como Trajano Galvão (1820-1864), ou do estilo campestre com "Cajueiro pequenino", e dos "Cantos do Equador" (Paris-Rio de Janeiro, 1900) de Melo Morais Filho (1844-1919); e Bruno Seabra (1837-1876: Flores e frutos, 1862.

 

Ou mesmo "Lendas e canções populares" de Juvenal Galeno (1836-1931). Ou o teor nacional de coinciência sobre a escravidão e mazelas sociais como em Bittencourt Sampaio (1836-1895: com Flores silvestres, 1860; Poemas da escravidão, 1884).  Também textos curtos e diretas em estilo de libero de Luís Gama e Pedro Luís. Obras como O Diabo Coxo, O Cabrão, O Polichinelo. 

Para resumir essa fase, seriam as tavernas de Fagundes Varela, os campos de Bernardo Guimarães e as selvas de Golçalves Dias, chegando aos cemitérios de Álvares de Azevedo, até suas agitadas praças como expressão.da vontade popular. 


A praça! 

A praça é do povo

 Como o céu é do condor, 

É o antro onde a liberdade 

Cria águias em seu calor.

 Senhor! . . . pois quereis a praça? 

Desgraçada a populaça,

 Só tem a rua de seu . . . 

Ninguém vos rouba os castelos, 

Tendes palácios tão belos . . . 

Deixai a terra ao Anteu. 


Claro que Castro Alves era extrovertido e adepto da retórica, embriagado de exclamações e hipérboles. Fez invertidas contra o emprego "tuttofare" dado ao nacionalismo conservador para esconder vergonhas e racismos. 

 

"E existe um povo que a bandeira empresta 

P'ra cobrir tanta infâmia e cobardia! . . . 

Auriverde pendão da minha terra,

 Que a brisa do Brasil beija e balança, 

Estandarte que a luz do sol encerra,

 E as promessas divinas de esperança . . . 

Tu, que da liberdade após a guerra, 

Foste hasteado dos heróis na lança, 

Antes te houvessem roto na batalha, 

Que servires a um povo de mortalha! . . ."


Aqui ocorre o nascimento do Teatro Nacional, voltado ao público nacional e fora da intenção da catequese. Diferente de Gil Vicente (que mesclava conseguia ser sacro e mundano ao mesmo tempo como Dante).  

Novos nomes como Gonçalo Ravasco Cavalcanti de Albuquerque, autor de "autos sacra mentales"; José Borges de Barros traziam a comédia religiosa (como Mandrágora). Textos como A Constância com triunfo, Salvador de Mesquita mostram a evolução do texto de teatro no Brasil em 2 séculos. 


Apesar da autora comentar a autonomia da vida teatral (au tônoma) na figura de atores que se destacaram como João Caetano ou na escrita de Martins Pena.  


Ssse tipo de teatro trazia uma eterna fonte equívocos, um eterno deus ex machina, que conduz ao final alegre. Desse tipo se destaca o drama indianista Itaminda ou o guerreiro de Tupã, 1839 ou dramalhões históricos (Vitiza ou o Nero de Espanha, 1845). 

Outro destaque é um texto que zomba do eurocentrismo chamado: Os dous ou o inglês maquinista (escrito, provavelmente, em 1842, representado em 1845 e publicado em 1871). 

Dois escritores passaram dos livros clássicos ao teatro, Macedo  autor de "A Moreninha" e José de José de Alencar,  comédias abolicionistas como O demônio familiar, 1857; Mãe, 1861, representada em 1862), uma versão "para o bra sileiro" da Dame aux camélias (As asas de um anjo, 1860). 

No texto de Alencar, o escravocrata e o libertário não encomtrabam soluções na sua utopia. Ele escreve certa vez sobre um jesuíta que passou a sonhar com a colônia separada da metrópole. Vale lembrar que o pai dele era um dos padres revolucionários, então ele escrevia com conhecimento dessas figuras como Padre Roma ou Padre Cícero. 


Alguns faziam papel de criação e tradução juntos como Pinheiro Guimarães, que colocou um subtítulo em Dame aux camélias: a História de uma moça rica. 

 Casimiro de Abreu escreveu Camões e o jau (representado em Lisboa em 1856), outra 9bra de destaque é Macário de Álvares de Azevedo, Sangue limpo (1863), de Paulo Eiró (1836-1871). 


CAPITULO SÉTIMO 

SÉCULO XIX:

SOCIALIDADE E REALISMO


 O sentimento de ser a última nação de escravos humilhava a nossa altivez e emulação de país novo. 

Joaquim Nabuco, 1895 


A reflexão era óbvia, o orgulho e o nacionalismo romântico e certa autonomia rara em uma colônia que vivíamos não era em todos os campos, principalmente não o era em campo intelectual. O Brasil viu a chegada do romantismo com O Guarani e Inocência, mas antecipou e falou em estilo ao naturalismo e ao regionalismo (por onde a literatura floresceu mais) do que pelo ideal. 

