Machado de Assis era um ser essencialmente moderno. Falando vários idiomas, não branco e vindo de uma família pobre, é incrível ver como o nosso bruxo do Cosme Velho sabia ser um homem e autor moderno e como tinha atuação no mundo político da época.
Machado de Assis diferente da maioria dos autores da época valorizava o feminino e transformava isso em público para seus folhetins. Sempre traçou um perfil de mulher real que assombrou a elite brasileira acostumada em apenas reproduzir a literatura europeia sem reflexão ou versão brasileira.
Já escrevi sobre alguns livros, contos e adaptações de Machado de Assis, como a recente de Julio Bressane de Dom Casmurro.
Ou matérias sobre seu debate sobre originalidade e idioma, sua batalha contra as formas estrangeiras e debates com autores da época como Aluízio de Azevedo e críticos. Já fiz também aqui sobre a adaptação de Memórias Póstumas de Brás Cubas e uma matéria do livro apenas de Esaú e Jacó (somos do fã club de Machado). Também fiz de A Missa do Galo (um conto mais curto) e a última escrita foi sobre Helena, um de seus primeiros romances.
Machado conseguiu o que poucos brasileiros conseguiram, ele conseguiu observar tanto o local quanto o mundo com a mesma voracidade e produzir no local uma visão e honestidade intelectual que demonstrou o Rio de Janeiro em todas as suas cores, não somente as cores mais quentes, mas Machado sobre discorrer sobre o oculto do Rio, o lado cinza das ruas, a geografia perdida dos morros antigos.
Apenas em 1827, com a chamada reforma das primeiras letras, que as mulheres foram liberadas para frequentar a escola primária. Em 1877 Machado e alguns poucos já defendiam o voto feminino.
Esse vídeo lembra dessa citação clássica do bruxo, no canal novo Cadernos do Mundo.

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