Também psicopatia monarquista com a Guerra do Paraguai havia prometido e não cumprido, gerando uma expectativa falsa de integração. 

A escravidão atrapalhava qualquer possibilidade de sonho com um país igualitário e Joaquim Nabuco nesse trecho acima coroa a interpretação e explicação da virada realista, cujo rei fora Machado de Assis. 

A influência de Spencer e Taine, com Zola e com Lombroso e de certo materialismo advindo de Karl Marx mudaram

O romancista Eça de Queirós é um modelo para Flaubert e Zola e aqui nós temos uma contradição contra o realismo como escola. Os elementos nacionais e lingüísticos que aqui vai ter uma influência contraditoriamente para  recuperação de "ancestralidade" na literatura nacional. Entendo completamente a crítica que ela faz e posso citar um caso, O Cortiço, de Aluísio Azevedo tem o mesmo vício. Mostra a "realidade" com certo sensacionalismo e vício em arquétipos nacionais.

 Nesse sentido, o romantismo inicial era muito mais honesto do que certo realismo. Vale lembrar da briga épica que havia entre Machafo de Assis e Aluísio Azevedo, ambos surfando na escola do realismo. 

No Brasil, a madame Bovary também ganhou corpo com Lucíola, e também na Lusitânia em forma pudica e modesta na figura de Luísa, protagonista de O primo Basílio, de Eça de Queirós). Esse "bom gosto lusitano" era traduzido por homens como Antero de Quental, Eça de Queirós, Ramalho Ortigão e Teófilo Braga. 

A revolução vem do Norte, os centros irradiadores de uma nova visão de mundo, direto das faculdade de Recife e de São Paulo. A verdadeira revolução viria do Norte com a chamada Academia Francesa do Ceará. Entre 1872 e 1875. 


Haviam historiadores, políticos e oradores, a causa abolicionista tinha nomes como Luís Gama, Pedro Luís e Castro Alves, poesias como a de Narcisa Amália, 1852-1924, das Nebulosas, Rio de Janeiro, 1872. Um outro reformista de talento no liberalismo político foi Tavares Bastos com O vale do Amazonas, 1866. 

Eduardo Prado foi um homem que retratou a virada ditatorial após a república e as crises políticas. Já Capistrano de Abreu escreveu sobre O descobrimento do Brasil e o seu desenvolvimento no século XVI, 1883; os fundamentais Capítulos da história colonial, 1907; A língua dos Caxinauás. 


Também é visto pela autora como ponto isolado e fora da curva a obra de Visconde de Taunay (1843-1899), de família francesa mas já ele mesmo brasileiro, começou a escrever com o pseudônimo de Sílvio Dinare,  A mocidade de Trajano (Rio de Janeiro, 1871). 

Entre o histórico e o jornalístico, Taunay foi político e também militar. Ao comentar em francês La retraite de Laguna, passou a ganhar fama como relato jornalístico participante do evento histórico. 


Mas a fama de escritor veio com o antológico romance Inocência, (publicado pela primeira vez no Rio de Janeiro, 1872) e em seguida a reelaboração (1884), foi amplamente traduzido e apreciado (publicado em capítulos, como romance de folhetim, na França, Alemanha, Itália, Bélgica, Dinamarca, Suécia, Polônia e Japão. 


Também já fiz uma matéria bem longa sobre o filme e o livro que são marcantes. Considerado o "verdadeiro novo romance americano" junto a esses países coroando um novo tipo de romance naturalista e fatalista. Já Bernardo Guimarães no mesmo estilo escreveu tanto A escrava Isaura e de O seminarista com a bússula do naturalismo. 


Obras com teor crítico e social como A filosofia no Brasil, 1878; A literatura brasileira e a crítica moderna, 1880; Cantos populares do Brasil, 1883; Contos populares do Brasil, .; Etnografia brasileira, 1888; O parlamentarismo e o presidencialismo no Brasil, 1893; Ensaios de filosofia do direito, 1895; O Brasil social, 1907), e o mais lembrado de Sílvio Romero, História da literatura brasileira (1888). 



O país debruçava-se em escritas do nacional e na tentativar que achar a voz e a cor local, a autora lembra do conceito de mestiçagem cultural para analisar essa influência múltipla na produção cultural nacional. Ela comenta sobre a estranha rusga que Silvio Romanero empregava a Machado de Assis. 

 

O SÉCULO XIX: MACHADO DE ASSIS 


É um capítulo inteiro dedicado ao maior gênio literário brasileiro, Joaquim Maria Machado de Assis. 

Chegamos agora ao escritor que é a mais alta expressão do nosso gênio literário, a mais eminente figura da nossa literatura, Joaquim Maria Machado de Assis.

 José Veríssimo, História da literatura brasileira, 1916. 


A autora começa apontando segundo ela para o "menos brasileiro dos literatos brasileiros" é o maior escritor do Brasil. Considerado uma ilha de qualidade ímpar. O que dizem que é universal demais para ser local é exatamente o que é super brasileiro de Machado. Ela comenta que ele é o maior escritor de todos os tempos e o maior dos brasileiros por certo. 

"Joaquim Maria Machado de Assis nasceu aos 21 de junho de 1839 no Rio de Janeiro, no morro do Livramento, onde seus pais, o pintor de paredes Francisco José de Assis (mulato de pele muito escura, descen dente de escravos: mas de pai forro) e a açoriana Maria Leopoldina Machado Câmara (branca da ilha de São Miguel) haviam construído seu lar nos fundos da propriedade de dona Maria José de Mendonça Barroso, madrinha e primeira protetora do futuro escritor. "

  

Sobre a raça e a pessoa de Machado de Assis, isso é outra conversa longa. José Veríssimo escreveu ("mulato, foi, na realidade, um grego dos tempos de ouro") recebendo reprovação de Joaquim Nabuco, (ainda em 1908!).


Frequentando pouco da instrução formal, sua madrasta Maria Inês que ajuda na educação do menino como doceira, fazendo com que ele pudesse frequentar o Colégio Menezes como ouvinte. 

Machado encerra sua segunda fase do romance dele com Dom Casmurro (1899). Depois Esaú e Jacó, 1904; Relíquias de casa velha, 1906; Memorial de Aires, 1908) nos seus últimos livros. 

Gostei disso que ela define dizendo que em Machado a amoralidade feminina vence morosidade masculina por quase um "eco histórico e primordial". 

Os notáveis romance dele são Memórias póstumas de Brás Cubas (1881),  Quincas Borba (1891) e do Dom Casmurro (1899), uma trilogia de três fases iniciada com A mão e a luva (1874), Helena (1876) e Iaiá Garcia (1878) e destinada a terminar com Esaú e Jacó (1904) e Memorial de Aires (1908). 

O comentário sobre Esaú e Jacó é de um livro de equilíbrio temático e lingüístico e de uma construção de "templo dórico", um exemplo perfeito de romance parnasiano, de equilíbrio entre o naturalismo e romantismo. 

Machado não colocaria suas peersonagens características épicas, mescla-se ele mesmo ao universo e amarras de seus personagens, em uma tentativa contínua, irônica e desmitificante. Ele narra diante do espelho, mas não inteiramente sobre si, isso que é legal de Machado. Machado de Assis coloca aquela ideia de realismo das relações e intenções, é a ideia de "porta-se com paciência a cólica do próximo"

  

Do ramo da poesia, escreveu  em sua juventude, Crisálidas, 1864; Falenas, 1870; Americanas, 1875; Ocidentais, publicadas juntamente com as precedentes nas Poesias completas publicanas apenas em 1900. Ela se empolga com um comentário de Mário de Andrade e declara, Machado o maior escritor do Brasil, e de todos os tempos (polêmico). 


REALISTAS E PARNASIANOS


A reação ao romantismo vinha de elites que queriam estabelecer uma visão de uma civilização burguesa e industrial.


 Nomes como Eça de Queirós a Fialho, de Ramalho Ortigão ao primeiro hugoano, Guerra Junqueiro, de Antero de Quental ao Teófilo Braga. Obras como Cantos do fim do século, 1878, ou A poesia dos Harpejas poéticos. 

Sobre o realismo e a disputa entre Machado de Assis com Memórias Póstumas de Brás Cubas e "O Mulato" agitaram o ano de 1881 com uma disputa entre dois estilos marcantes. A opinião de Picchio lê O Mulato sobretudo como romance de crítica social por causa do anticlericalismo. 

Para o leitor brasileiro, porém, permanece também um componente de caricatura social e de riso corrosivo, nem sempre enfatizado pela crítica estrangeira. Digo, o naturalismo aqui foi menos progressista do que na Europa onde estava influenciado diretamente pelo sociolismo. 


Aqui a autora lê o naturalismo desse autor como mais "de esquerda" do que ele era é natural para a percepção de uma visão de uma mulher estrageira. Alberto de Oliveira, Olavo Bilac, Raimundo Correia ou Celso de Magalhães (1849-1879), que, depois de estrear aos dezessete anos com um poema abolicionista (O escravo, 1867) se tornou adepto de Sílvio Romero. 

 

A autora também vê  na sobras de Crisálidas, de 1864, às Falenas e Americanas, de 1870 e 1875 de Machado de Assis a primeira obra de parnasianismo em estilo. 

Os poetas parnasianos geraram uma espécie de simbolismo, exemplo é a publicação de Broquéis de Cruz e Sousa. Mário de Alencar, filho do grande José de Alencar (1872-1925), Guimarães Passos (1867-1909), amigo e colaborador de Bilac, Luís Murat (1861-1929), até Augusto de Lima (1860-1934) que passa do romantismo "realista social" da primeira hora (com a sua bagagem de ceticismo e anticlericalismo) ao misticismo franciscano.


Nesse momento do livro, a autora caminha para o parnasianismo e o simbolismo e compara com o contexto de virada amarga republicana e o clima de derrota político marcaria a estilística brasileira. Talvez o romance que mais demonstra isso é Memorial de Aires, o último livro de Machado. 




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